Revista "MUNDO e MISSÃO"
Atualidades no Mundo - África
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O feiticeiro dos milagres Roberto Beretta A caridade competente e radical de um missionário médico fez milagres em Uganda Dia 13 de fevereiro de 1987: uma sexta-feira da Paixão para a missão dos combonianos de Kalongo, no norte de Uganda. Às quatro horas da manhã, um batalhão de soldados do National Resistence Army - NRA - de Museveni, tiram da cama os pacientes do hospital, os médicos, as irmãs, os padres da missão. A ordem é: evacuar imediatamente. Ninguém pode discutir, todos se olham incrédulos. Mas há uma pessoa - e todos olham para ela - para quem a ordem de partir é algo mais de que fazer as malas: pe. José Ambrosoli. Médico e missionário Pe. José é, para Kalongo, sem exagero, tudo. Quando chegou,
em 1956, era um padre recém-ordenado, médico de boa vontade,
mas de experiência limitada. A missão de Kalongo, fundada
22 anos antes pelo comboniano pe. Malandra, tinha só um modesto
posto de saúde feito de palha. Hoje, o hospital está entre
os melhores de Uganda, com mais de 300 leitos, 11 setores, en-tre eles:
pediatria, cirurgia, radiologia, laboratório de análise,
escola para obstetrizes, unidade nutricional. Kalongo Destinado inicialmente para Uganda, os superiores enviam-no a Kalongo,
"só por dois meses, não mais", para substituir
o médico titular. Ficaria 31 anos. Por mérito sobretudo
dele, o hospital de Kalongo tornou-se em dez anos conhecido em todo país
(o terceiro em capacidade) e nos países vizinhos. A própria
aldeia, antes insignificante, virou capital da província. Profissionalismo Sua jornada começava cedo com a oração, a missa
e depois o café da manhã. Operava três dias na semana
ou visitava os diversos setores. Pe. José era muito pontual e preenchia
e acompanhava meticulosamente os prontuários médicos dos
pacientes e os relatórios das cirurgias efetuadas (cerca de 1500
por ano). Depois do almoço, ao qual freqüentemente chegava
atrasado, porque o trabalho se alongava e que comia frio, descansava um
pouco. Em seguida, passava na igreja para rezar e depois ia para o ambulatório,
do qual era difícil tirá-lo, porque os doentes confiavam
especialmente nele. Antes do jantar, rezava de novo. Seguia-se um momento
de descanso e depois ele mergulhava na ampla correspondência com
os muitos amigos que ajudavam sua obra e na administração.
Mas a jornada do missionário-médico ainda não estava
terminada: havia as urgências cirúrgicas (3-4 por semana)
e os plantões noturnos, dos quais era tirado à força,
só nos últimos tempos, pelos colegas mais novos. Os pobres Tinha uma predileção pelos pobres. Ficava próximo
deles, carregando sobre si suas dores, dando tudo de si para ajudá-los
a saírem daquela situação. Ele mesmo conta: "Um
pouco pela seca, um pouco pelos contínuos roubos de gado, um pouco
pelas lutas tribais, veio a fome. Morrem os velhos e as crianças.
Eu percorro as aldeias e as mães se colocam diante do jipe, levantando
as crianças: 'Leve-o com você, doutor', gritam. Os casos
são tão numerosos que devo escolher: levo comigo as crianças
que não conseguiriam sobreviver, escolho as mais esqueléticas".
Alguns colegas de missão viram pe. José chorando, naqueles
momentos. Testamento espiritual Quando, no dia 13 de fevereiro de 1987, o comboio de 1500 pessoas, entre militares e civis, deixa Kalongo, uma fumaça preta se levanta atrás dos fugitivos: os soldados do NRA queimaram os containers de alimentos e remédios para que não caíssem nas mãos dos inimigos. Alguns dias depois, numa das últimas cartas, pe. José revela o profundo da sua alma: "Com um nó na garganta, tivemos que abandonar Kalongo. O Senhor, porém, é grande e nos deu a força de aceitar tudo da sua mão. Esta é até uma oportunidade maravilhosa para crescer a amadurecer espiritualmente e de nos desapegar de muitas coisas terrenas. Portanto, agradeçamos por tudo ao Senhor!". Foi seu testamento espiritual: morreu poucos dias depois, em 27 de março. UGANDA oSUPERFÍCIE: 241.038 km2 oECONOMIA: agropecuária, com café em primeiro lugar. Ainda
conserva uma grande reserva florestal. A partir dos anos 60/70, após
a independência, o país entrou em convulsões políticas,
com revoltas e golpes militares, até que o gen. Idi Amim, de triste
memória, assumiu o poder em 1971, sendo deposto em 1979 por mais
uma junta militar. Todavia, a paz ficou longe do país que conheceu
sucessivos golpes. Nos últimos anos, Uganda se envolveu na guerra
dos Grandes Lagos (Zaire, Ruanda e Burundi), ajudando inicialmente Kabila,
ditador do ex-Zaire, que depôs o presidente Mobutu e, depois, declarando-se
contra o mesmo. No ano passado, tropas irregulares mataram um grupo de
turistas europeus. |
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