Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Testemunhos de Vida Missionária

COMO FAZER MISSÃO?

Não menos destacada foi a preocupação do Pe. Paulo com a maneira da Igreja e do missionário evangelizar nos territórios de missão. Durante o período em que foi Superior Geral do PIME, Pe. Paulo teve a oportunidade de realizar longas viagens em visita às missões do Instituto.

Atento às diversas situações, Pe. Paulo colhe motivações para louvar o sacrifício dos missionários, mas, ao mesmo tempo, não poupa críticas que tinham, como única finalidade, um mais adequado trabalho para construir o Reino de Deus. Enquanto admirava catedrais, colégios, hospitais, asilos e obras maravilhosas que tantos missionários, com enormes sacrifícios haviam realizado, ao seu espírito crítico se apresentava uma amarga pergunta: Será que, ao se realizar uma obra suntuosa, que muitas vezes os governos poderiam realizar, está sendo apresentado o vulto do verdadeiro Cristo pobre e crucificado?

Observando a grande desproporção entre o número dos missionários e os milhões de pessoas que esperavam o anúncio da Boa Nova, Pe. Paulo levantou o problema da formação do clero indígena. Entre as dificuldades que aponta, afirma que o problema não é a falta de vocações, e sim aquilo que se exige dos candidatos.

Julga errado arrancá-los de sua comunidade de origem para formá-los em seminários fechados. Errado mandá-los estudar em Roma, onde acabarão perdendo a sua cultura tão necessária para trabalhar com seu povo. Também, pensa Pe. Manna, este clero deve ser tão numeroso a ponto de atender às necessidades das comunidades em crescimento. Não fazia assim São Paulo? Na medida em que fundava comunidades, encontrava logo alguém a quem confiá-las.

Pe. Manna relata que, estando em visita à catedral de Kaifeng, na China, o bispo diocesano, indicando o zelador, disse: Veja, pudesse eu sagrar padre aquele velho. Ele me converteria mais gente do que tantos missionários. Pe. Manna logo pensou no escândalo que aquilo daria: Sem latim? Sem grego? Sem filosofia? Sem celibato? E concluía: E se com latim, grego, celibato continuarmos a guardar trancadas as portas do céu, quem é que ganha?

Eram idéias, sem dúvidas, por demais atrevidas. Muitos dirão que isso apresenta um perigo muito grande, e eu digo que, se há perigo, precisamos enfrentá-lo. É mais fácil errarmos apoiando-nos nas muletas do nosso ocidentalismo, do que seguindo as vias marcadas pelo Evangelho.

Muitas das intuições do Novo Bem-Aventurado foram refletidas no Concílio Vaticano II.

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