Revista "MUNDO e MISSÃO"

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Israel

Associações cristãs apóiam a criação de um Estado palestino

No âmago dos conflitos está o problema da autodeterminação e da independência do povo palestino

Há muita tensão e pouca esperança na Terra Santa. A cidade de Jerusalém nunca esteve iluminada como agora: por motivos de segurança, o governo de Israel mandou colocar câmaras de televisão em cada esquina, mas as ruas estão desertas. O interior de algumas sinagogas, como a de Éfrata, perto de Belém, foi pichado com palavras em árabe que exaltavam o nazismo e o Hezbollah. O povo de Israel, que não deseja a guerra, está pessimista sobre a possibilidade de diálogo com os palestinos.
De 27 de setembro a 16 de outubro, os representantes de algumas agências cristãs de assistência estiveram na Terra Santa para um levantamento da situação. A delegação visitou Israel e os territórios ocupados, encontrou membros de Igrejas, militantes israelenses e palestinos para os direitos humanos e pessoal médico, todos testemunhas das violências desses últimos dias. O povo palestino está sofrendo a excessiva violência das Forças Armadas e dos colonos de Israel que agem sob a proteção do exército. "Vimos com nossos olhos, disseram, a violência praticada contra crianças, feridas ou mortas". Está a perigo a economia palestina e todos os programas de desenvolvimento que tinham sido iniciados.
A delegação notou também o impacto negativo causado por atos de violência dos palestinos, como a destruição do túmulo de José e o linchamento de dois soldados israelenses e concluíram: "Esses fatos chocaram a opinião pública mundial que acabou colocando no mesmo nível a violência praticada por ambos os lados e comparando a dos palestinos com a outra, muito maior, dos judeus".
"Os palestinos dos territórios ocupados - diz o relatório da delegação - pedem uma vida normal e a liberdade. O que ficou estabelecido no último tratado de Oslo, há 7 anos, foi respeitado somente em parte. Israel continua controlando a vida dos palestinos e impede a liberdade de movimento deles. Os colonos israelenses continuam ocupando ilegalmente territórios palestinos, apesar de resoluções da Onu a respeito. Nem a metade do território está sob o pleno controle das autoridades palestinas". A delegação conclui seu relatório dizendo que a paz só pode ser conseguida através do pleno respeito à lei internacional. A comunidade mundial tem sua responsabilidade na falência do programa de Oslo. As novas tratativas de paz deverão envolver mais países. Os Estados Unidos não podem ser os únicos mediadores entre as partes. E as tratativas devem exigir a aplicação das resoluções da ONU. O relatório termina dizendo: "Os últimos acontecimentos marcam uma reviravolta no processo de paz. Estamos convictos de que, no âmago da questão, esteja o problema da autodeterminação e da independência do povo palestino".
( Agência Fides)

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