Revista "MUNDO e MISSÃO"
Atualidades no Mundo - Ásia
O PAQUISTÃO depois da guerra Alberto Garuti No início da guerra do
Afeganistão, existia uma impressão generalizada de que o
fato estimularia um recrudescimento do fundamentalismo islâmico. A guerra contra o regime taleban no Afeganistão não criou somente as condições para que fosse possível a mudança do governo desse país e de muitos costumes e modos de viver dos afegãos. Outros efeitos foram, inicialmente, o agravamento da tensão entre Índia e Paquistão pela posse da Caxemira e, em seguida, uma mudança considerável da situação interna do Paquistão, onde se criou, inesperadamente, uma situação de maior respeito pelas minorias, notadamente pelas Igrejas cristãs. As tensões entre Índia e Paquistão A situação de conflito entre os dois países remonta ao tempo da presença inglesa na Índia. Quando os ingleses deixaram a antiga colônia, inicialmente, estava previsto um só país, com regiões de maioria islâmica e regiões de maioria hindu, mas logo os muçulmanos temeram que essas condições não fossem respeitadas e que a maioria hindu acabasse oprimindo-os e marginalizando-os. Daí, começaram a insistir para que se criassem dois países diferentes, um composto por hindus e outros por muçulmanos. Nasceram assim o Paquistão e a Índia. Nessa ocasião, 12 milhões de muçulmanos emigraram da Índia para o Paquistão. Somente um território com maioria muçulmana ficou com a Índia: a Caxemira, na região montanhosa do Himalaia, na fronteira entre os dois países. Logo depois da independência em 1947, Índia e Paquistão entraram em guerra pela posse desse território. O conflito terminou no ano seguinte com a divisão da Caxemira em duas partes: uma, a maior, correspondente a dois terços da região, ficou com a Índia, a outra, um terço, com o Paquistão. Mas os paquistaneses nunca aceitaram essa situação, pois todo o território da Caxemira é habitado quase que exclusivamente por muçulmanos. Várias guerras já foram combatidas entre os dois países. Sempre o Paquistão considerou-se incapaz de enfrentar no plano militar a Índia, considerada superior tanto do ponto de vista numérico (em militares e armas) como tecnológico. Começou uma verdadeira corrida armamentista, na qual o Paquistão tentou anular a diferença que sempre existiu em favor da Índia. Depois que esta explodiu seu primeiro artefato nuclear, o Paquistão começou a procurar conhecimentos e meios para ter também sua bomba atômica. Em 1998, realizou suas primeiras explosões nucleares. O Paquistão aproveitou da confusão que se criou depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 para voltar a ameaçar a Índia, fazendo as tropas avançarem em suas fronteiras com a Caxemira, pressionado pelos setores muçulmanos radicais do país. Alguns atentados terroristas realizados na Índia, como o ataque ao Parlamento indiano de dezembro de 2001, deram a impressão de que a guerra fosse iminente. A tentativa, porém, de retomar o conflito com a Índia foi conseqüência do surto de fundamentalismo que tomou conta do país no começo da guerra contra o regime taleban que governava o Afeganistão. Foi nesse período que um comando de radicais muçulmanos invadiu uma igreja católica ocupada, no momento, por uma comunidade protestante e durante o culto matou dezenas de fiéis. O andamento da guerra do Afeganistão, desfavorável ao taleban, desestimulou o radicalismo dos fundamentalistas e levou o governo a assumir atitudes drásticas contra eles. Já foram presos 1900 extremistas e 650 escritórios de organizações islâmicas integralistas foram fechados.
O fundamentalismo perde terreno O fim da guerra no Afeganistão, ainda que não tenha posto fim às tensões entre Paquistão e Índia, criou condições que deixam prever que essas mesmas tensões irão se resolver em breve, pelo menos provisoriamente. Mas não está sendo essa a única conseqüência do conflito. Há uma evidente diminuição das hostilidades contra a comunidade cristã e todas as minorias em geral: o diálogo parece se tornar possível, justamente no Paquistão, um dos países muçulmanos que até pouco tempo atrás parecia um dos mais intransigentes e radicais. Os bispos acham que estão aparecendo sinais de que a situação poderá melhorar ainda mais dentro em breve, especialmente para as minorias. Com efeito:
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