Revista "MUNDO e MISSÃO"
Atualidades no Mundo - Ásia
|
PARA ONDE A CHINA CAMINHA? Alberto Garuti A China praticamente "acordou" e começou seu rápido
crescimento em 1978, quando Deng Xiaoping tomou o poder. Escolhendo o
modelo de desenvolvimento dos vizinhos "tigres asiáticos"
(Hong Kong, Cingapura, Taiwan e Coréia do Sul), então em
franco crescimento, adaptou-o às próprias necessidades,
com as devidas correções. A partir daí, não
parou de crescer, tendo-se tornado o país com a mais alta porcentagem
de crescimento no mundo. E as mudanças vieram. Nos últimos vinte anos, a China:
Deng começou a admitir o "socialismo de livre mercado" e a afirmar que capitalismo e socialismo devem ser julgados unicamente pela capacidade de aumentar a potência econômica do país. Quebrou-se uma verdade que foi tabu durante mais de um século e começaram a coexistir, na mentalidade chinesa, socialismo e liberalismo. O sucesso e as contradições das reformas As reformas não tardaram a colher ótimos dividendos:
Mas não faltaram os aspectos negativos, comuns, aliás, a outros países industrializados: o desemprego e a inflação bastante elevados: o primeiro, segundo certas fontes, chegaria até 20% e a segunda está beirando 10%. Ficou evidenciada a ineficiência das empresas estatais e parece que aumentou a corrupção. Outro fenômeno negativo dos últimos anos foi a urbanização: 150 milhões de pessoas teriam deixado o campo, inchando certos bairros das megalópoles. Preocupações A atual situação da China suscita preocupações imediatas tanto dentro como fora do país. Fora, são os países industrializados que temem. ao ver seus mercados invadidos pelos produtos chineses, vendidos a preços imbatíveis, e ao perceber que suas empresas são atraídas pelas condições fiscais e alfandegárias oferecidas pelo governo chinês. Dentro, quem se preocupa é o próprio governo chinês que sabe que não pode mais contar com o apoio incondicionado da opinião pública interna. O povo já não se contenta com uma tigela de arroz e uma casaca "à Mao", mas busca, cada vez mais. melhores condições de vida, faz pressões para mudanças no sistema político e não está mais disposto a tolerar os erros e a ideologia da classe dirigente. Perspectivas Economicamente as perspectivas, são boas: se continuar o atual ritmo de crescimento, muitos analistas prevêem que até o ano 2010, a China poderá ser a maior economia do mundo, ainda que não em termos de economia "per capita": a esse respeito, alcançaria os Estados Unidos não antes do século XXII. Politicamente, é difícil falar. Sabese que existe uma corrente reformadora que considera superada as teorias econômicas do marxismo-leninismo. Mas existe também - e é numerosa especialmente entre os militares e os burocratas - uma classe conservadora que gostaria de fechar de novo as portas da China e que acusa o atual sistema de ter aberto as fronteiras aos modelos do capitalismo. Parece que a primeira corrente triunfou no último Congresso do Partido Comunista, realizado em Pequim, em setembro de 1997. O XV congresso do Partido Comunista Chinês Quem saiu fortalecido desse Congresso foi Jiang Zemin, discípulo e continuador da política de Deng Xiaoping. Os dois mais ferozes opositores foram eliminados com um sutil estratagema. Por coincidência, a idade de ambos era bem avançada: 73 e 81 anos. Jiang Zemin declarou-se, antes do congresso, disposto a rejuvenescer os quadros do partido e a não nomear para cargos importantes pessoas cuja idade estivesse acima dos 70 anos. Ele próprio, tendo superado a idade limite, declarou-se pronto a apresentar sua demissão. Aí interveio o velho revolucionário Bo Yibo. suplicando para que ficasse, pois estava tudo preparado para sua visita aos Estados Unidos. Contudo, o parecer deste era que todos os outros, que tivessem ultrapassado os 70 anos, renunciassem. Proposta apoiada e aprovada, Jiang Zemin encontrou-se livre de seus mais duros opositores, pouco antes do início do Congresso. Algumas declarações do mesmo Congresso mostram claramente a que ponto chegaram os teóricos do novo marxismo chinês: "O Partido, em seu XV Congresso, assume o marxismo, o leninismo. o pensamento de Mao Tsetung e a teoria de Deng Xiaoping como sua ideologiaguia de ação." "É preciso permanecer vigilantes contra as tendências de direita, mas especialmente contra as de esquerda". "A China deve manter a propriedade pública como base de seu sistema econômico, mas deve promover todas as formas de propriedade, se elas:
Ainda que o setor da propriedade estatal se reduza a uma pequena porção da economia nacional, isto não influenciará a natureza e a característica socialista do país". Como se vê, a afirmações vagamente esquerdistas e de acordo com a antiga doutrina, sucedem-se outras mais claramente de direita e que deixam transparecer o pensamento liberal que orienta a economia do novo regime. Continuará assim durante muito tempo essa tendência ou sofrerá guinadas à direita ou à esquerda? É impossível prever. Por enquanto, só podemos dizer que essa posição saiu reforçada do último Congresso do Partido. Mudanças econômicas, não políticas A Igreja oficial, pelo contrário, que aceita ser controlada pelo governo, recebe até ajuda para a reconstrução das igrejas e pode manter abertos seus seminários, enquanto a outra Igreja, que não tem permissão para reunir-se publicamente, não tem recursos para a formação de seminaristas e de futuros religiosos, sujeitos a terem os estudos freqüentemente interrompidos por causa das intervenções policiais. Contudo, a situação varia muito de uma região para outra. Diz um padre que trabalha no Norte do país: "Nos anos 80, nossas atividade eram vistas como clandestinas. Agora temos mais liberdade e até os funcionários do governo sabem que celebramos missas e outras liturgias. De vez em quando, alguns membros da polícia vêm nos visitar e nos pedem que façamos as coisas sem muito alarde." Outro padre, sempre do Norte da China, confirma: "Agora podemos viajar com mais liberdade dentro dos limites da província e podemos celebrar nos domingos e dias de festa. Só não temos licença para reformar as nossas únicas duas igrejas que estão quase caindo". Como se vê, há ainda regiões onde o governo endurece com os católicos e outras nas quais é mais permissivo. Será um sinal de que, na China, algo começa a mudar também sob o aspecto político? |
Visite
as outras páginas
[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO]
[MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E.
- Missio] [Noticias] [Seminários]
[Animação] [Biblioteca]
[Links]