Revista "MUNDO e MISSÃO"
Atualidades no Mundo - Ásia
|
Vida difícil para as minorias Costanzo Donegana O Paquistão, onde vigora a lei islâmica, antes amigo do Taleban, teve que trair os antigos aliados e agora se encontra numa situação difícil
No discurso de posse, Musharraf exibiu um islamismo moderado, tranqüilizando as minorias: O islã ensina a tolerância e não o ódio, a fraternidade universal e não a inimizade, o progresso e não o sectarismo. Palavras incomuns na boca do chefe de um estado islâmico, que acenderam muita esperança nos cristãos. Porém, até agora as promessas foram bem pouco concretizadas. Estado islâmico O Paquistão nasceu em 1947, depois da independência indiana,
para responder à exigência dos muçulmanos que queriam
um próprio Estado autônomo, que resultou composto de maneira
artificial de duas partes, ocidental e oriental, a oeste e leste da Índia,
distantes dois mil quilômetros. Essa divisão territorial
foi acompanhada por um enorme êxodo dos dois lados: sete milhões
de muçulmanos deixaram a Índia e dez milhões de hindus
migraram para este país. Apesar de a população da
nova nação ser quase totalmente muçulmana (97%),
o Paquistão não nasceu como um Estado islâmico. A
vontade do seu fundador, Muhammad Ali Jinnah, estava clara: ele queria
um Estado leigo. Só que, progressivamente, o país tornou-se
um Estado islâmico, embora nem todos os próprios muçulmanos
estejam de acordo. O primeiro golpe contra a comunidade cristã veio em 1973, quando Ali Bhutto nacionalizou as escolas secundárias particulares em língua urdu (o idioma do país), nas quais a maioria dos cristãos pobres era educada pela Igreja. O estudo do islamismo tornou-se obrigatório, os alunos cristãos estão sendo discriminados e prejudicou-se a integração entre muçulmanos e cristãos antes existente naquelas escolas. Sharia
Foi nesse contexto que ocorreu o trágico suicídio (sobre o qual há quem duvide) de dom John Joseph, bispo de Faisalabad, incansável defensor dos direitos humanos, na noite de 6 de maio de 1998, na frente do tribunal que havia condenado à morte, por blasfêmia, um jovem. O bispo tinha procurado em vão um advogado para defender o acusado e havia escrito, alguns dias antes: Ficarei muito feliz, se, nesta missão de romper as barreiras, nosso Senhor aceitar o sacrifício de meu sangue pelo bem de seu povo. Como primeiro fruto, a condenação do jovem foi suspensa. Resistência das minorias A tentativa do governo, em 1992, de incluir na carteira de identidade
nacional a especificação da religião do portador
fracassou pela fortíssima reação pública,
liderada pelos cristãos, aos quais se uniram todas as minorias,
a Comissão Paquistanesa de Direitos Humanos e os partidos de oposição.
Outro sucesso das minorias foi a histórica revogação da lei eleitoral que as obrigava a votar só em candidatos do próprio grupo para um número limitado de cadeiras (10 nas 217 da Assembléia Nacional). Em julho deste ano, por decisão da Corte Suprema, os paquistaneses das minorias votaram com os muçulmanos nas eleições locais. Do ponto de vista sóciocultural, os cristãos ocupam, com
exceções insignificantes, os lugares inferiores da escala
social: a eles são reservados os trabalhos mais humildes (limpeza
urbana, trabalhos nos fornos ou como semiescravos de proprietários
de terra). A raiz disso está no sistema de castas do hinduísmo,
vigente anteriormente, mas que ainda faz sentir suas conseqüências:
os cristãos vêm da periferia da sociedade hindu, quase todos
dos sem-casta (dalit). Eles não têm praticamente quase nenhum
acesso aos estudos universitários e a cargos políticos de
alto nível.
Seria errado pensar que todos os muçulmanos no Paquistão são violentos e intolerantes; entre eles há várias posições e muitos, sobretudo na vida concreta do dia-a-dia, vivendo juntos com os cristãos, abrem-se e mudam a mentalidade. Nas grandes cidades, há grupos de diálogo islamo-cristão, onde se aprofunda o conhecimento mútuo e se enfrentam os problemas sociais, religiosos e étnicos comuns. Os muçulmanos extremistas são poucos, cerca 1%, embora sua pressão sobre o governo e a sociedade seja forte e as violências cometidas (mortes, destruição de lugares de culto, conversões forçadas) sejam contínuas. A Mais grave foi a chacina de 15 cristãos numa igreja, no dia 28 de outubro. Reviravolta Até os atentados terroristas contra os Estados Unidos, o Paquistão
era aliado do Taleban do Afeganistão e seus serviços secretos
tinham contribuído para formar e treinar o exército taleban.
De fato, a existência de um Estado muçulmano amigo às
suas costas servia como retaguarda para protegê-lo em caso de conflito
com a Índia. O Paquistão sofria sanções econômicas,
por parte do Ocidente, pelo armamento nuclear que ia acumulando em competição
com a Índia. |
Visite
as outras páginas
[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO]
[MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E.
- Missio] [Noticias] [Seminários]
[Animação] [Biblioteca]
[Links]