Revista "MUNDO e MISSÃO"
Atualidades no Mundo - Ásia
Além deste trabalho de campo, também cuida de 130 leprosos, internados no hospital. Desde 1996, o Damian Leprosy Center está empenhado também em um programa de sensibilização sobre a aids. A chegada de pacientes tuberculosos e vítimas do vírus HIV tem aumentado nos últimos anos, de modo que, em julho de 2002, decidimos iniciar um Drop in Center, isto é, um serviço Day Hospital (um dia no hospital), com 16 leitos, em colaboração com a Sociedade de Controle da aids de Andhra Pradesh. Nestes 20 meses já atendemos mais de mil pacientes. Os fatores que prevalecem na difusão da doença são o “mercado do sexo”, disseminado em uma vasta rede nacional, e a falta de comportamento sexual sadio, por envolver um elevado e irregular número de parceiros sexuais. A natureza delicada da questão, os tabus existentes, a ignorância, a falta de consciência sobre a gravidade do problema e o consumo de álcool são outros fatores que contribuem para a difusão da aids. Por causa da discriminação social em relação a esta síndrome, muitos pacientes vêm ao Centro só depois que a patologia já foi claramente manifestada e não há mais retorno. No início, o paciente nem acredita que esteja doente, pois normalmente os sintomas físicos não são relevantes, e freqüentemente ele acusa o médico de mentir. Acolhemos a todos, abrigamos quem for preciso, medicamos e alimentamos, oferecemos conselhos, assistência e apoio aos doentes terminais, sabendo – todavia – que, até hoje, não foi encontrada a cura definitiva para a aids. O Centro é gerenciado em colaboração com o governo, que fornece gratuitamente alimento, mas não os remédios. Nós vamos ao encontro dos doentes mais pobres e lhes oferecemos acolhida gratuita permanente. Tuberculose e aids Pelo menos 2/3 dos pacientes de aids são também tuberculosos. Há mais de um ano, insistimos com o Programa Nacional de Controle da Tuberculose para obter remédio contra esse mal, mas até agora, nada! Os meus pacientes reagiriam muito bem se tivessem acesso a esses medicamentos. Corta o coração não ter a oportunidade de medicar esse pessoal e ver muitos morrerem de uma doença curável como a tuberculose. E os infectados pelo HIV? Esses não são aceitos em nenhum lugar. São-lhes negadas oportunidades de trabalho, acesso ao tratamento médico e aos exames laboratoriais. Os médicos ficam horrorizados com a idéia de também se contaminarem. Quando um paciente chega no hospital, o primeiro teste ao qual se submete é o da aids e, se é soro-positivo, são negados exames ulteriores e tratamento. Quando envio um de meus pacientes a qualquer exame, a maior parte de meus amigos laboratoristas me pede: “A gente lhe presta qualquer outro serviço, doutora, mas, por favor, não nos peça para fazer análise de sangue dos aidéticos”. Nasce uma esperança No entanto, tenho uma esperança. Estou experimentando nos meus pacientes a aloe vera (a nossa conhecida babosa), uma planta medicinal, e tenho notado muito bons resultados nos doentes. O uso da aloe vera, junto com o neem (outra erva medicinal), apresenta resultados promissores, sem efeitos colaterais. Em dois ou três dias, até os pacientes mais graves se sentem melhor, aumenta-lhes o apetite e o peso, eles se levantam e andam. Em 4 ou 5 meses voltam ao trabalho. É claro que ainda não se trata de uma cura específica para a aids. Os tratamentos com remédios convencionais custam muito e a maior parte da população indiana não tem a mínima condição de se submeter a eles. Vou experimentar a eficácia da aloe na reconstrução das defesas imunológicas, para colocar o medicamento à disposição de todos os pacientes pobres, sem condições de tratamento médico alopático. Dificuldades Iniciei minha pesquisa do nada. Conheço apenas um laboratório, na Índia, (laboratório Pune), que pesquisa sobre a aids. Assim, não consigo verificar o quanto possa ser eficaz a minha experiência com a aloe, porque é preciso conhecer o potencial viral e contar as células CD4 T no sangue dos pacientes antes, durante e depois do tratamento, para analisar sua eficácia. A discriminação dos laboratórios de análises clínicas, a impossibilidade de pesquisar, os custos elevados, são os principais obstáculos ao meu trabalho. As provas para a contagem das células CD4 e para o potencial viral custam caro e são possíveis apenas em grandes cidades como Mumbai, Madras, Hyderabad. Assim mesmo, não dá para confiar nos resultados, porque não são mantidas as condições de temperatura durante o transporte do material aos laboratórios; além disso, é muito difícil e oneroso mandar para longe esses pobres pacientes apenas para se submeterem a um exame. Mãos estendidas
Apesar da minha idade, fiz um curso por correspondência para médicos a respeito da aids e, em outubro de 2003, inscrevi-me na faculdade odontológica diocesana, tão logo foi criada em Eluru (Andhra Pradesh), próxima do nosso Drop in Center, com a esperança de testar o valor medicinal de aloe vera e neem aos pacientes. O bispo de Eluru, dom John Mulagada, abraçou a causa e sensibilizou-se pelo destino destes doentes e também quer criar um laboratório com esta finalidade. Por enquanto, espero qualquer auxílio para, pelo menos, 30 a 50 pacientes, durante dois ou três anos. Uma ajuda suficiente para cobrir o custo dos exames e do tratamento. MI – Missionarie dell’Immacolata |
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