Revista "MUNDO e MISSÃO"

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Timor Leste: o desafio da independência

Timor Leste tem 850 mil habitantes, incluindo 100 mil que ainda se encontram em Timor Oeste como refugiados, espalhados num território de 13 mil km2. Mas, por trás desses dados, aparentemente insignificantes, escondem-se outros, estarrecedores, como por exemplo, as 200 mil vítimas da repressão e da guerra civil desde janeiro de 1976, quando a Indonésia ocupou a ilha, sucedendo aos portugueses que tinham permanecido ali por quatrocentos anos.

Os movimentos, que tinham guiado o povo em sua luta pela independência dos portugueses, recusaram também a dominação indonésia e a guerrilha continuou até 5 de setembro de 1999, quando foi realizado o plebiscito em que a população votou, em sua grande maioria, pela independência do país. Durante 15 dias, logo após a votação, Timor Leste transformou-se no reino do terror. As forças militares e paramilitares indonésias invadiram o território e começaram a destruição e a matança. Mais de mil timorenses foram massacrados e mais de 80% das habitações da capital, Dili, isto é, mais de 67 mil, foram atacadas, incendiadas ou gravemente danificadas. Somente em 20 de setembro a chegada de uma força multinacional de paz da Onu pôs fim à destruição. Começou lentamente a reconstrução e a volta dos 250 mil refugiados que tinham fugido para Timor Oeste. Deles, mais que a metade já voltou para suas casas.

No dia 30 de agosto foram realizadas as primeiras eleições neste novo país: um primeiro teste para ver até que ponto a democracia de Timor Leste é uma realidade e não somente um sonho.

Por enquanto, os maiores líderes históricos, os que lutaram primeiro contra os portugueses e depois contra os indonésios, renunciaram às posições de liderança que tinham assumido logo depois da independência. Xanana Gusmão, José Ramos Horta e outros, homens que pagaram com o exílio, a prisão ou até com a morte dos próprios familiares sua dedicação à causa de Timor, associaram-se ao partido socialista timorense, de oposição, para contrastar o grande poder dos antigos companheiros de luta, os membros do Fretilin, o movimento de independência e guerrilha timorense que, agora, divididos entre si, são os que dão as cartas em Timor Leste.

Os olhares dos timorenses estão voltados para essas eleições, que não são ainda políticas e sim para uma Assembléia Constituinte que deverá fixar também as regras das futuras eleições parlamentares, previstas para o começo do ano que vem. Existe o medo de que as atuais divisões entre as personalidades mais influentes na vida do país, fruto de um passado de violência, de ódio e de opressão, não consigam ser superadas.

"Reconciliação" é a palavra mais recorrente entre os operadores humanitários e os homens de Igreja, exatamente porque o desafio da independência de Timor Leste depende muito da paz entre os seus concidadãos.

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