Revista "MUNDO e MISSÃO"

Atualidades no Mundo - Ásia

CHINA
O governo endurece contra a Igreja

Alberto Garuti

Foram muitas as perseguições
dos vários governos chineses,nestes últimos séculos,
contra os católicos. Ao que tudo indica, novos ataques
estãose preparando contra a Igreja

O governo chinês está apertando o cerco contra qualquer movimento que ele não possa controlar nos mínimos detalhes. Começou atacando o Fahun Cong, movimento de ginástica respiratória que valoriza antigas tradições culturais com elementos religiosos de origem taoísta e budista. O movimento, fundado em 1992 por um ex funcionário do governo. Li Hongzhi, difundiu-se rapidamente pelo país inteiro.

Seus adeptos atingiram em poucos anos a cifra recorde de 70-100 milhões, entre os quais altos funcionários do governo e membros da polícia e do partido único existente no país, o Partido Comunista Chinês (Pcc). O movimento foi declarado ilegal em julho de 1999 e foi considerado "seita herética e perigosa". 35 mil aderentes ao movimento teriam permanecido nas prisões durante alguns meses. 5 mil foram enviados aos trabalhos forçados, enquanto membros das forças armadas e do partido foram perseguidos e expulsos, por pertencerem ao Fahun Cong.

Vistas as proporções que o movimento atingira, era lógico que fosse o primeiro a ser atacado, O governo,afinal, é liberal só na economia: neste campo aceitou todos os dogmas do capitalismo. Quanto ao resto, ele quer manter o controle total sobre tudo, como aconteceu em todas as ditaduras marxistas. Questão de poder e sobrevivência. Essa preocupação em ter o controle sobre tudo, estendeu-se, como era de se esperar, ao campo religioso,em primeiro lugar às Igrejas cristãs, católica e protestantes.

Novos apertos às atividades religiosas

Em 27 de setembro o governo publicou os "Novos regulamentos para as atividades religiosas" em território chinês. Seus 22 artigos enquadram e limitam as atividades religiosas de estrangeiros na China e seu relacionamento com os representantes religiosos locais. Alguns desses artigos dizem respeito ao que os estrangeiros podem fazer. Eles podem participar de ritos religiosos, pregar, ter contatos amigáveis e trocas culturais. mas a uma condição: que isso aconteça unicamente "em lugares religiosos registrados oficialmente" e que os contatos sejam feitos exclusivamente "com pessoal chinês religioso reconhecido e registrado" que deverá apresentar, como comprovante, documentos emitidos pelo Departamento dos Negócios da Religião, ligado ao governo.

Tudo isso para impedir a estrangeiros, que agora podem entrar na China como turistas, manter contatos com organizações não reconhecidas pelo governo (como as várias Igrejas clandestinas). Outros artigos dizem claramente o que os estrangeiros não podem fazer. Não podem mudar os grupos religiosos nacionais existentes ou criar novos, realizar atividade missionária em território chinês, nomear pessoal chinês para cargos religiosos (bispos, padres, pastores, monges, mestres espirituais), pregar em lugares não reconhecidos e registrados oficialmente, introduzir ou vender qualquer tipo de material religioso, livros, jornais ou audiovisuais de qualquer tipo.

As disposições dadas pelo governo seis anos atrás davam faculdade aos grupos religiosos oficiais de convidar pessoal de fora (de Hong Kong ou estrangeiros) e de concordar com eles compromissos e atividades que eles realizariam em território chinês. Agora quem dá esse tipo de autorização é somente o Departamento para os Negócios Religiosos, ligado diretamente ao governo.

Objetivos dessas medidas restritivas é não somente impedir qualquer contato dos estrangeiros com os grupos clandestinos, como também o de poder controlar mais os chamados grupos patrióticos, ou oficialmente reconhecidos, que ultimamente foram se afastando cada vez mais do controle do governo e aproximando-se de Roma. A canonização dos 120 mártires realizada em Roma em 10 de outubro foi a ocasião de que o governo se aproveitou para endurecer ainda mais seu controle sobre a Igreja Católica.

Pequim considerou a canonização uma ofensa ao povo chinês e jogou duro contra o Vaticano, tendo em vista os ganhos que ele poderia obter em termos de um maior aperto e um maior controle sobre o povo. A canonização foi considerada uma ofensa tanto pela escolha da data (o dia 10 de outubro foi o 51º aniversário da chegada ao poder dos comunistas liderados por Mão Tse Tung) como também pelo fato de os mártires escolhidos pela Igreja serem considerados criminosos pelo governo chinês, que afirma que teriam sido punidos pelo povo por seus delitos.

Através da Associação patriótica, o governo teria declarado que "o Vaticano, na canonização dos ditos Santos Mártires, não teria levado em consideração os direitos da Igreja na China". O próprio arcebispo de Pequim, Dom Miguel Fu Tieshan, patriótico e desde sempre alinhado com o governo, reforçou a posição das autoridades chinesas declarando que agora cabia ao Vaticano realizar um gesto "significativo" para consertar os prejuízos provocados pela canonização dos 120 mártires.

Tem-se a impressão que a canonização foi a ocasião esperada para justificar o aperto que já estava nos planos do governo há muito tempo. Apresentando a Santa Sé como inimiga da China, o governo agora tem um instrumento nas mãos para exigir que padres e bispos patrióticos tomem posição pro ou contra a Santa Sé.

Quem não se manifestar contra, será considerado também inimigo do povo. Afinal, é uma nova maneira de perseguição, que sucede a tantas outras que já houve contra a Igreja da China: a dos boxers, no começo do século, a dos comunistas quando tomaram o poder e expulsaram todos os missionários estrangeiros e a revolução cultural: todas essas, sim, não respeitaram os direitos da Igreja na China.

Depois de 10 de outubro o novo aperto começou: os sacerdotes católicos de Hong Kong estão proibidos de entrar no território da República Popular. Até pouco tempo atrás essas visitas eram toleradas. Muitos sacerdotes de Hong Kong, antes, eram chamados para lecionar teologia nos seminários patrióticos do continente, os únicos que funcionavam, pois eram os únicos reconhecidos. O objetivo é claro: mostrar aos patrióticos quem é que manda na China; cortar todas as pontes entre católicos patrióticos e a Santa Sé e, aos poucos, fechar todos os espaços de liberdade aos católicos de Hong Kong também.

Visite as outras páginas

[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]

Voltar