| POR QUE ANUNCIAR O EVANGELHO? (1Ts.2,1-4)
Sergio Bradanini
Bem sabeis, irmãos, que não foi inútil o nosso
encontro convosco.
Sabeis que sofremos e fomos insultados em Filipos. Decidimos, contudo,
confiados em nosso Deus, anunciar de vocês o evangelho de Deus,
no meio de grandes lutas. Pois a nossa exortação nada tem
de intenções enganosas, de motivos espúrios nem de
astúcias. Uma vez que Deus nos achou dignos de confiar-vos o evangelho,
não para agradar aos homens, mas a Deus, que perscruta o nosso
coração.
O anúncio cristão, para ser autêntico, exige da parte
dos mensageiros condições e comportamentos adequados. O
apóstolo Paulo apresenta as intenções e atitudes
inerentes à missão, em 1Ts.2,1-12. Dentro da nossa perspectiva,
podemos fixar a nossa atenção sobre os primeiros elementos
que o texto apresenta (1Ts.2,1-4).
Antes de mais nada, no pano de fundo, está evidente a importância
do encontro (não foi inútil) entre os missionários
e a comunidade, qualificado por relações fraternas (irmãos).O
texto deixa claro que não é possível esquecer que
esta é a condição fundamental que "faz nascer
a comunidade cristã" (cfr.1,9-10).
Em segundo lugar, Paulo mostra que o fato de anunciar o Evangelho não
tem êxito garantido, aliás, pelo contrário, na maioria
das vezes isso comporta uma série de dificuldades. Naturalmente,
estas existem em qualquer lugar, mas na atividade apostólica elas
existem sempre. Desde a fundação da primeira comunidade
cristã na Macedônia, Paulo e seus companheiros "sofreram"
e "foram insultados" em Filipos (cf. At.16,16-20). No entanto,
nenhuma dificuldade impede o caminho dos missionários. Podemos
perguntar : "Onde eles encontram o impulso, a ousadia e, ao mesmo
tempo, a "segurança" para continuarem nesta árdua
e difícil tarefa de anunciar o Evangelho de Deus?"(2,2).
"Encontramos a segurança em nosso Deus", afirma Paulo
sem hesitações! Este é, de fato, o ponto de referência
fundamental de todo missionário para poder proclamar o Evangelho
que funda comunidades fraternas "no meio de grandes lutas".
Em outros termos, temos aqui duas atitudes necessárias para o bom
desempenho da missão: em primeiro lugar, é preciso ter consciência
de ser enviado por Deus, e em segundo lugar, é necessário
ter coragem de crer na própria missão, pois esta coragem
está alicerçada na certeza da presença e da ação
divina que acompanha os missionários. É preciso constatar
que nem ontem nem hoje, nenhum "marketeiro" pago para realizar
esta tarefa poderia encontrar tamanha coragem e força!
Logo em seguida (2,3-4), Paulo sintetiza a atividade missionária
usando a expressão "nossa exortação". Trata-se,
ao mesmo tempo, da proclamação do Evangelho e das exigências
éticas que daí decorrem. Os motivos que estão na
base de toda pregação devem ser simples e diretos, sem artifícios
nem segundas intenções. A "exortação
apostólica" é qualificada negativamente: "nada
tem de intenções enganosas" nem "de motivos espúrios",
ou seja, de "astúcias" (2,3).
A partir disso, o texto deixa claro que a pregação do Evangelho
não pode ser identificada com nenhuma "nova doutrina",
com a finalidade de arrebanhar novos fregueses, oferecendo-lhes vantagens;
não pode também fazer concessões para ter uma acolhida
mais agradável junto aos destinatários; nem pode usar de
todo tipo de habilidades e truques para capturar a atenção
dos ouvintes. Não! O anúncio cristão não é
uma imposição, mas uma proposta de vida que deve sempre
deixar a pessoa livre para aderir ou não.
Finalmente, encontramos o motivo fundamental que revela as intenções
da proclamação do Evangelho: "não para agradar
os homens, mas a Deus que perscruta o nosso coração"
(2,4) As dificuldades e os sofrimentos dos mensageiros do Evangelho de
Deus, de certa forma, tornam-se uma garantia da autenticidade do anúncio
cristão, pois exatamente neste sentido os missionários levam
adiante a mesma missão de Jesus. De fato, se Jesus tivesse vindo
para agradar a todos, não teria sido crucificado...
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