Revista "MUNDO e MISSÃO"
Atualidades no Mundo - Ásia
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por Domenico Nava A Igreja trabalha pela reconciliação
Aviso de guerra? Perseguição? Estamos em um país que atribui ao budismo uma posição de destaque. Ele é, afinal, a religião do Sri Lanka. Mas a Constituição da República garante liberdade religiosa. A tensão entre cristãos e budistas é novidade neste país independente desde 1948, e se fundamenta em duas motivações. Uma é política: a rivalidade entre a presidenta Chandrinka Kumaratunga e o primeiro-ministro Ranil Vickremesinghe; a outra é religiosa: o proselitismo que algumas seitas protestantes promovem. A crise política A maioria da população é formada pelo grupo étnico cingalês, budista (70%), e pela minoria tamil, proveniente da Índia, de religião hinduísta (15%). Os cristãos (8%) e os muçulmanos (7%) completam a população. A reviravolta política aconteceu em 1956, com o crescimento dos ultra-nacionalistas cingaleses que enfatizavam a cultura, a língua e os costumes budistas locais. Surgiram os primeiros conflitos étnicos. Os tamis passaram a se sentir excluídos da cidadania nacional: as primeiras manifestações de massa aconteceram em 1958. Também os cristãos – maioria ocidental – passaram a ser vistos como suspeitos. No início dos anos 60, o ensino e os institutos religiosos foram estatizados. Impuseram-se também restrições à permanência dos missionários no país. Em 1976, os tamis fundaram o partido moderado Tamil United Liberation Front. Em 1983, explodiu um conflito aberto entre as duas etnias. Os tamis fugiram para o norte e surgiram novos grupos reivindicando um Estado independente. Acordos assinados, e depois anulados, sucederam-se até 22 de fevereiro de 2002, quando acabou o conflito, mas surgiram desentendimentos entre a presidenta e o primeiro ministro sobre a posição a ser tomada a respeito dos rebeldes tamis para a consolidação do processo de paz. No dia 7 de fevereiro, a presidenta fechou o Parlamento e convocou eleições para 2 de abril. Evocando a identidade cingalesa e budista da Nação, ela relutou em fazer concessões aos tamis. Nem é necessário dizer que o Tigre Tamil – grupo guerrilheiro que tem lutado para obter a autonomia – considerou as eleições um passo atrás no processo de paz; todavia anunciou que respeitaria o cessar-fogo assinado em novembro de 2002. Deseja também manter, com toda força política, o acordo para se chegar à paz. Por sua vez, e para cativar os eleitores, o primeiro-ministro colocou no seu programa a aprovação de uma lei sobre “conversões não éticas, fraudulentas” que, segundo grupos budistas integralistas, foram obtidos sob pressão psicológica ou com ajuda e favores ocultos. Os não-cristãos confundem facilmente protestantes e católicos, dando-lhes o mesmo rótulo. Por isso, as organizações de caridade católicas poderiam ser taxadas de ser “instrumento de um poder diabólico para converter ao cristianismo os budistas cingaleses”. A Igreja pela paz Neste momento crítico e em vista das eleições políticas, a Conferência Episcopal do Sri Lanka expôs a posição da Igreja Católica em um documento que tem como tema a paz e a liberdade. “Cremos que as pessoas querem utilizar esta oportunidade para dizer com força ao governo que é possível descobrir o caminho da paz”. Os bispos convidam os políticos a “não utilizarem as diferenças étnicas ou religiosas, que se poderiam transformar em instrumentos de divisão, apenas por motivos políticos de curto prazo”. Dom Oswald Gomis, arcebispo de Colombo, está convencido de que, se alguns gurus instigam à violência, não passam de grupos isolados e de episódios restritos, já que a doutrina e as tradições budistas não pactuam com a violência. Mas admite que o fundamentalismo está crescendo entre budistas e também entre cristãos, vítimas da tensão e do medo depois dos ataques inesperados. Não será fácil, portanto, contê-lo. Por isso, convocou na sua Diocese uma jornada de oração e jejum para alcançar de Deus o dom da harmonia. Também a Jornada Missionária Mundial do último mês de outubro foi dedicada aos temas da paz. Manifestos e panfletos com o tema: “Vá, reconcilia-te, proclama o Senhor da Paz!” invadiram as 338 paróquias do país e o slogan foi também impresso na língua cingalesa. Já que as raízes da violência estão na postura proselitista de algumas seitas protestantes, o arcebispo Gomis procurou dialogar também com seus líderes, mas muitos deles não ouviram suas sugestões. Ele está profundamente convencido de que “é preciso voltar a caminhar pela estrada do diálogo”. Bispos e líderes budistas devem construir pontes, encontrar-se, falar com o povo, difundir amizade e tolerância. A postura da Igreja católica sempre foi a de servir de ponte com a esfera política em casos de conflito. Permanece em todos a convicção que uma relação importante e talvez decisiva, podem-na manejar os líderes religiosos; ou seja, budistas e cristãos podem e devem ser autênticos elos de compreensão e diálogo entre comunidades religiosas de diferentes etnias desta “Ilha Esplêndida” (significado das palavras Sri Lanka). República
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