Revista "MUNDO e MISSÃO"
Atualidades no Mundo - África
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por Hélio Pedroso por Maurício Blondet Um simples motor diesel de poucos cavalos pode transformar a vida da aldeia, dar mais tempo às mulheres, favorecer a instrução e aumentar a renda familiar Na aldeia de Sanankoro, as mulheres passavam a vida triturando os grãos no pilão, batendo o pesado e enorme socador, acompanhadas pelo ritmo de uma canção. Por milhares de quilômetros ao redor da aldeia Sanankoro, o canto de centenas de mulheres que batiam em seu pilão, de manhã até a tarde, era parte integrante do ambiente africano. Agora mudou. Debaixo de um puxado de palha, há um tosco motor diesel de 10 cavalos que faz funcionar outras máquinas como aquela para descascar o arroz, moer os grãos, puxar água. Em poucos minutos, o motor faz o que as mulheres faziam em horas e horas de pesado trabalho. O mesmo tipo de motor já está instalado em mais de trezentas aldeias de Mali, um dos países mais pobres do mundo, e libertou as mulheres de serviços pesados e cansativos. Agora, as meninas podem freqüentar as escolas, as mães podem dedicar-se a outros serviços caseiros e algumas abriram até uma pequena loja de artesanato e de produtos da própria horta. A contribuição para usar dez minutos do motor diesel custa cerca de um real. Antes da chegada da "nora que não fala", como é chamado o motor, somente 9 mulheres, entre as 460 de Sanankoro, sabiam ler. Hoje, são mais de 40, porque elas têm tempo para ir à escola de alfabetização de adultos. As mulheres decidiram ligar ao motor um gerador elétrico e, pela primeira vez, desde que o mundo existe, as noites escuras das aldeias africanas são iluminadas por uma trêmula luz. Isso permitiu às mulheres algumas horas a mais de trabalho, deu condições para abrir escolas de alfabetização e de corte e costura, atender em melhores condições no ambulatório local, sobretudo os partos. A eletricidade é vendida para os moradores da aldeia. "O motor diesel libertou o espírito empreendedor das mulheres aliviadas das tarefas tradicionais. O poder de decisão sobre o motor é de competência delas", explica Laurent Coche que difundiu os motores e outras máquinas por conta do Undp. São elas que decidem quais máquinas devem ser ligadas ao motor, que podem variar como gerador de luz, bomba d'água, moinho ou um carregador de baterias. O motor com seus acessórios é vendido para as mulheres da aldeia, organizadas em cooperativas, pela metade do seu valor comercial. A outra metade está a cargo do Undp. Em Sanankoro, essa cooperativa de mulheres estabeleceu turnos para supervisionar o funcionamento do motor e cobrar seu uso. Elas recolhem cerca de dez dólares por dia, o que, em Mali, não é nada desprezível. O que está mudando a mentalidade dessas mulheres é a poupança de 280 dólares que estão fazendo para comprar mais acessórios para o motor. Um tosco motor mudou as centenárias tradições africanas e abriu as aldeias ao progresso. O PROJETO O projeto de entregar motores diesel é uma iniciativa da ONU através do Programa para o desenvolvimento humano - Undp - que tem a finalidade de combater a pobreza, melhorar a condição da mulher, prevenir e enfrentar as crises humanitárias, energéticas e ambientais, difundir as tecnologias da comunicação, combater a AIDs, promover a cooperação entre o norte europeu e o sul africano. Prevê, também, o fornecimento, pela metade do preço internacional, de um simples motor diesel que pode ser acoplado a outras máquinas. Foi escolhido o motor diesel por ser mais forte e funcionar com combustíveis pobres, como pó de carvão, óleos de sementes ou óleos já queimados. Tecnologia simples para Entrevista com Jean Faber, Por que o motor diesel? Quais são essas diferentes necessidades? Existem outras tecnologias apropriadas para esses países? Essas tecnologias são simples e mais úteis que a ligação
do continente via satélite à rede mundial... Mas o agricultor do Butão sabe usar a Internet? A África está mais atrasada que a Ásia. É
maior o analfabetismo, a miséria... Na África, sobre três médicos formados, dois emigram para o exterior. O que fazer? Hoje, formamos técnicos que fazem as radiografias e as enviam via Internet a cinco mil quilômetros ou mais, onde há um médico que lê, faz o diagnóstico e o devolve ao técnico para cuidar do paciente. Maiores informações sobre o Undp em www.undp.org |
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