Revista "MUNDO e MISSÃO"
Atualidades no Mundo - África
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Testemunhos da Missão Alberto Garuti Apresentadores neste especial algumas figuras de missionários: O patriarca de Mianmá Pe. Clemente Vismara, italiano, no P.I.M.E., morreu em 1988, com 91 anos, depois de ter passado 65 em Mianmá (antiga Birmânia). Ele vivia numa aldeia nas montanhas, cuidando de 250 órfãos, numa região onde as tribos estavam sempre em guerra entre si e onde cólera, lepra e febre amarela eram e são doenças comuns, distante de hospitais e médicos. Único cristão num raio de 100 quilômetros Pe. Clemente chegou a Mianmá, em 1923. Um ano depois, deixava a cidade de Toongou, centro das missões do P.I.M.E. naquele país, para trabalhar na nova missão de Kentung, que alcançou depois de uma viagem de 14 dias a cavalo, subindo e descendo montanhas e atravessando rios. Estradas? Nem pensar. Naquela região, quando ele chegou, não havia cristãos. Ficou durante 33 anos na aldeia de Monglin, muitos dos quais sozinho, pois os missionários que eram enviados para ajudá-lo morreram em pouco tempo de doenças próprias daquelas regiões tropicais. Descrevendo sua solidão, nas cartas aos amigos, dizia: "Para ver outro batizado num raio de 100 quilômetros, eu preciso me olhar no espelho". Mas Pe. Clemente não desanimava. Ele via que as crianças abandonadas eram um dos maiores problemas da região: órfãos que os parentes não conseguiram sustentar, ou que o padrasto ou a madrasta maltratavam, doentes ou deficientes abandonados, pelos quais ninguém queria se responsabilizar. Essas crianças foram reunidas num orfanato que ele construiu e custeava graças às ajudas que recebia de amigos e parentes. O orfanato aumentou em pouco tempo, pois com a chegada de uma comunidade de irmãs ele pode aceitar também as meninas. A história do caixão de defunto Recebeu milhares e milhares de dólares, todos transformados em
alimento e roupa para os órfãos. Quando ele morreu, foi
difícil achar uma muda de roupa decente para vestir seu corpo.
Ninguém sabe durante quantos anos ele usou o mesmo par de sapatos. Não recusava ninguém A irmã Battistina, que trabalhou com ele durante todos esses anos
em Mongping, assim o descreve: "Ele não recusava ninguém.
Quando voltava das viagens em que visitava suas comunidades, chegava sempre
acompanhado. Eram órfãos, marginalizados, crianças
deficientes, velhas doentes, mendigos, drogados, até ladrões
que eram expulsos das aldeias. Eu lhe dizia: 'Padre, não aceite
mais ninguém. Já temo demais'. E ele respondia: 'A senhora
conseguiu se alimentar hoje? Fique sossegada. Vai conseguir amanhã
também. A Providência não vai deixar faltar nada'.
E nunca, com efeito, faltou nada. Outras vezes, voltando das viagens,
dizia: 'Irmã, tenho um presente para a senhora'. E eu sempre respondia:
'Não quero seus presentes', pois já sabia do que se tratava,
e sabia que encontraríamos dificuldades, mas já sabia que
devia aceitar. Certa noite, quando já estávamos deitados,
chega uma família de sete pessoas. Tinham viajado durante dois
dias sem comer nada. Foram levadas ao orfanato com o pedido do Pe. Clemente
para que fossem alimentadas. Tentei explicar que não tinha nada
pronto, que já era noite. Homem de oração O povo reconhecia e apreciava tudo o que Pe. Clemente fez para os mais
abandonados. É sempre a irmã Battistina que testemunha:
"Ninguém vem à missão, sem antes visitar o túmulo
do Pe. Clemente e rezar por ele. É considerado o patriarca de Mianmá". |
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