Revista "MUNDO e MISSÃO"
Atualidades no Mundo - Ásia
Wang Zhicheng - 1/3 dos membros, pertencem a alguma entidade religiosa e metade destes participam regularmente de serviços religiosos. O Comitê central do PCC corre em defesa do marxismo e do ateísmo, mas muitos se defendem: - “A fé é algo pessoal e não nos venderemos mais ao Partido”. Dados estatísticos, apresentados pela comissão disciplinar do Partido, assinalam que o número de membros comprometidos em atividades religiosas nas cidades é de 12 milhões. Destes, pelo menos 5 milhões praticam a religião regularmente. Nas zonas rurais, 8 milhões de membros têm uma fé religiosa e destes, 4 milhões são fiéis comprometidos. Há casos em que a família toda está nos quadros do PCC e acredita em Deus. Em muitos, todos os líderes locais.
Algumas pessoas de nível médio e alto transformam uma dependência da casa em igreja clandestina doméstica, para evitar problemas com lideranças comunistas. A senhora Xue (os nomes foram mudados por razões de segurança), membro do PCC e funcionária do Escritório de Segurança Pública de uma grande cidade, foi batizada na Igreja católica há 13 anos. Desde então, sempre freqüentou a Missa dominical em uma igreja oficial. Um dia, porém, seus colegas descobriram-na. Seu chefe proibiu-a de participar de atividades religiosas abertamente. Conclusão: - hoje a senhora Xue freqüenta a Missa em uma igreja doméstica não oficial e participa da Igreja clandestina. O fenômeno do crescimento de fiéis no PCC parece fora de controle. Em outubro passado, no final do 5o Plenário do PCC, seu Comitê central proibiu a participação dos membros do Partido em atividades religiosas. O documento – trechos do qual foram publicados no periódico Epoch Times de 12 de novembro de 2005 – cita a preocupação do presidente Hu Jintao e do vice-presidente Zeng Qinghong sobre a questão: - “A corrosão das idéias religiosas entre as organizações do Partido e de seus membros transformou-se, de sutil influência, em confronto aberto. Elas geram uma mudança de mentalidade nos quadros do Partido e, portanto, desmoronam a fé no comunismo, estimulam o declínio dos princípios do Partido e o afundam, junto com o Estado, em posteriores crises políticas e sociais”. Para salvar a integridade do Partido, a nota ameaça o crente de afastamento ou até de expulsão de seus quadros. Os membros do Partido que praticam uma religião, porém, parecem não se preocupar com ameaças. Algumas semanas atrás, um católico chamado Han jantou com Li, o diretor de fábrica, com a senhora Wang, secretária da célula comunista na fábrica e com o Yang, secretário comunista da Shangai Fuel Corporation, uma das maiores corporações de Xangai. Durante o jantar, Yang perguntou a Li se ele freqüenta o templo e se acende incenso a Buda. Li responde: - “Naturalmente!”. Han se coloca no meio da conversa: - “Mas o senhor é um membro do PCC e deve ser ateu”. Li responde que isso é um resquício do passado. Quando os comensais lembram-no que o Partido proíbe a participação em atividades religiosas, ele responde: - “Tolice! Honrar a Buda é um hábito pessoal; não nos venderemos mais ao Partido”. O crescimento do fenômeno religioso dentro das fileiras do PCC tem algumas causas fundamentais: a primeira é o colapso da força ideológica do comunismo e da sua moralidade, o que impulsiona tantas pessoas a procurar o sentido da vida nas religiões. Zhang, ex-membro do Partido no comitê de uma fábrica estatal, estuda a bíblia e livros religiosos desde que se aposentou. É fascinado pela figura de Buda, mas está à procura de um Deus único. Declarou a AsiaNews que, já faz tempo, tinha dúvidas sobre ensinamentos ateus do comunismo. Agora que tem tempo, conseguiu finalmente dedicar-se à pesquisa religiosa. Outra causa da difusão religiosa no PCC deve-se à abertura econômica da China. Com o crescimento da importância das empresas privadas e a redução dos negócios estatais, muitas pessoas estão mais livres para seguir sua própria crença. Nas portas das próprias casas, como augúrio para o ano novo, são freqüentemente coladas figuras religiosas: - Buda, Jesus, Nossa Senhora, ou outros símbolos. Mas também esta exibição de sinais religiosos está proibida pelo Partido. No citado documento do Comitê central, todas as atividades e bênçãos para “um emprego, casa, nascimento de uma criança... e outros eventos da vida” são consideradas “superstições”. Os envolvidos são ameaçados com “medidas disciplinares e administrativas”. Uma terceira causa para o crescimento da pertença religiosa no PCC deve-se à sua crise. Os chineses já não amam o Partido, que sofre de colapso nas inscrições. Nos últimos anos, as adesões caíram perto de 80% nas zonas rurais.
Jin, católico, quando era jovem, para entrar no exército, inscreveu-se também no Partido. Hoje, que está aposentado, tornou-se secretário do PCC em um vilarejo de Zhejiang. Ao mesmo tempo, é um membro ativo da Igreja clandestina e, devido a sua posição, freqüentemente ajuda a comunidade perseguida. O governo local e todo o vilarejo conhecem sua militância, mas nada disso parece comprometer sua posição. Na tentativa de se opor à onda religiosa no interior de suas fileiras, o PCC organizou, há dois anos, uma campanha para difundir o ateísmo pela rádio, televisão, internet e em seminários universitários. Recentemente, uma campanha para revitalizar o marxismo custou-lhe 20 milhões de euros. Uma parte dos membros do Partido está convencida que as religiões podem contribuir para a harmonia social, a estabilidade e o desenvolvimento. Por isso, não detém seu crescimento, permitindo a participação em atividades religiosas aos membros do Partido. Xin Zhen Zhong, engenheiro, declarou: - “O partido sempre quis controlar o pensamento das pessoas, mas nunca conseguiu. Ele pode exigir que as pessoas não falem, mas não pode impedi-las de pensar. Crer em uma religião é algo ligado ao pensamento. Não é possível resolver esse problema através de meios políticos. A única conseqüência é que os filiados ao Partido, que têm fé, têm que recorrer às Igrejas clandestinas”. Em contraste com a aparente liberalização religiosa, a liderança comunista tem lançado campanhas contra as religiões, sobretudo as não-oficiais. Em março e em abril deste ano, a polícia prendeu vários pastores evangélicos e dezenas de responsáveis cristãos. Um deles, o pastor Liu Tuanjie, só foi libertado graças ao pagamento de uma multa de três mil yuan, (moeda chinesa, correspondente, neste caso, a cerca de 900 reais), feito pela família. |
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