Revista "MUNDO e MISSÃO"

Atualidades no Mundo - África

Na reunião do Canadá em junho de 2002, foi aprovado um novo plano que prevê ajudas para o continente negro. O plano articula-se em três pontos: a criação de uma força de paz, até 2003, para coibir conflitos locais; a promessa de debelar a poliomielite até 2005; ajuda para que as exportações africanas consigam espaço no mercado mundial, diminuindo as barreiras e os subsídios agrícolas dos grandes paises exportadores.

Como disse o premier inglês, Tony Blair: "Ajudar a África, para que ela ajude a si mesma". O G8, porém, não conseguiu chegar a um acordo sobre os 12 bilhões de dólares prometidos, no ano passado, na Conferência de Monterey e até agora não entregues. Talvez, sejam apenas 6 bilhões.

"Este será o século para resgatar a África, - declarou, eufemisticamente, o premier italiano, Silvio Berlusconi - o século que colocará a África em condições de não ser mais o continente de pessoas que vivem em condições subumanas, mas que se tornará capaz de desenvolver seu bem-estar"

G8 E AS PROMESSAS TRAÍDAS

O G8: ALGO SE MOVE

Os países do G8 aprovaram um plano de ação para a África negra, martirizada pela pobreza, fome e doença. O plano articula-se em diferentes setores, desde o comércio internacional à saúde, à educa~ão e novas tecnologias.

Os Iíderes dos países industrializados prometeram destinar a metade do total das ajudas de cada país do Terceiro Mundo, o que significa 12 bilhões de dólares, para a África. Estabeleceu-se também que mais um bilhão de dólares ao ano, por seis anos, seria destinado a aliviar a dívida internacional de paises africanos, beneficiando diretamente 22 nações.

Em troca das reformas previstas pelo plano Nepad, os paises ricos prometeram uma significativa ajuda, a longo prazo, para desenvolver o comércio no continente africano e conter as guerras que o afligem.

Apesar das ufanísticas promessas feitas pelo G8 no Canadá, houve um protesto geral de Ongs e de entidades assistenciais, religiosas e leigas, pela fraquíssima intervenção decisiva das potências industrializadas em favor da África.

O G8 prometeu uma ajuda suplementar de 6 bilhões de dólares (um quarto dos 24 bilhões de dólares que foram pedidos), mas esses serão transferidos para a África somente em 2006, sob rígidas condições, como a passagem para a democracia de mercado, reformas na saúde pública e na educação. Muito pouca ajuda para uma população de 800 miIhões, sendo que 13 milhões estão dramaticamente ameaçados pela fome. O continente está reduzido ao desespero por falta de água e de infra-estrutura sanitária.

Apesar da triste situação, ainda há governantes de vários países africanos que mantêm o otimismo, como o presidente do Senegal que declarou ter todas as razões para manter a esperança de que as coisas vão mudar. Esse otimismo não é compartilhado pelo secretário geral da ONU, Kofí Annan, que adverte para que "não se cultivem excessivas expectatIvas" e se esse encontro do G8 "pode ser o começo de uma guinada histórica, isso dependerá do que vai acontecer" no futuro próximo.

A critica mais contundente ao G8 veio do cantor Bono, do grupo de rock U2, que visitou a África com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos e sugeriu que fossem injetados logo 24 bilhões de dólares, que parecem muitos, mas são poucos, se comparados ao custo da guerra no Afeganistão. Outras ongs denunciaram a reunião do Canadá como a "reciclagem dos antigos esquemas".

Os protestos foram também contra a modesta soma de ó bilhões a ser aplicada até 2006, a recusa de perdoar a dívida dos países africanos mais pobres e de reduzir, já e drasticamente, as barreiras protecionistas que dificultam a exportação de produtos africanos, em particular os agrícolas e os têxteis. O G8 alegou não ter fundos suficientes para bancar essa revolução social da África, mas, ao mesmo tempo, destinou, para os próximos dez anos, 20 bilhões de dólares para desmantelar o obsoleto arsenal atômico, biológico e químico da ex-URSS, e os Estados Unidos prometeram ainda 51 bilhões de dólares em subsídios, nos próximos cinco anos, para a sua própria agricultura.

Tudo isso mostra uma grande ambigüidade de comportamento dos países industrializados. De outro lado, Condolezza Rice, secretária de Segurança Nacional dos Estados Unidos, declarou que "as ajudas são inúteis quando os países, aos quais são destinadas, não são governados na honestidade e na transparência", e de nada serve renegociar as dívidas se os países africanos não fízerem suas próprias refomas, como afimia O'Neill, secretáno do Tesouro americano.

A NOVA UNIÃO AFRICANA QUER ERRADICAR
A POBREZA, A CORRUPÇAO E AS GUERRAS

Em resposta à reuniao do G8, no dia 8 de junho, em Durban, África do Sul, na presença de 40 chefes de países africanos, foram dados os primeiros passos para uma futura União Africana, no estilo da União Européia. As intenções são as melhores, isto é, tirar o continente de décadas de ditaduras sanguinárias, guerras civis e tribais, golpes e contragolpes militares, rapinagem e miséria.

Mas ainda pairam muitas dúvidas sobre o sucesso dessa iniciativa: entre os 40 chefes, havia ditadores e inimigos viscerais entre si, que tentam desestabilizar seus e outros países por vários motivos, inclusive religiosos e raciais. I o caso do ditador da Líbia, Muamar Kadafi, que envia dinheiro a movimentos para implantar o islã em países não islâmicos, mas também de Robert Mugabe, presidente de Zimbábue, que ordenou a retirada dos colonos brancos até o dia 8 de agosto.

Isso já prejudicou a produção agrícola, levando à fome quase 6 milhões de pessoas. Essas incoerências justificam a frase maldosa de um observador presente à cerimônia em Durban, que definiu a União Africana como "uma boa idéia que, com toda certeza, dará errado".

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