Revista "MUNDO e MISSÃO"

Atualidades no Mundo - Ásia


Márcio Martins

uando o terremoto de 9 graus na escala Richter, ocorrido no fundo do mar, propagou as ondas gigantes (tsunamis) que atingiram a costa dos países banhados pelo Oceano Índico, milhares de pessoas perderam parentes, amigos e tudo o que lhes pertencia em questão de minutos, revelando um terrível e assustador rastro de morte, destruição e fragilidade da raça humana diante da força da natureza. O número total de mortos no desastre ainda é incerto, pois corpos continuam a ser encontrados nos escombros ou abandonados pela maré nas praias, sem mencionar o gigantesco número de desaparecidos (mais de 230 mil).

As entidades locais somente oficializarão os desaparecidos como mortos quando a tragédia completar um ano, em 26 de dezembro de 2005. O Banco de Desenvolvimento Asiático calcula que mais de 2 milhões de asiáticos podem cair abaixo da linha de pobreza e os prejuízos causados pelo tsunami devem passar dos 35 bilhões de reais, entre reconstrução, saneamento, assistência social e médica aos sobreviventes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda prevê que parte da população afetada pelo maremoto vai desenvolver, num futuro próximo, algum tipo de distúrbio psicológico, como depressão, ansiedade e distúrbios do sono.

Em meio ao horror da atual situação em que se encontram, e ainda traumatizados pela pequenez humana diante da força da natureza, religiosos e líderes cristãos dos países atingidos pelo desastre arrasador dispuseram-se, sem medir esforços, em ajudar os sobreviventes a encarar a terrível provação de reconstruir o que foi devastado. Porém, com a escassez de recursos, eles têm apelado, invariavelmente, por auxílio junto à obra de caridade internacional Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), revelando a completa dimensão da tragédia e a real situação de suas dioceses e comunidades frente à destruição, ao abandono do Estado e, em situações isoladas, ao embargo de auxílio aos cristãos.

Sri Lanka

O Sri Lanka foi um dos países mais afetados pelo tsunami. Em certas regiões, mais de 60 por cento da população está desabrigada e o número de mortos não pára de crescer. Os sobreviventes, ainda traumatizados com a violência da natureza, não sabem por onde recomeçar, tamanha foi a destruição. Em um relato para a AIS, o arcebispo Oswald Gomis, de Colombo, capital do país, revelou que o desastre vai além de sua compreensão, quando pensa que toda aquela devastação ocorreu em minutos. Em sua arquidiocese, 10 igrejas foram completamente destruídas pelo avanço do mar, mesmo assim, padres acolheram mais de 150 mil refugiados nas igrejas remanescentes.

Onde as casas foram poupadas pelas ondas, quase nada restou às pessoas. Centenas de famílias desabrigadas não têm encontrado alimentos e remédios nos centros de apoio montados pelo governo, por isso recorrem à diocese em busca de alimentos, medicamentos e abrigo temporário. “Além das remessas humanitárias de emergência, muito dinheiro será necessário para as igrejas, orfanatos e escolas. O nosso pedido a vocês é que enviem qualquer socorro possível! Nós apreciaremos profundamente cada pequena contribuição neste momento de crise”, finalizou o arcebispo.

Ilhas Andaman e Nicobar (Índia)

Em uma carta enviada para a AIS, o bispo Alex Dias, das ilhas Andaman e Nicobar, na Índia, expôs a precária situação em que a Igreja local se encontra. O difícil acesso à região transforma as paróquias na última esperança dos sobreviventes em encontrar abrigo, alimento e remédios. No entanto, o estrago junto à Igreja local também foi significativo, deixando religiosos e comunidade “à deriva”. Igrejas, conventos e escolas foram invadidos pelo mar, sendo que, em alguns casos, por questões de segurança, ficou inviável o uso antes dos primeiros reparos.

Aos padres e freiras que sobreviveram ao tsunami nas paróquias litorâneas mais remotas, não restou nada além das roupas do corpo. Tudo foi destruído e a ajuda é quase impossível, já que as embarcações não conseguem chegar àquelas regiões. Graças à colaboração de algumas pessoas da força aérea, dom Dias conseguiu enviar-lhes comida e roupas. Porém, a necessidade ainda é grande. Para reconstruir as paróquias será necessário um longo período e, diante das dificuldades financeiras, tempos difíceis estão por vir. “Eu espero, urgentemente, pela ajuda de vocês, pois somente com o seu auxílio poderemos atender e confortar os sobreviventes desse terrível desastre”, apelou o dom Alex Dias.

Povo Karen (Mianmar)

Mianmar é governada por uma Junta Militar que, alinhada com poderosos grupos budistas, tenta utilizar a religião como forma de controlar a população local, dividida entre budistas, 89%; cristãos 5%, muçulmanos 4% e outros 2%. O grupo étnico karen está entre os cristãos do país e sofre severa perseguição do governo. Situados na região costeira, os kareneses foram atingidos pelo tsunami, mas pouco se sabe sobre a real situação em que se encontram. Um dos seus líderes, dr. Timothy, informou à AIS que, por conta do embargo étnico e religioso que sofrem, nenhuma notícia a respeito do estado em que se encontra a população karen pode ser divulgada.

Não se sabe o quanto foi destruído e quantos estão desabrigados, desaparecidos ou mortos. Mais do que isso, a Junta Militar do país não permite que remessas humanitárias, enviadas pela comunidade internacional, cheguem à etnia. “Nossos corações estão aflitos em ver que o governo mostra total descaso pelas vidas perdidas nesta área do país, fechando Mianmar para o resto do mundo, mesmo em um desastre que chocou o planeta”, relatou o líder. Dr. Timothy tenta contatar autoridades, incluindo a embaixada de Mianmar, na Tailândia, para negociar, diplomaticamente, que a assistência humanitária possa abastecer as áreas afetadas e que alcance, efetivamente, o seu povo.

Ele fará uma viagem pela costa para avaliar a extensão do desastre. Feito isso, a meta é encontrar um meio para ajudar aos que sofrem. “Tantas vidas foram perdidas em Karen e o povoado continua em meio à devastação, sem contato, sem voz, sem ajuda, sem nada... Nós não podemos permitir que o povo karen continue esquecido!”, exclamou o dr. Timothy. Diante do saldo aterrorizante de mortos e desaparecidos, e outras tantas conseqüências que virão a ocorrer por conta das patologias físicas e mentais e do desamparo dos sobreviventes, só resta o grande desafio de minimizar o sofrimento e a difícil realidade da reconstrução dos países atingidos.

É neste grande desafio que a obra de caridade internacional AIS destina sua máxima atenção:

atender aos apelos lançados pela comunidade católica dos países atingidos pela catástrofe. Não vamos ficar passivos diante de tamanhas provações e necessidades.

Contribuições para as vítimas do tsunami
Conta da AIS para a ajuda aos sobreviventes
Banco Bradesco – Agência: n.º 0031-0 – C/C.: n.º 0117776-1
Colabore!!!

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