Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Voluntarios

Com a proclamação do Ano Internacional do Voluntariado, a ONU quer promover esse valor dentro da sociedade e apoiar a ação dos voluntários empenhados nos mais diversos campos. Os eventos programados em vista de uma maior promoção e apoio ao voluntariado foram oficialmente abertos no dia 5 de Dezembro, dia mundial do voluntariado.

O novo milênio começou com uma proposta muito interessante:
o voluntariado. Mas, qual seria o objetivo de tanto destaque? A explicação é dada por Sharon Capeling Alakija, coordenadora executiva do programa Voluntário das Nações Unidas:
“Porque o serviço voluntário é uma dimensão comum a todas as civilizações e a todas as sociedades. Queremos, portanto, mostrar ao mundo inteiro o quanto seríamos todos mais pobres se viesse a faltar o dom das tantas pessoas que oferecem o próprio tempo livre e a própria capacidade para ajudar os outros. São milhões as pessoas que hoje unem as próprias forças para mudar o mundo”.

As Nações Unidas reconhecem a indispensável ajuda dos voluntários para enfrentar desastres e calamidades, poluição e degrado ambiental, drogas, Aids, pobreza, subdesenvolvimento...

No entanto, mesmo que a contribuição dos voluntários ao desenvolvimento das sociedades seja considerável, na maioria das vezes, fica desconhecida ao grande público.

A concretização, portanto, do ano internacional do voluntariado tem sobretudo estes objetivos: reconhecer, promover, encorajar e pôr em evidência as contribuições dos voluntários que visam construir uma sociedade mais justa e fraterna.

O impacto que o voluntariado tem sobre o bem- estar e o progresso das nações é muito grande, sem considerar aquele que, sem dúvida, é o maior de todos os efeitos:
ajudar as pessoas a vencer o egoísmo e a se abrirem, gratuitamente, às necessidades dos mais pobres do mundo.

Um bom número de países já têm uma forte tradição de voluntariado, todavia, num mundo em que as pessoas são tentadas a se fechar no individualismo, também este valor pode entrar em crise. Bem-vindo, portanto, o AIV 2001. Torcemos para que ele atinja seu objetivo.

Relatórios e estatísticas mostram que o voluntariado, atividade chamada de Terceiro Setor, está assumindo dimensões sempre maiores, tanto no aspecto quantitativo quanto qualitativo.

Para que o voluntariado chegue a surtir efeitos positivos ainda maiores, o crescimento numérico dos voluntários deve ser acompanhado de uma progressiva qualificação sob o ponto de vista das motivações, dos conhecimentos e da capacidade de trabalho:
somente um voluntariado cada vez mais consciente do próprio papel poderá realmente gerenciar os objetivos a que se propõe e que lhe são confiados pela evolução da sociedade.

Nesse sentido, um convite especial é feito aos voluntários: integrem cada vez mais seu trabalho aos acontecimentos sócio-culturais, políticos e econômicos para serem capazes de projetar e construir uma sociedade solidária, vencendo a indiferença, a marginalidade e a intolerância ainda muito presentes nas sociedades.

Existem, basicamente, dois tipos de voluntariado.

De um lado existe a ação voluntária mais conhecida e consolidada de quem trabalha para combater antigas e novas formas de pobreza, tentando ajudar os que estão mais excluídos na sociedade.

Por outro lado está surgindo o voluntariado cívico, com iniciativas voltadas para aumentar o nível de consciência e de participação dos cidadãos em vários campos:
cultural, educacional, ecológico, na cooperação internacional, etc.

Percebe-se que o empenho voluntário começa a ter uma identidade. Não existe mais somente a ação em favor dos outros através de recursos dedicados a projetos e iniciativas. Existe agora um ponto muito importante:
a busca de uma coerência pessoal, de um estilo de vida essencial, a exigência de abertura e partilha... O voluntariado se torna uma parte integrante do próprio modo de ser e de colocar-se no mundo.

O ser voluntário parte quase sempre de um impulso emocional, da necessidade e da vontade de ajudar alguém em dificuldade. Torna-se, depois, uma ocupação, às vezes um trabalho mesmo.

Por isso, o trabalho voluntário deve ser uma experiência alegre, divertida, prazerosa, gratificante e não uma imposição maçante, triste.

O Voluntariado é via de mão dupla: o voluntário doa e recebe. Ele doa seu tempo e talento, mas recebe o contato humano, a convivência com pessoas diferentes, muitas oportunidades de viver outras situações e experiências, aprendendo coisas novas, além da satisfação de se sentir útil. No voluntariado todos ganham: o voluntário, os grupos atendidos pelo trabalho voluntário e a própria comunidade.

