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Atualidades no Mundo - Europa

O tráfico de escravos no fim do milênio

Ainda que as dificuldades para aceitar os imigrantes sejam enormes, muitos países precisam deles para continuar a sobreviver

Estudos recentes de vários organismos internacionais como a Caritas, a Interpol e Europol comprovam que "as projeções demográficas para os países europeus demonstram a necessidade da imigração". A Itália, por exemplo, um país cujo nível de natalidade não consegue compensar os falecimentos, se quiser manter constante o nível dos residentes com idade média inalterada, a relação entre os trabalhadores ativos e o crescente número dos aposentados, precisaria ter uma entrada anual de imigrantes tão elevada que resultaria numa situação social e politicamente ingovernável. Um cálculo de todos os fatores para tornar viável uma imigração legal e ordenada (casas, escolas, assistência sanitária...) sugere uma entrada anual mínima de 100/150 mil pessoas. Esses números, todavia, não evitariam uma diminuição de 15/18 milhões de residentes italianos, nos próximos 50 anos. Portanto, o problema social e econômico, salvo mudanças radicais como o aumento da natalidade entre os europeus - bastante improvável - é de uma gravidade considerável.
A União Européia, se quiser manter o crescimento anual de 3% do Pib, precisa de vários milhões de imigrantes, sob pena do colapso. De outro lado, outros fatores - como o despreparo profissional e a cultura diferente - dificultam a entrada legal de imigrantes e sua aceitação na sociedade local. Estes, em geral, são mal vistos pelos europeus, mas se tornam necessários porque, sem eles, não seria possível manter os serviços humildes que os europeus não fazem mais.
Na Alemanha, onde existem mais de 4 milhões de imigrantes, são freqüentes os movimentos xenófobos, mas, sem eles a potência econômica alemã, não subsistiria. De outro lado, nos países pobres e geralmente superpovoados, há milhões de trabalhadores sem emprego que querem entrar, legal ou ilegalmente, na Europa, tentando sobreviver.

Negócios de 7 bilhões de dólares

Aproveitando dessas situações conflitantes, surgiram grupos ou máfias para gerir o tráfico dos migrantes clandestinos, que ganham um dinheiro sujo com a vida desses pobres. Sem escrúpulos, verdadeiros mercadores humanos do segundo milênio, essas máfias criaram uma rede internacional para trazer, aos países ricos, migrantes que não têm possibilidade de entrar legalmente.
Conforme as estimativas do Internacional Labour Office, neste fim de século, os clandestinos seriam uma massa de 15/20 milhões proveniente de todas as partes do mundo, convergindo para a Europa ocidental e os Estados Unidos. O total de negócio estimado pela Interpol passaria dos sete bilhões de dólares que acabam no bolso de verdadeiros traficantes.
As novas máfias são de origem russa, chinesa, albanesa, romena, coreana e nigeriana, com intercâmbio de negócios entre elas e as máfias tradicionais e agindo em todos os negócios direta e indiretamente ligados a exploração - prostituição, drogas e reciclagem do dinheiro sujo - de pessoas que pagam muito dinheiro e quase sempre são abandonadas a si mesmas, diante de qualquer perigo. Recentemente, várias tragédias vieram à tona como a de Dover, Inglaterra, em que foram encontrados clandestinos mortos por asfixia, num container, e a da Itália, no mês de outubro, em que imigrantes também morreram asfixiados num caminhão e foram jogados na estrada.

As máfias

Os escravos modernos, isto é, os clandestinos podem somente viajar se pagarem pesadas contribuições aos mafiosos que providenciam documentos falsos e passagens. No sul da Itália, não são raros os casos em que os clandestinos, com mulheres e crianças , depois de terem pago de 1000 a 3000 dólares para viajar em perigosas barcaças, são abandonados pelos mafiosos que fogem da polícia local. Outros viajam a pé ou escondidos em trens de cargas, atravessando as fronteiras dos países. As rotas sempre mudam para tentar confundir e escapar da polícia que, diante do grande aumento dos clandestinos, torna-se cada vez mais vigilante. Em alguns países, como na Romênia, existem lugares para recolher esses migrantes que chega da África, da América Latina, da Europa Oriental e da Ásia.
O destino desses é sempre um trabalho ilegal, mas existem três faixas que são extremamente lucrativas para a máfia: o comércio de órgãos, especialmente de crianças, a prostituição infantil e o esmolar pelas ruas. A mercadoria humana em questão é comprada, vendida e revendida, entre essas máfias criminosas, em verdadeiros leilãos. Ao redor desse tráfico humano, para reciclar o dinheiro, existem também outras máfias que criam sociedades de importação e exportação para se dar uma fachada de legalidade.

As máfias - denuncia uma alto dirigente da Europol - não se limitam a facilitar a expatriação ou a migração ilegal de pessoas que precisam de trabalho, mas cada vez mais aumentam suas atividades ilícitas. Uma vez chegado ao país escolhido, o clandestino não termina sua via crucis, porque existe sempre o perigo de ser repatriado, se for preso pela policia local, de ser submetido a violências físicas para pagar as dívidas com as máfias.

A Igreja e os clandestinos

Atrás dos clandestinos, existem sempre histórias de miséria e falta de trabalho. As atividades das Igrejas nos países que recebem os clandestino têm um papel importante, embora consigam ajudar somente uma mínima parte.
As Caritas nacionais criaram, nas grande cidades, pontos de apoio para atender as urgências, mas o que muito preocupa as Igrejas é como libertar as mulheres, obrigadas a se prostituir pelos mafiosos, escondendo aquelas que querem se livrar das garras dos traficantes, criando serviço de recuperação psicológica e moral e denunciando às autoridades policiais, os chefões. Somente nos últimos 10 meses, 600 mulheres foram libertadas e 2000 pessoas presas e condenadas, apenas na Itália.
Muitas paróquias assumiram programas de ajuda para as Igrejas donde provêm os clandestinos, para que se possa limitar o fluxo migratório, criando cooperativas de trabalho no lugar de origem, em particular para mulheres, e escolas para crianças.

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