Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Testemunhos de Vida Missionária

UMA VIDA PELA MISSÃO

“Pe. Manna foi uma das maiores figuras missionárias e artífice do movimento da renovação missionária dos nossos tempos”. (Paulo VI)

Pe. Paulo Manna nasceu em Avellino (Itália), aos 16 de janeiro de 1872. Depois de ter completado o colegial, entrou na congregação dos Salvatorianos e começou seus estudos filosóficos na Universidade Gregoriana, em Roma.

Chegou a emitir os três votos mas, progressivamente, o jovem religioso foi percebendo que aquela vida não combinava com a sua índole. Tornar-se missionário: essa era a aspiração que se tornava cada vez mais forte nos seus sonhos de jovem.

Nesse período teve a oportunidade de conhecer o PIME (Pontifício Instituto das Missões). No PIME, Paulo encontra o ambiente sonhado. Em seu quarto, ele mesmo pinta um grande mapa da Ásia, para ter sempre presente seu futuro campo de trabalho missionário.

Durante o último ano de teologia, Paulo recebe a tarefa de traduzir do francês a Revista Les Missions Catholiques. É nesse trabalho de tradução e redação que foi descobrindo também sua vocação de jornalista e escritor.

MISSIONÁRIO FALIDO?

Finalmente chega a sua destinação: Birmânia. Paulo sente-se missionário de verdade e começa seu trabalho de evangelização. Em sua primeira carta, de Toungoo, escreve: Meu único desejo é santificar a mim mesmo e conquistar muitas almas... portanto, tenho certeza de que o Senhor não irá me negar sua ajuda.


Pe. Aldo Vinci, curado pela intercessão do Bem Aven-turado Pe. Paulo Manna

Momblô foi seu lugar da missão. Naquela comunidade forma cristãos, defende os pobres, trata dos doentes e chega a escrever um catecismo na língua guekhu. Provou a dureza das viagens pelos montes e florestas, onde havia muitas feras e sanguessugas. Numa de suas cartas escreveu: Vou me acostumando.

Pe. Paulo nunca gostou de criar comunidades dependentes do exterior: uma verdadeira Igreja deve ter o orgulho de ser auto-suficiente. Os pedidos de novas comunidades, que queriam sua visita, feriam seu coração. Como se negar? Daí a sua insistência para que houvesse mais missionários.

Mas, em 1901, Pe. Paulo teve que voltar para a Itália: o corpo não agüentou as fadigas e doenças que abalaram sua saúde. Voltou à Birmânia mais duas vezes. Em vão! A sua teimosia missionária não venceu e retornou definitivamente para a Itália. Ele se considera um missionário falido: Aos 35 anos vejo acabadas todas as minhas esperanças e projetos!

ANIMADOR MISSIONÁRIO

Pe. Paulo não imaginava o grande destino que o esperava. A Providência tinha outros projetos para este missionário: fazer dele um animador missionário, sobretudo através da imprensa. A revista Les Missions Catholiques tornou-se seu cavalo de batalha.

Reanimar o povo, levá-lo a assumir suas responsabilidades missionárias, apoiar espiritual e economicamente as missões, lançar apelos vocacionais aos jovens... esta foi a preocupação e o objetivo de seus artigos.

Como gostaria - repetia - que os nossos católicos fossem tão entusiastas pela causa missionária quanto o são os nossos irmãos protestantes!

Em 1909 escreveu o livro Os operários são poucos. Foi um livro de uma provocação missionária fortíssima. Uma chama - como afirmou alguém - que cai na palha seca.

Muitos missionários, inclusive eu, Pe. Paulo De Coppi, atribuem a este livro a motivação inicial de sua vocação. Em vários seminários, pelo seu poder de conquistar os seminaristas diocesanos para a causa missionária, foi considerado um livro proibido.

CONTAGIANDO A TODOS

Propaganda Missionária foi outro jornal mais popular que Pe. Paulo lançou em 1914 e que, depois de um ano, já havia alcançado a tiragem de 100 mil exemplares.

Nele, Pe. Paulo se dirigiu às várias categorias:

• Aos sacerdotes: ...em cujas mãos, sem exagero, podemos afirmar que está a solução do problema missionário. Para isso, ele funda a União Missionária do Clero e dos religiosos (PUM), que está presente no mundo inteiro e que tem a finalidade de alimentar o espírito missionário de padres e seminaristas, religiosos e religiosas, despertando, através deles, a co-responsabilidade missionária universal em todo o povo de Deus.

• Aos leigos católicos: ...são a parte mais forte, mais ativa, mais inteligente da Igreja.

• Às Mulheres: ...são sempre invencíveis quanto ao zelo e conseguem, muitas vezes, o que os homens não conseguem.

• Às Religiosas: ...poderiam transformar seus colégios em grandes centros de animação missionária.

• Aos Jovens: ...são a grande esperança missionária! Precisamos acender neles a fé e o amor pela nobre causa missionária.

Pe. Paulo, já naquele tempo, acreditava no que afirma a encíclica Redemptoris Missio: Os Meios de Comunicação são o primeiro areópago dos tempos modernos. Eles alcançaram tamanha importância que são, para muitos, o principal instrumento de informação e formação, de guia e inspiração dos comportamentos individuais, familiares e sociais (RMi 22).

Os Meios de Comunicação constituem, sem dúvida, um grande meio para a difusão da idéia missionária. Eles fazem conhecer a vida das igrejas, a palavra e a experiência dos missionários.

Sem dúvida, Pe. Manna alimentou na Igreja um novo ardor missionário. Sua beatificação, no dia 4 de novembro, foi um reconhecimento deste trabalho.

Pe. Paulo De Coppi

PARA REFLETIR:

1. Qual a mensagem do Pe. Manna à Igreja de hoje?

2. Você conhece e lê as revistas e jornais missionários existentes no Brasil?

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