Durante todo o ano de 2001, serão desenvolvidas atividades seguindo o calendário temático.
Este calendário serve como base para todos os centro de voluntariados e instituições sociais para projetar seus eventos mensais
Janeiro ....................... Cultura e arte
Fevereiro ....................Terceira Idade
Março ......................... Esporte e Lazer
Abril ............................ Saúde
Maio ........................... Educação
Junho .......................... Meio Ambiente
Julho ....................... Jovens
Agosto .................... Pessoas Deficientes
Setembro ................ Defesa dos direitos
Outubro .................. Infância
Novembro .............. Solidariedade
Dezembro .............. Cidadania
Para informações sobre o A.I.V. no Brasil contate:
Riovoluntário
Rua Santa Luzia n.º 735 - sala n.º 1201
20.030-040 - Rio de Janeiro - RJ
Fone:/Fax: (21) 262-1110 - (21) 533-8844
E-mail: voluntario@alternex.com.br
http: www.riovoluntario.org.br/
Centro de Voluntariado de São Paulo
Av. Paulista n.º 1313 - sala n.º 110
01311-200 - São Paulo - SP
Fone: 0XX (11) 287-0069
E-mail: milu@itau.com.br
http: www.voluntariado.org.br

O Voluntariado não é uma atividade fria, racional, impessoal. É uma relação humana, rica e solidária. O sentimento de estar sendo útil a alguém é uma motivação fortíssima para o envolvimento, por exemplo, de segmentos como: as pessoas idosas, os aposentados, os deficientes físicos e outros grupos muitas vezes desvalorizados por parcelas da sociedade.

O voluntário não compete com o trabalho remunerado e nem com a ação do Estado. Sua função não é tapar buracos, nem apenas compensar carências. Por isso mesmo, e contrariando a opinião de certas pessoas e entidades, o voluntariado é uma ação duradoura e com qualidade.

Constata-se que, em relação ao passado, está aumentando o número de jovens empenhados na ação voluntária, fato este que leva a repensar os juízos negativos sobre as novas gerações.

Se existem jovens que vivem de relacionamentos superficiais, existem outros jovens que procuram viver de maneira mais profunda as experiências cotidianas, com responsabilidade social, empenhando-se para modificar as situações. Entre estes estão os que se dedicam ao voluntariado.

O que os leva a este empenho?

Os jovens sensíveis às questões sociais são, geralmente, pessoas desencantadas com a capacidade do Estado de modificar o atual sistema social. Por isso, sentem a exigência de oferecer a própria ajuda a iniciativas sociais que contribuam para reduzir as desigualdades e garantir, aos mais fracos, condições adequadas de vida.

Além disso, na maioria dos casos, os jovens consideram o voluntariado uma importante ocasião de crescimento pessoal e social.

É importante salientar que não existem somente aqueles que se empenham a favor dos outros por razões de fé. Embora a experiência mostre que a fé é uma marcha a mais no voluntariado e garantia de perseverança, percebe-se que está crescendo também o voluntariado promovido por organizações populares, associações de promoção social, de participação popular e outras instituições, inclusive empresas.

O voluntário é uma pessoa criativa, decidida, solidária. No trabalho voluntário, não há monopólios; não há hierarquia de prioridades; não é preciso pedir licença a alguém para começar a agir. Quem quer, vai e faz.

Alguns voluntários são capazes de identificar um problema, arregaçar as mangas e agir individualmente. Outros, preferem atuar em grupos de vizinhos, de amigos, de estudantes ou aposentados, de colegas de trabalho que se mobilizam para ajudar pessoas e comunidades. Por vezes, é uma instituição inteira que se mobiliza, seja ela um clube, uma igreja, uma entidade beneficente ou uma empresa.

Todos podem participar, todos têm algo a contribuir. É preciso superar a idéia de que só quem é “especialista” em alguma coisa pode ser voluntário. Na verdade, um bom número de profissionais prefere fazer trabalho voluntário em áreas fora de sua competência específica, exatamente para se abrir a novas experiências e vivências.

As formas de ação voluntária são tão variadas quanto as necessidades da comunidade e a criatividade do voluntário. Por isso, cada pessoa pode ser voluntária a seu modo e com aquilo que sabe fazer ou pode aprender. Alguns têm mais tempo livre; outros, só dispõem de algumas poucas horas por semana. Alguns sabem exatamente onde ou com quem querem trabalhar; outros estão prontos a ajudar no que for preciso, onde a necessidade é mais urgente.

O trabalho voluntário tem crescido principalmente no chamado Terceiro Setor (formado pelas organizações não-governamentais), que responde por 1,5% do PIB nacional e conta com o esforço de 1,5 milhão de brasileiros, de acordo com o último levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Tradicionalmente, no Brasil, o voluntariado está concentrado mais na área da saúde e no atendimento a pessoas carentes. Precisamos crescer mais em áreas como educação, atividades esportivas e culturais, proteção do meio ambiente, etc. Cada necessidade social é uma oportunidade de ação voluntária. Basta olhar em volta e dar o primeiro passo.

Para participar do Ano Internacional do Voluntariado e apoiar suas atividades, surgiram dois comitês:
o do Instituto Brasileiro de Voluntários e um Comitê Nacional. Deles fazem parte outras entidades como a Pastoral da Criança, SOS Mata Atlântida, Grupo Pela Vida, etc.

Ernesta Ganzo Fernandez

1.º Você acha importante dedicar um tempo de sua vida ao voluntariado? Por quê?

2.º O Voluntariado pode ajudar a melhorar a qualidade de vida das pessoas? De que maneira?

3.º Você já exerceu ou gostaria de exercer um trabalho voluntário?

4.º Que tal você, individualmente ou com seu grupo, planejar, neste ano, algo significativo neste campo, em sua comunidade ou em outras mais carentes?

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