Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Testemunhos de Vida Missionária

MISSÃO MARTÍRIO
Dom Erwin: Estamos contigo!

corajoso bispo Dom Erwin
Kräutler, austríaco e atualmente
bispo do Xingu-PA,
juntamente com outros sacerdotes
e leigos comprometidos com
o povo, está sendo ameaçado de
morte por pessoas inescrupulosas
que ameaçam o futuro da
Amazônia.
Iniciando com a interrogação de
São Paulo, “Se Deus está conosco,
quem estará contra nós?”
Rom (8,31), Dom Erwin recentemente
escreveu o que segue.

A defesa dos direitos humanos
e do meio-ambiente na Amazônia
é um bem que muitos políticos e
empresários combatem com todos
os meios. Calúnias, difamações
e ameaças de morte são as armas
que eles empregam na tentativa de
calar aqueles que fazem ouvir sua
voz contra as agressões à dignidade
humana.
Contra aqueles e aquelas que
lutam em favor da tão protelada reforma
agrária, contra a destruição
do meio ambiente e o saque das riquezas
naturais, contra um modelo
de desenvolvimento que, sem um
mínimo respeito à pessoa humana
e às comunidades locais, visa somente
os interesses de uma poderosa
oligarquia à procura de lucros
imediatos e fabulosos.

Estou passando por
um Getsêmani
Para mim é um momento especial
de graça, pois foi no Monte das
Oliveiras que Jesus reafirmou sua
fidelidade irrestrita ao Pai e exclamou:
“Pai, se queres, afasta de mim este
cálice! Contudo, não a minha vontade,
mas a tua seja feita“ (Lc 22,42).
Quem está ao meu lado é o Povo
de Deus do Xingu, gente simples,
humilde, carinhosa, que me conhece
há décadas e nunca duvidou do meu
amor a essa terra e do meu empenho
em favor de seu desenvolvimento.
Tive e tenho o privilégio de visitar
o meu povo ao longo dos rios
e igarapés, até os últimos rincões e,
cada vez mais, vejo-o abandonado e
esquecido.
Já sofri com este povo e por este
povo querido. Agora é este mesmo
povo do interior, enviado pelo Pai,
que me conforta e me pede para que
não me deixe intimidar por alguns
exaltados e, muito menos, abandone
o Caminho.
Não me arrependo de nada que
falei nestes tempos e não retiro uma
só palavra! As posições que assumo
foram e são sempre sustentadas pela
oração contínua. Sei que Deus está
comigo!
Continuamos chorando o
assassinato de uma
defensora da Vida
O que inspirou Irmã Dorothy Mae
Stang foi o Evangelho que sempre entendeu
como Boa Nova anunciada aos
pobres e excluídos. Ir. Dorothy viveu
vinte e três anos na Transamazônica
e, em 2005, morreu assassinada
em Anapu, onde testemunhou sua
Fé com a vida e a morte. Sabia que
Deus estava com ela. Na última entrevista
afirmou: “Eu acredito muito
em Deus e sei que ele está comigo! Sei
que eles querem me matar, mas não vou
fugir. Meu lugar é aqui, ao lado dessas
pessoas constantemente humilhadas por
gente que se considera poderosa!”
Muitos enigmas em torno deste
brutal assassinato ainda não foram
desvendados.
Para a nossa maior surpresa,
um dos acusados de ser mandante do
crime, Regivaldo Pereira Galvão, há
poucos dias foi posto em liberdade
por decisão do Supremo Tribunal Federal.
Com isso, os aliados do crime
cantam vitória e se sentem apoiados
pela mais alta corte da Justiça deste
País em sua guerra aberta contra
aqueles que defendem a Amazônia,
os povos indígenas e os pobres colonos
contra as investidas mortíferas
dos saqueadores e falsos proprietários
que semeiam ódio contra quem exige
justiça, a apuração dos fatos e o fim
da impunidade. Quem abre a boca,
corre risco de vida.
Lamentamos a vil destruição
e devastação programada da Amazônia
e a maneira como vem sendo
imposta a construção da Hidrelétrica
Belo Monte.
O projeto Belo Monte parece
ser sacrossanto, intocável, inquestionável.
O ser humano, as famílias, as
comunidades deixam de ser
sujeitos de sua própria história.
Elas não contam, tem
que se calar diante do projeto
planejado e elaborado sem
nunca ter levado em conta os
legítimos anseios da população
local.
Na realidade, os idealizadores
e promotores deste
tipo de projeto estariam bem
mais à vontade se, em pleno
terceiro milênio, esses índios
“da era da pedra lascada”, e
esses ribeirinhos “atrasados e obsoletos”
desaparecessem de uma vez
por todas.
Ai de quem tiver a “petulância” de
pôr em dúvida o projeto e de querer
saber o que realmente foi programado
para a região! É imediatamente taxado
de “inimigo do progresso”, “contrário
ao desenvolvimento”, alguém
que quer “engessar a Amazônia”.
Nos últimos meses e semanas
tornei-me alvo de campanhas
virulentas. Empresários e políticos
declararam guerra contra o bispo
do Xingu e os movimentos sociais.
Gritaram do alto de seus palanques:
“Vamos para a guerra!” e prometeram
“descer o cacete” numa explícita
incitação à violência.

DENUNCIAMOS O ABUSO SEXUAL DE MENORES

Mais uma vez Altamira tornou-
se manchete nos noticiários
nacionais. Junto com as famílias
desta cidade, mulheres
e homens de bem, a juventude,
especialmente a
estudantil, junto com as
lideranças da sociedade
civil, ficamos estarrecidos
por mais uma série de crimes
de abuso sexual de
menores.
Convoquei o povo a
manifestar a solidariedade
com as famílias tão duramente
provadas e disse que
nenhuma família pode mais
considerar-se imune diante
das propostas obscenas a que suas
filhas e seus filhos diariamente estão
expostos.

Insisti ainda que todos os cristãos
participassem mais intensamente da
luta pela moralidade e ética na sociedade,
empenhando-se em favor dos
bons costumes e denunciando todas
e quaisquer infrações que agridem a
dignidade da mulher, da criança e de
toda pessoa humana.
Textualmente declarei: “Sejam
quais forem os criminosos e
tenham eles acentuado poder
político ou financeiro, exigimos
das autoridades judiciárias
que tomem, com máxima
urgência, as medidas necessárias
para elucidar esses crimes
contra a dignidade humana e
prender todos os criminosos
para livrar a sociedade altamirense
desses monstros”.
Como bispo do Xingu,
em nenhum momento podia
silenciar ou omitir-me diante
desses crimes abomináveis
cometidos contra adolescentes. E
a reação de quem foi acusado não
tardou. As ameaças de morte contra
a minha pessoa não são apenas
conseqüência de meu empenho
em favor da Amazônia e da
minha defesa intransigente dos
direitos dos povos indígenas e ribeirinhos,
dos pobres do campo
e da cidade, mas também deste
meu grito contra a imoralidade
e abusos tão estarrecedores de
que foram vítimas as meninas de
Altamira.

PARA REFLETIR E AGIR

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tomada por Dom Erwin?
2. Envie-lhe uma mensagem de
solidariedade.

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