Revista "MUNDO e MISSÃO"

Atualidades no Mundo - Ásia

Ásia - Uma missão de amor e serviço

Giorgio Paleari

O título retoma o tema da Sétima Assembléia da Federação das Conferências dos Bispos da Ásia (FABC). A "Federation of Asian Bishop´s Conferences" é uma organização católica que visa à cooperação entre as conferências episcopais da Ásia. A última assembléia plenária foi realizada em Samphran, na periferia de Bancoc (Tailândia), de 3 a 13 de janeiro do 2000.

O bispo Oswald Gomis de Anuradhapura, Sri Lanka, é o novo secretário geral da FABC e foi eleito durante a última assembléia dos bispos. Uca News, a agência de notícias missionárias na Ásia, fez algumas perguntas ao bispo. Uma delas re-feria-se aos pontos mais marcantes da Conferência. O bispo Gomis respondeu: "Ficou evidente a necessidade de preparar melhor as pessoas para o trabalho missionário e, ao mesmo tempo, pediu-se um maior compromisso da Igreja na defesa dos direitos humanos. Também falou-se da necessidade de uma maior inculturação da Igreja local para que se torne uma Igreja verdadeiramente asiática. Pediu-se um maior compromisso com os migrantes, dentro do continente e também fora. Externou-se uma preocupação com a exploração das mulheres e das crianças".
O texto conclusivo da assembléia apresenta alguns desafios que marcam as preocupações da Igreja na Ásia. Antes de tudo, a questão da globalização com seu processo de exclusão. Somente uma parcela mínima da população beneficia-se do processo econômico, enquanto a grande maioria está se tornando cada vez mais pobre. Ligado à globalização, há o processo de urbanização acelerada, que amontoa pessoas nas cidades, desenraizando-as de seus valores, tornando-as vítimas do secularismo e do materialismo.
Outro desafio é o fundamentalismo religioso que atormenta muitas sociedades asiáticas. A Igreja é chamada a superar essas divisões e a buscar uma maior harmonia. Outros desafios são representados pelas situações políticas que nem sempre atuam num processo democrático, pela deterioração ecológica, pela militarização e pela acelerada venda de armas.
A Igreja e as outras religiões asiáticas devem ter bem claro que o único caminho é a busca da paz. Aliás, esta é uma das áreas mais centrais na tarefa do diálogo religioso e na reconciliação.
Todos os desafios que foram apontados exigem uma resposta das Igrejas, as quais, porém, devem responder de uma maneira articulada e não fragmentada. "Todos estes aspectos não são tópicos separados, mas há necessidade de uma abordagem mais integrada no caminho da Missão do Amor e do Serviço".

Um novo caminho de evangelização

Do ponto de vista interno da Igreja, há uma necessidade de discernir, com mais afinco, um caminho asiático de evangelização. Desde 1970, quando houve a decisão de fundar a Federação das Conferências Episcopais Asiáticas, as diferentes Igrejas percorreram um longo caminho. Existe consenso de que a Ásia é composta de diferentes culturas, formando quase um mosaico de cores e etnias. No entanto, há uma única missão da Igreja, que é aquela de "proclamar a boa notícia de Jesus, através do testemunho, do serviço e da solidariedade humana". Este anúncio deve levar a Igreja a ter um rosto asiático (Asianness). Isso significa que a Igreja deve revestir-se de valores e estilos de vida tipicamente asiáticos, como, por exemplo, o valor da interioridade, da harmonia, uma abordagem mais holística dos diferentes estilos de vida.
É sobretudo no nível da espiritualidade que a Igreja asiática deve avançar mais: "Os contatos com as outras religiões deverão se realizar na profundidade da experiência, mais do que na confrontação de idéias ou ações". Há uma espiritualidade e uma sabedoria que revestem as populações asiáticas e é através da complementaridade e harmonia que deverá ser feito o diálogo.
Quais são as direções práticas que emanam do documento final da Conferência dos bispos asiáticos? O povo asiático reconhecerá o Evangelho que é anunciado, quando houver uma maior transparência desta mensagem na vida dos evangelizadores. Há uma exigência de preparar melhor os evangelizadores para a Ásia de hoje. "No passado, a formação seguiu um estilo, um método e programas como os do Ocidente. É necessário adaptar a formação ao contexto cultural do continente asiático". A partir destes evangelizadores inculturados, irá surgir também uma Igreja que percorrerá seu caminho para ser uma comunidade mais asiática.
Há uma insistência no documento final de que a missão de amor e serviço se concretizará melhor através das pequenas comunidades eclesiais e dos movimentos da igreja (BECs). As duas formas de ser Igreja devem merecer uma atenção especial de todas as comunidades cristãs da Ásia.
O bispo Gomis, secretário geral, conclui sua entrevista dizendo: "Enquanto damos passos significativos para enraizar as Igrejas locais em seu contexto, devemos continuar o caminho de interpretar a mensagem de Jesus e os ensinamentos da Igreja, para responder com mais profundidade aos problemas e à realidade da Ásia".

FABC - Federação das Conferências Episcopais da Ásia Federation of Asian Bishop's Conferences

A Federação das Conferências Episcopais da Ásia é uma organização da Igreja católica que visa à cooperação das diferentes conferências episcopais da Ásia.
Quando em novembro de 1970, mais de 200 bispos se reuniram nas Filipinas na presença do papa Paulo VI, decidiu-se fundar a FABC. Os vinte cinco anos de existência foram celebrados durante a 6ª Conferência Plenária nas Filipinas, no mês de janeiro de 1995. Estava também presente o papa João Paulo II.
A FABC, que se encontra, pelo menos, a cada dois anos, não tem um presidente. A entidade de governo é formada por uma Comissão Central, composta pelos presidentes das conferências episcopais dos vários países asiáticos.
Uma Coordenação Central é composta de 5 membros escolhidos entre a comissão central e se reúne uma vez por ano.
No dia-a-dia, um Secretariado Central leva adiante a coordenação da entidade, em Hong Kong. A cada quatro ou cinco anos, acontece uma Assembléia Plenária com representantes dos bispos, padres, religiosos e leigos.
Até agora foram realizadas sete Assembléias Plenárias, cujos temas revelam os caminhos percorridos pelos bispos da Ásia:

· 1974, Taipei: "Evangelização da Ásia nos tempos modernos".
· 1978, Calcutá: "A oração - a vida da Igreja na Ásia".
· 1982, Bancoc: "A Igreja - uma comunidade de fé na Ásia".
· 1986, Tóquio: "A vocação e a missão dos leigos na Igreja e no mundo asiático".
· 1990, Bandung: "Caminhando juntos para o terceiro milênio".
· 1995, Manila: "O discipulado cristão na Ásia de hoje: serviço à vida".
· 2000, Samphran: "Uma Igreja renovada na Ásia: uma missão de amor e serviço".

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