Revista "MUNDO e MISSÃO"
Atualidades no Mundo - África
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Hélio Pedroso A África conheceu indubitavelmente
História do país A ilha foi colonizada 2000 anos atrás por polinésios, árabes, africanos. Os portugueses chegaram em 1500. Em 1885, tornou -se colônia francesa e, em 1960, adquiriu a independência. Em 1975, implantou-se por 17 anos uma ditadura militar governada por Didier Ratsiraka. Em 1992, promulgou-se uma nova constituição e tomou posse o primeiro presidente oposionista, Albert Zafy, O ex-ditador Ratsiraka venceu as eleições de 1996, transformou o país numa federação e ampliou seus poderes presidenciais. Em 16 de dezembro de 2001, realizaram-se as eleições que desencadearam uma crise profunda que quase se transformou em guerra civil. O candidato da oposição, Marc Ravalomanana, que teria ganho já no primeiro turno, reclamou o governo, mas o presidente Didier Ratsiraka não quis entregá-lo. Em 22 de fevereiro, Ravalomanana proclamou-se presidente e constituiu um governo, tomando posse com o apoio popular e as benções dos representantes das Igrejas, enquanto Didier Ratsiraka promulgava a lei marcial e fugia para Toamasina, o maior porto da ilha.
O fator que ainda pode desesta-bilizar a atual situação é a postura do exército pró ou contra um ou outro presidente. Ao se proclamar presidente, Marc Ravalomanana teve o apoio de 200 oficiais uniformizados, entre os quais, cerca de vinte generais que lhe juraram obediência.. Mas há ainda uma parte do exército que estaria com o presidente fugitivo e poderia desencadear uma luta fratricida. O papel das Igrejas e do povo
Conforme alguns meios de informação local, as Igrejas teriam apoiado o bem sucedido empresário e praticante, Marc Ravalomanana, para presidente. Antes das eleições, porém, a Conferência episcopal malgaxe tinha declarado sua neutralidade a respeito dos candidatos, reafirmando, junto com todas as Igrejas cristãs, alguns princípios fundamentais para uma democracia como o respeito à justiça, à liberdade, à livre escolha popular, à busca da verdade contra toda arbitrariedade e exploração do poder para fins pessoais, o direito do povo de se manifestar também como cidadãos. A Igreja católica trabalha num estrito ecumenismo com as outras Igrejas, conforme o lema: Cremos em Cristo e temos um só batismo. O país está dividido em 18 regiões ecumênicas e, todos os anos, cada região organiza um encontro ecumênico. As Igrejas trabalham lado a lado também no campo social. Celebram festas comuns como a Semana da Unidade, a lembrança dos mártires do país (29 de março) e o dia da Independência (16 de junho). A Igreja católica possui 450 escolas primárias, 46 escolas de ensino médio e a única universidade do país é católica.
Há mais de vinte anos, após a queda do segregacionista Jan Smith, o presidente Robert Mugabe e a Frente Patriótica não somente não cumpriram as promessas, mas criaram um regime que viola os mais elementares direitos democráticos, estão acabando com as riquezas naturais do país e promovem um racismo ao avesso contra os brancos e as etnias minoritárias. De oprimidos a opressores
A censura sobre a imprensa é rígida. Os jornalistas estrangeiros não podem trabalhar no território e até os jornalistas locais estão sujeitos a perseguições. Após uma visita do ditador líbico Kadafi, que instigou os seguidores de Mugabe a ocupar as terras dos fazendeiros brancos, houve uma infiltração dos serviços secretos árabes, a Jamahiriya, que teria participação certa em assassinatos de opositores durante a recente campanha eleitoral. Desde as últimas eleições parlamentares, em junho de 2000, mais de cinqüenta adversários políticos teriam sido assassinados e outros torturados. Dessas torturas e vexações não escapam as ONGs ocidentais que trabalham e lutam pelos doentes e órfãos. Em novembro de 2001, um casal de canadenses, que geria uma missão humanitária com mais de 270 assistidos entre órfãos e aidéticos, foi forçado, sob ameaça de morte, a deixar o país. Nos anos passados, houve muitas ocupações de fazendas dos brancos, incentivadas ou pelo menos toleradas pelo governo Mugabe, apesar dos protestos e ameaças de intervenção da Inglaterra. Por causa dessas invasões, muitos fazendeiros deixaram suas terras e tentaram salvar a vida; com isso diminuiu a produção de alimentos, o que prejudicou os mais pobres, os negros, que não têm possibilidade de comprar os alimentos a preços exorbitantes. Desde o começo do ano, mais de 25 mil pessoas transferiram-se para as cidades maiores, transformando-se em mendigos para sobreviver. Prevendo uma maior catástrofe, a Zimbábue Agricultural Welfare Trust lançou um apelo à comunidade internacional para que envie alimentos. O Zimbábue é, hoje, um país no limite da subsistência e, pelos dados, embora não oficiais, 80% das famílias viveriam na pobreza absoluta (com menos de um dólar por dia). A recessão econômica, em outubro de 2001, já atingia 97,9% da população. No período de um ano, os combustíveis tiveram um aumento de 200%, tirando da circulação toda a frota particular e boa parte dos meios públicos. Com esse caos instaurado, cessou também o fluxo dos turistas que levavam dólares a um país falido. Fraudes nas eleições Após as eleições de 9 de março de 2002, a situação política do Zimbábue está ficando cada vez mais confusa. O governo diz que ganhou as eleições com 426.454 votos, enquanto a oposição encabeçada pelo presidente do Movimento Democrático pelas Mudanças, Morgan Tsvangirai, acusa o governo de ter manipulado 200.000 votos, mas não consegue encontrar as provas da falcatrua. Prevê-se, portanto, um agravamento da situação política no país. |
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