Revista "MUNDO e MISSÃO"
Atualidades no Mundo - África
| Do Quênia com amor
Dario Paladini "Sorrir apesar de todas as dificuldades". Essa é a lição que o casal Nádia e João Todeschini aprenderam durante suas permanências como voluntários no Quênia. Atualmente voltaram para Itália, por causa do nascimento do filho, mas já planejam a volta Os africano nos ensinaram a viver com os outros: a hospitalidade, a serenidade
baseada na confiança em Deus, a paciência e o respeito aos
outros. Os nossos mestres foram as mães abandonadas pelos maridos
nas favelas de Nairobi, os jovens nubas vítimas da guerra, os meninos
de rua e as pessoas que, apesar da extrema pobreza e precariedade, sempre
têm um sorriso nos lábios". Por que decidiram ir para o Quênia? Nádia: É o resultado de uma caminhada que eu e João fizemos como casal. Há muito tempo, participávamos de um grupo de jovens na paróquia e, aos vinte anos, procurávamos um "compromisso" comum que nos entusiasmasse. Ficamos envolvidos com o grupo missionário paroquial e, em 1993, fomos visitar um amigo missionário no então Zaire. Em seguida, encontramos pe. Kizito e a comunidade Koinonia no Quênia. Encantados pelo estilo daqueles jovens, começamos a projetar com eles a nossa presença em Nairobi. Como é a vida em Nairobi? A Igreja italiana promoveu uma campanha para a redução da dívida externa dos países mais pobres. Qual a situação do Quênia? João: O governo do Quênia não tem condições de prestar nenhum serviço gratuitamente; os fundos devem ser utilizados para pagar os bancos internacionais. No Kenyatta Hospital, o hospital público, não se encontra nada gratuito e é mais fácil adoecer lá que sarar. Os nossos meninos freqüentam as escolas públicas, porém pagas, e as mensalidades estão além das possibilidades da maioria das famílias. Quais os aspectos da Igreja no Quênia que mais os impressionaram? Nádia: É uma Igreja pobre de meios, mas ricas de idéias e muito disponível para atender o mundo em que está inserida. Os leigos têm um papel importante nas comunidades. Parece-nos que a parte mais fraca dessa Igreja esteja na formação do clero, estruturada sobre modelos pouco africanos, que chegam a tirar a pessoa das suas tradições. João, você foi aos montes nubas no Sudão? João: Eu vivi aquela viagem como uma romaria pessoal, jubilar.
Conheci uma parte da África que, apesar das vicissitudes e acontecimentos
históricos, ainda conservaram as tradições e culturas.
Os nubas são amigáveis e cordiais por natureza. A hospitalidade
é vivida numa dimensão dificilmente imaginável para
um ocidental, mas a serenidade com que enfrentam a vida é o verdadeiro
tesouro daquelas populações. Hábeis cultivadores,
foram obrigados a recorrer às armas para se defender do genocídio
promovido pelo governo integralista de Cartum. Os catequistas falam de
prisões, torturas, escravidão, violência contra mulheres
e crianças e muitas mortes. Nas palavras deles, porém, não
se encontram ódio ou desejo de vingança; eles dizem apenas
que foram obrigados a se defender, do contrário teriam sido aniquilados.
Aí entendi o grande dom de uma paz justa. Um dia vocês voltarão para a Itália? Nadia: A felicidade pode ser uma boa medida para entender se as escolhas
feitas respeitam o projeto de Deus. Em Kivuli, somos muito felizes. Logo
que nossa criança puder entender, irá conosco para conhecer
as crianças de Nairobi. Depois voltaremos para a Itália
e tentaremos implantar aqui um pouco da África. Para acessar a página de Kizito na internet: www.peacelinnk.it/afrinews.html |
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