Revista "MUNDO e MISSÃO"
Atualidades no Mundo - Ásia
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VIETNÃ: a repressão continua Alberto Garuti Mesmo que agora não se manifeste através da violência física, a repressão contra os cristãos no Vietnã não cessou. As perseguições da polícia, as prisões e os controles sobre tudo o que a Igreja faz continuam até hoje Assunto principal das manchetes dos jornais e dos noticiários durante muitos anos, o Vietnã quase deixou de ser objeto de interesse para a mídia depois que a guerra acabou e os americanos se retiraram do país. Pelo pouco que sabemos, podemos dizer que a perseguição contra a Igreja e as religiões em geral continua, embora não se faça uso da violência física, segundo o padrão de todos os países socialistas. Sabemos que um padre católico vietnamita, Tadeu Nguyen Van Ly, acusou pública e internacionalmente, pela internet, as autoridades civis por violação grave dos direitos humanos. O padre tinha sido criticado e acu-sado, pela mídia, de fatos que nunca tinham sido provados e que manchavam sua honra e reputação. Seus apelos na mídia terminavam com a exortação a não favorecer a participação de comunistas vietnamitas na assinatura de acordos internacionais. O padre foi preso e encarcerado. Seis cristãos, na província de Phu Yen, foram multados porque se reuniram numa casa particular e ali celebraram um culto. Em 18 de setembro de 2000, a polícia invadiu a casa de outro cristão, multaram-no e confiscaram objetos pessoais. Acusação: ter organizado na mesma casa a celebração da Páscoa, em abril do mesmo ano. Apelo por liberdade religiosa Quatro personalidades religiosas vietnamitas, dois padres católicos e dois budistas, publicaram uma declaração sobre a política do Partido Comunista em matéria religiosa. Nela fizeram apelo às autoridades para que reconheçam os direitos humanos, a liberdade religiosa e ponham fim à ingerência do Partido nos problemas internos das religiões. Entre outras coisas disseram: "Depois de conquistar o Vietnã do Sul, em 30 de abril de 1975, o Partido Co-munista do Vietnã impôs um regime desumano às religiões. Foram promulgados numerosos documentos a fim de amarrar, limitar e suprimir toda atividade religiosa. Foram tomadas uma série de iniciativas, baseadas em falsas acusações, a fim de ter motivos aparentes para encarcerar ou condenar à prisão domiciliar os dirigentes religiosos que se opõem à política de repressão e de destruição das religiões, política que foi posta em ato a partir de 1975 e que continua até hoje". Suspensão do boletim episcopal Exemplo dessa política seria o que aconteceu com "Comunhão", boletim oficial da Conferência Nacional dos Bispos do Vietnã, única publicação oficial da Igreja em escala nacional. "Comunhão" estava em seu oitavo número e podia ser conseguido tanto impresso como via internet no site da Conferência Episcopal. Tinha recebido autorização do governo sob a condição de "observar a legislação do Estado em matéria de publicação e de difusão". Toda vez que a publicação devia sair, uma série de dificuldades apareciam quase que de repente e retardavam a autorização para sua impressão. Apesar dessas dificuldades e sempre atrasada, a revista saía. Boletim de cerca de 300 páginas, ela continha a tradução de documentos da Igreja, artigos de autores vietnamitas, ou traduções de autores estrangeiros, sobre assuntos de pastoral, informações sobre a vida da Igreja e informações sobre obras e documentos que estavam à disposição do leitor. Recentemente, o Departamento de Negócios Religiosos do governo pediu aos bispos que pusessem fim a essa publicação. Foi dito que a mesma, até então tolerada, era ilegal. Engodo Censurar, controlar tudo e, às vezes, permitir e elogiar: esta é a política em relação à religião adotada pelo governo do Vietnã, para tornar aceitável a repressão. É o que está acontecendo atualmente e disso temos vários exemplos. Um deles é o reconhecimento oficial dado pelo governo à Igreja evangélica do Vietnã do Sul. É a primeira vez que isso acontece desde 1975. O fato tornou-se público em abril de 2001 em Saigon, agora Cidade de Ho-Chi-Min, durante uma cerimônia da qual participavam 2 mil representantes de diversas comunidades protestantes. Na ocasião, foi eleito um comitê executivo de 23 membros. As Igrejas pentecostais receberam a permissão de abrir seminários, cursos de formação bíblica, ordenar novos ministros, nomeá-los para uma igreja e transferi-los para outra e publicar livros religiosos. São atividades que todas as igrejas desejariam poder exercer livremente no país. Contudo, as Igrejas que podem exercê-las representam uma minoria dentro do conjunto das Igrejas protestantes do Vietnã. Teme-se que essa liberdade aparente tenha sido dada porque o governo, através do comitê executivo eleito, conseguiria controlar as mesmas Igrejas e que a essa abertura, concedida a algumas Igrejas declaradas oficiais, corresponda um maior fechamento e controle em relação a outras, não oficiais. É o que acontece na China também, com a Associação dos Católicos Patrióticos. Algo parecido aconteceu com a Igreja católica também. O Partido Comunista do Vietnã fez, há pouco, um elogio público à contribuição significativa dos católicos à construção da nação vietnamita O secretário geral da Frente Patriótica do Vietnã acrescentou "que o que de bom foi feito, foi feito graças à ação da Igreja católica e do Comitê pela União do Catolicismo". É através desse comitê que o governo controla os católicos e o elogio visava estimular mais católicos a fazerem parte desse comitê. CONTÍNUO CRESCIMENTO DOS CRISTÃOS As estatísticas mostram que a Igreja no Vietnã, apesar das dificuldades encontradas no campo político, está em fase de expansão. O número de fiéis, de 1999 para 2000, aumentou em 170 mil,
atingindo o total de 5,250 milhões, que correspondem a 6,7% da
população total. Mas, se as igrejas estão cheias, se as cerimônias litúrgicas são bem organizadas, se a catequese e as obras de atendimento social são realizadas com zelo, parece que falta algo ainda a essa Igreja. É o que diz o pe. Antonio Nguyen Ngoc Son, secretário da Conferência dos Bispos do Vietnã do Sul. Esse algo seria especialmente o espírito missionário que daria mais força ao testemunho dos católicos. Eles parecem muito preocupados com o atendimento da própria comunidade e pouco com os que estão fora, com a evangelização dos não-cristãos. VIETNÃ
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