Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Testemunhos de Vida Missionária
Membro do PIME (Pontifício Instituto das Missões Exteriores), Pe. Toninho tem muitas histórias para contar nestes 22 anos de sacerdócio missionário, principalmente porque 19 deles foram vividos na África Ocidental, na Costa do Marfim. Este homem, que por anos se distanciou fisicamente de sua cultura, língua, família e amigos para viver entre pessoas de uma cultura bem diferente da nossa, tem uma história familiar muito próxima da dos nossos jovens que iniciam cedo a vida no trabalho: mesmo diante das dificuldades que uma vida simples oferece, é capaz de se divertir e encontrar alegria nas coisas próprias da juventude. A equipe Missão Jovem, que teve a alegria de sua convivência nestes últimos dois anos, preparou uma entrevista com este homem do povo. Com isso, queremos oferecer um testemunho para outros jovens e também agradecê-lo por sua colaboração e convivência conosco. Entrevista MJ: Pe. Toninho, fale-nos um pouco sobre sua origem, sua família, sua cidade... Toninho: Bom, sou natural de Assis, interior de São Paulo, e faço parte de uma família de 7 irmãos.
Depois me engajei no grupo de jovens, também atuei como catequista, membro da equipe litúrgica e coordenador de CEB (Comunidade Eclesial de Base). Uma dúvida, entretanto, começou a fazer parte da minha vida: Será que não posso ser padre missionário também? Continuei os meus estudos de 2.º grau e me formei técnico em mecânica. Mas o pensamento de ser padre missionário continuava me perseguindo. Tentei desviar o meu pensamento com diversões e passeios com os amigos. Contudo, não conseguia fugir… Sentia que Deus não queria somente uma parte do meu tempo de folga, Ele queria doação total! MJ: A gente percebe pelas suas conversas e pela sua habilidade de lidar com carne que o senhor tem uma intimidade com o assunto. Que história é essa de açougueiro? Toninho: Meu pai, já falecido, era açougueiro. Então em casa todo mundo aprendeu essa profissão. Durante anos trabalhei com o meu pai e meus irmãos num açougue no nosso bairro. Eu gosto muito desta profissão, a tal ponto de até hoje ainda fazer abates de porcos no nosso seminário de filosofia. Um valor eu carrego sempre comigo: nunca perder as minhas origens. MJ: O que levou o senhor a largar a “faca” para pensar no sacerdócio e nas missões? Toninho: É uma longa história de amor… de um amor maior! Como eu morava num bairro pobre de periferia, quando aconteciam os encontros de CEBs, participava nas comunidades mais periféricas e fui vivenciando os seus problemas.
MJ: Depois de ordenado padre, o senhor foi enviado para a Costa do Marfim. Isso não abalou sua opção, pois logo de início já teria que aprender duas novas línguas? Toninho: Fui ordenado padre em 1982 e logo em seguida meus superiores me propuseram ir para as missões na África. Aceitei o desafio com naturalidade, porque tendo optado por ser padre missionário, já tinha assumido as conseqüências desta opção. Desta maneira, as dificuldades iniciais, como viver numa cultura diferente, num clima árido e quente, a aprendizagem das línguas francesa e baulé, não abalaram em nada a minha opção. Pelo contrário, sacramentaram ainda mais a opção feita. Tudo o que se consegue com dificuldades na vida é mais valorizado. MJ: O que mais lhe impressionou junto aos marfinenses? Toninho: Descobri uma outra África, até então desconhecida por nós, pois os meios de comunicação apresentam somente os aspectos negativos de lá: fome, miséria, guerras e doenças. Na convivência de 19 anos com aquele povo, fiquei impressionado com a organização familiar e tribal, com a solidariedade entre os membros da tribo (principalmente no sofrimento e no luto) e na administração do tempo diário, que é partilhado entre o serviço na roça e a convivência na aldeia. O tempo para eles é sinônimo de relação humana. MJ: Voltando desta grande experiência na Costa do Marfim, o senhor veio para o Missão Jovem. Após dois anos trabalhando com esta equipe, o que o senhor leva daqui? Toninho: Neste tempo que convivi aqui em Florianópolis, sempre procurei ser um “embaixador” da cultura tradicional africana junto às forças vivas da Igreja, através de escritos, diálogos e palestras. Enalteço a equipe do Jornal Missão Jovem, pelo excelente subsídio que oferece às lideranças, catequistas e grupos de jovens, difundindo o espírito missionário aqui e alémfronteiras. MJ: Para encerrarmos, gostaríamos que o senhor contasse a novidade para os nossos assinantes, pois daqui para frente o senhor passa a ver a missão sob outra ótica. Agora, mais do que antes, como planejamento. Toninho: Fui eleito pelos padres do PIME para ser o novo superior regional aqui no sul do Brasil, região que abrange os estados de Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo. A partir de setembro terei como residência a capital paulista.
Na verdade, é uma atividade burocrática, mas certamente terei a oportunidade de estar com o povo, nas paróquias e centros de animação missionária e social que o PIME administra. Este é meu desejo. NÓS AGRADECEMOS A história do Pe. Toninho mostra que não importa a classe social ou qualquer outro fator para que um jovem exerça com empenho sua missionariedade. Seja na própria comunidade, numa missão além-fronteiras ou dentro de um instituto missionário, o importante é dizer “sim”, arregaçar as mangas e servir ao Reino de Deus. A Equipe Missão Jovem, em nome de todos os assinantes, agradece a disponibilidade e o testemunho de vida do Pe. Toninho. Temos certeza de que o senhor desempenhará esta nova função dentro do PIME com o mesmo entusiasmo e ardor missionário com os quais serviu as Missões na África. Equipe de Redação |
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