Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Testemunhos de Vida Missionária
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Pe Gaetano, natural da cidade de Nápolis (Itália), chegou em 1959. Eu cheguei dois anos depois e, juntos, desenvolvemos nossas atividades exatamente no período de preparação, realização e primeiras tentativas de implementação das decisões do Concílio Ecumênico Vaticano II. Nesse contexto, o Pe. Gaetano, com seu idealismo e generosidade, deu uma grande contribuição, primeiro em Macapá e, em seguida, em nível nacional. QUEM É Pe. GAETANO? PE. PAULO - Pe. Gaetano, gostaria que você mesmo se apresentasse aos leitores e leitoras do Missão Jovem. PE. GAETANO - Fui ordenado sacerdote em 1951, com 22 anos e seis meses de idade. Logo depois, fui convidado pelo Pe. Gargioni a trabalhar no Colégio Meninópolis, em São Paulo. Procurei então o Pe. Paulo Manna, hoje Bem-Aventurado, superior regional da Itália meridional. Aquele grande missionário, embora sabedor do pedido, disse-me que não podia atendê-lo, pois precisava de mim como secretário e como redator da revista Venga il tuo Regno. Foram oito anos de espera. Finalmente, em 2 de agosto de 1959, comunicaram a minha destinação ao Amapá. Trabalhei por 12 anos naquele extremo rincão do Brasil e, em seguida, fui chamado a servir a CNBB em Brasília, onde fiquei por 13 anos, até ser, devido a problemas cardíacos, transferido para a Itália. Mas nunca me conformei com isso, e não por questão de saudade ou sentimentalismo, mas pelo desejo de ser fiel à minha vocação missionária na sua plenitude. E aqui estou de novo, com 52 anos de vastas experiências e estudos na área da evangelização. O Conselho Presbiteral confiou-me a pastoral dos universitários e da cultura. Já estou me programando e com a vantagem de poder contar com pessoas que haviam sido meus alunos ou colaboradores no setor dos Meios de Comunicação. Com 74 anos de vida e 52 de sacerdócio, estou continuando minha vida missionária com profunda serenidade e gratidão a Deus pelos seu infinito Amor. PE. PAULO - Desde quando trabalhávamos juntos, você sempre mostrou um carinho e uma preocupação especial para com os jovens. De onde veio esta paixão humana e pastoral? PE. GAETANO - Em 16 de março de 1946, no dia da trágica morte de um amigo, consagrei minha vida e vocação aos jovens. Foi o que aconteceu. Dois meses após a chegada a Macapá, comecei a trabalhar com a juventude. Na Igreja do Amapá, e sobretudo em Macapá, onde vivia 90% da população, floresceu naqueles anos uma esplêndida atividade de evangelização em todos os setores.
Cada um deles tinha a sua agremiação. Os homens tinham
a Congregação Mariana, as senhoras o apostolado da oração,
os jovens tinham os oratórios e as diversas associações
nas quais participavam com entusiasmo, além das iniciativas de
esporte e lazer. Neste setor, o Padre Paulo era a alma, preocupando-se
com a formação religiosa e esportiva. Quem não lembra
do glorioso time do JUVENTUS, o mais popular da cidade e por diversas
vezes campeão do Amapá? Eu me dediquei mais ao ensino religioso,
ao ensino de filosofia no Colégio Amapaense e de psicologia
na Escola Normal. Foi daí que surgiu o Centro
Cultural Estudantil (CCE). Não se tratava de uma associação
ou de um movimento, mas de um grupo de jovens que, livremente, participava
de encontros de cultura ética e social. Embora o grupo se inspirasse
na fé católica, era freqüentado também por jovens
de outras crenças, cristãs ou não. PE. PAULO - Se o Amapá, como é evidente, foi amor à primeira vista, por que, em 1972, transferiu-se para Brasília, para trabalhar na CNBB? PE. GAETANO - A coisa aconteceu desta forma. Em fevereiro daquele ano, em Manaus, entrei em contato com os superiores e bispos da Amazônia e, na ocasião, apresentei um projeto nacional de animação missionária universal. O ano de 1972 foi, com certeza, o ano mais missionário no Brasil. Surgiram os programas Igrejas Irmãs entre as prelazias do Norte e Nordeste e as igrejas já mais organizadas do restante do Brasil. Foram fundados quatro periódicos missionários: Sem Fronteiras (pelos combonianos), Kosmos (pelos xaverianos), Missões Consolata (pelos missionários da Consolata) e Missionários do PIME. Foi fundado também o CIMI (Conselho Indigenista Missionário). Numa reunião na CNBB, em 7 de agosto, presente o Cardeal Agnelo Rossi, presidente da Congregação da Evangelização dos Povos, apresentei uma proposta detalhada de renovação da Pastoral Missionária no Brasil. A primeira iniciativa concreta foi a organização de um novo programa de celebração do Dia Mundial das Missões, que se transformou num Mês Missionário, com materiais audiovisivos renovados, um opúsculo sobre A Igreja e a Animação Missionária e outros subsídios. Antes do início deste mês Missionário realizamos um encontro nacional de todos os agentes da Pastoral Missionária, presidido por Dom Mário Gurgel, da Pastoral Missionária. Foi quando fundamos o COMINA (Conselho Missionário Nacional), em seguida reconhecido como organismo da CNBB. A pedido da Direção Mundial das POM, apresentei, em Roma, a nossa sugestão do Mês Missionário, que foi acolhida e instituída em todas as direções nacionais das POM. PE. PAULO - Não tendo mais espaço, gostaria que você fizesse algumas considerações finais. PE. GAETANO - Posso lhe afirmar que, nos 17 anos de minha permanência na Itália, nunca deixei de acompanhar a vida da Igreja no Brasil. Diversas vezes voltei ao Brasil e tive contatos com diversas situações. Em seguida, embora os médicos me tivessem proibido de viajar de avião, não deixei de acompanhar a caminhada da vida eclesial do Brasil. Por ocasião dos 500 anos do descobrimento do Brasil, fiz palestras em diversas cidades da Itália, mostrando as iniciativas missionárias que vinham sendo realizadas no Brasil. Isso serviu de exemplo para o povo italiano. Contudo, sem minimizar o empenho atual, continuo afirmando que o ponto alto do empenho missionário universal do Brasil foi o ano de 1972 até dois ou três anos atrás. Outras iniciativas e documentos atualizados foram produzidos pela CNBB sobre a responsabilidade da evangelização universal. No entanto, constata-se que muitas vezes essas indicações são simplesmente ignoradas por muitas comunidades eclesiais e em todos os níveis. Não é possível que responsáveis pela evangelização limitem sua missão aos limites do quintal de casa. A Igreja é chamada por Deus a ser mãe fecunda de novos cristãos. Não sendo assim, o resultado está aí: nossas comunidades, por falta de missionariedade, também definham espiritualmente e tornam-se estéreis. Isso não é uma observação de mau gosto, mas os próprios episcopados da Ásia, em 1974, denunciaram esta situação no Sínodo sobre a evangelização. Pe. Paulo De Coppi-PIME
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