Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Testemunhos de Vida Missionária
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Estou falando do missionário Pe. Luís Pinos, recentemente falecido na cidade de Rajshahi (Bangaladesh), com 80 anos. Quando e onde o conheci? O primeiro encontro foi quando era seminarista, ao ler os artigos que ele escrevia para a revista Itália Missionária. Quando lia seus artigos, tinha a sensação de estar viajando com ele na carroça, ou embarcando no trem cheio de pessoas, mercadorias e até de animais. 13 ANOS Logo simpatizei com ele. Depois da ordenação sacerdotal, tive a oportunidade de encontrá-lo pessoalmente e o convidava freqüentemente para contar sua experiência missionária aos jovens e adolescentes. Ele começava sempre assim: Fiquei 13 anos em Andherkota, 13 anos em Bompara e 13 anos entre os Kotrios do norte do Bengala. Talvez os números fossem arredondados, mas surtiam seu efeito, junto com sua mímica e seu entusiasmo. Seu jeito de narrar e de se comover eram os ingredientes que, bem integrados, encantavam os ouvintes por mais de uma hora. Como conclusão, não podia faltar a sua alegre declaração de querer voltar ao Bangladesh, o que veio a acontecer quando Pe. Luís já estava com a idade de 76 anos. A MISSÃO Ao chegar novamente na missão, teve a enorme satisfação de participar da ordenação sacerdotal do primeiro padre bengalês do PIME (Pontifício Instituto das Missões). Animado por ver a Igreja local crescendo e se organizando, recebeu do superior a destinação para trabalhar na Paróquia de Mirpur. Os cinco meses vividos com ele foram para mim uma grande graça. O que lembro dele? Lembro de seu semblante alegre, seu sorriso cativante e sua barriga que pulava quando dava suas belas risadas sonoras. Pe. Luís era capaz de ver sempre o positivo nos acontecimentos e decifrar alguma situação espinhenta. Em seu testamento escreveu: Apesar das dificuldades, minha vida foi de muita alegria. Pe. Luís era brincalhão. Brincava até sobre si mesmo! COMO ELE REZAVA! Lembro do seu modo de rezar, e como rezava! Agora que cheguei à velhice, só me resta rezar! Rezava sempre: durante as suas caminhadas, pela manhã e pela tarde, aconselhadas pelo médico. Na Igreja rezava o rosário completo, um pela manhã e outro pela tarde. Lembro de seus contos: como conhecia histórias! Não havia retiro ou homilia que não começasse ou terminasse com uma história de vida vivida.
E não perdia uma oportunidade de se atualizar e ampliar seus conhecimentos, recortando artigos com comentários sobre os mais diferentes temas que achava úteis à sua pregação. Seu grande desejo era que houvesse um santo bengalês, mas, aguardando este evento, não se cansava de contar a vida dos santos da Ásia e a de tantos catequistas e pessoas simples do povo bengalês. Pe. Luís fazia isso para estimular a todos a buscarem o caminho da santidade. A santidade é para todos, repetia freqüentemente. Era de uma grande humildade. Embora soubesse tantas coisas, com simplicidade, se preocupava em colocar o ouvinte à vontade e, com muita tranqüilidade e clareza, fazia suas reflexões sábias e encantadoras. Desconsiderava honras e privilégios. Lemos em seu testamento: Se morrer em missão, não me enterrem na igreja, mas no cemitério junto com o povo. GENEROSIDADE Não havia pessoa que saísse de sua casa de mãos vazias. Sempre ele repetia: É melhor errar na abundância do que na penúria. Sua disponibilidade para os empenhos pastorais não tinha limites. Já não tendo um trabalho fixo de vigário, nos últimos anos, como um jovem, andou por todo o Bangladesh, viajando de todos os meios possíveis. Celebrar, confessar e pregar o enchiam de alegria. Às vezes fazia até mais de 100 quilômetros só para uma pregação. Em seu diário, intitulado significativamente O último capítulo, em 6-5-2001, está escrito: Sinto-me mal, mas não consigo dizer não a quem me pede uma ajuda pastoral. A quem o aconselhava a descansar, Pe. Luís dizia: O padre foi ordenado para benzer, consagrar e pregar, não para ser colocado debaixo de uma redoma de vidro... asfixiando. Morreu como queria, na plenitude da atividade pastoral. Sobre sua mesinha encontrei a homilia pronta para a festa do Sagrado Coração de Jesus, que deveria pronunciar nas igrejas de Dingatuba e de Rajshasi. Concluo com um pensamento que li em seu diário: Meus co-irmãos estrangeiros e nativos estão muito ativos na construção das casas de Deus. É uma enorme alegria ser ajudante deles. Senhor, não me pesa, Tu sabes, morrer no trabalho. Pe. João Paulo Gualzetti FICHA TÉCNICA
BANGLADESH O país localiza-se no centro-sul da Ásia. A baixa altitude de seu território, que está a menos de 10 metros acima do nível do mar, faz com que o solo seja fertilizado pelos rios da região nos períodos de cheias. Infelizmente, freqüentes inundações provocam enormes prejuízos e mortes. O país está entre os mais densamente povoados do mundo: 900 habitantes por Km2. A taxa de urbanização é uma das menores do sul da Ásia, mas o povoamento rural é muito denso. Numerosas aldeias se sucedem sem interrupção ao longo das estradas. A população, em sua grande maioria, é muçulmana, mas há também um grupo numeroso de hinduístas. As relações entre as duas comunidades são pacíficas. Nas planícies alagadas produzem-se arroz e metade da juta do mundo. As exportações aumentaram, embora o país continue dependente da ajuda econômica externa. A taxa de analfabetismo é superior a 60%, e as condições sanitárias estão entre as piores da Ásia. Devido às campanhas de controle da natalidade, o crescimento populacional está diminuindo. |
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