Revista "MUNDO e MISSÃO"

Atualidades no Mundo - Américas

Cindy Sheehan

ecebi este e-mail recentemente. Omiti nomes:

“Cara senhora Sheehan. Quero agradecê-la. O meu primo, 30 anos, de Indiana, foi um dos cinco soldados mortos em 15 de outubro, o famoso ‘Dia da Paz’ no Iraque. Deixa a esposa, dois filhinhos e os parentes. A morte dele e de seus companheiros certamente não fez daquele dia um dia de paz”.

Hoje recebi outro e-mail de uma mãe desesperada:

- “Onde está a minha alma neste meu corpo dilacerado pela dor?

Como posso fechar os olhos e cair no sono, sabendo que, ao acordar, aquilo não foi um pesadelo, mas é minha vida? Como posso fazer isso sem aquele rosto, que me dava mais alegria do que eu merecia, que não posso mais olhar? Como fazer para colocar fim ao grito lancinante que ninguém ouve, a não ser eu mesma? Por favor, diga-me! Como posso viver sem meu filho, sem meu coração, sem nenhuma alegria? Eu te suplico, diga-me! Como faço?”. Ontem, foi a vez de uma mãe cujo filho suicidou-se.

Ele sofria de síndrome pós-traumática, depois de retornar do Iraque:

- “O governador Mitt Romney afirmou que os soldados mortos eram adultos que haviam feito sua escolha.

Pois eu acho que seria melhor dizer que eles foram agressivamente alistados. E a nenhum deles foi explicada a verdade. Meu filho e muitos outros descobriram que haviam cometido um erro enorme. Não consigo deixar de pensar nele. Eu o vejo quando ele tinha onze anos, pulando de alegria. É como se pudesse estender uma mão e tocá-lo. O governo criou-nos um mundo infernal, no qual deveremos continuar pelo resto de nossos dias”. Que vida será destruída hoje? Que família será escolhida ao acaso para sofrer isso?

Muitas pessoas em nosso país, hoje, estão felizmente seguras:

- sua vida não será transtornada por um filho morto em uma guerra sem sentido.


Cada membro do Congresso, e cada um dos que se colocam diante dos microfones para difundir o ódio diariamente, está entre elas. Eles não têm a mais mínima idéia do horror que é deitar-se à noite pensando no próprio filho, ou de ficar dando voltas, com o nó na garganta, sabendo que hoje soldados foram mortos no Iraque, e que o teu filho está lá. George Bush e seus assessores não se preocupam com as pessoas que eles mandaram para morrer ou matar inocentes no Iraque. Nunca irão admitir que erraram.

Estão felizes como moluscos na própria concha, ao saber que o caos cresce no Oriente Médio. Eles e seus cúmplices podem acumular mais dinheiro, dilapidar o Iraque de seus próprios recursos, esvaziar o Tesouro nacional do dinheiro que serviria para as nossas comunidades. Das dezenas de milhares de mães iraquianas que perderam seus filhos, quantas estão neste momento lembrando-se de seus filhos crianças, com os olhos inocentes refletindo a esperança e sonhos nos olhos da mãe? Alguém me perguntou o que mais sinto falta do meu filho. Dele, simplesmente!

De tudo o que ele representou:

- sua alegria ingênua, sua fé no futuro, o seu passado que eu recordo com pena e com amor.

Os nossos mais de dois mil jovens não são números. Eles estão confinados em túmulos prematuros pelos criminosos que deveriam estar presos. Iraquianos não são números, mas são tratados como tal. São considerados guerrilheiros, também quando são crianças. Lembrem-se do que disseram o Senhor e a Senhora Morte (Donald Rumsfeld e Condoleeza Rice), quando declararam que a ocupação poderia durar uma década. Quantos mortos serão necessários? Só um já foi muito, para mim.

Centro di ricerca per la pace (adaptação)

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