Revista "MUNDO e MISSÃO"

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Migrantes:
WWW175 milhões!

QUEM SÃO OS MIGRANTES

ão aqueles que deixam suas terras em busca de uma vida melhor, formando uma verdadeira onda humana que vagueia pelo mundo e que está crescendo cada vez mais. Hoje, são 175 milhões e serão 230 milhões, em 2050, quando, conforme uma previsão demográfica, a população mundial chegará a 9 bilhões. Os dados aparecem na Relação Anual sobre as Migrações da Organização Internacional dos Migrantes (OIM), que reúne 101 países e acompanha os fluxos migratórios em seus aspectos políticos, econômicos e sociais.

As migrações sempre existiram na história da humanidade e dependem de vários fatores, como a pobreza dos países de origem, as tragédias naturais, políticas e sociais e a demanda de mão-de-obra. Por causa desses fatores, as migrações não podem ser bloqueadas, mas enfrentadas como um fenômeno humano que, no fim, pode trazer benefícios aos migrantes e a seus países de origem, bem como aos que os acolhem.

DADOS

Em 2002, 2,9 % da população mundial encaixava-se na denominação de migrante, isto é, uma pessoa em cada 35 saiu de sua terra: homens e mulheres um busca de um futuro melhor, geralmente partindo do sul do hemisfério e se dirigindo para os países mais ricos do norte.

Os países que mais recebem migrantes em seu território, em números absolutos, são: os Estados Unidos (36 milhões); Rússia (13,3 milhões); União Européia (19 milhões, sendo 9 milhões migrantes internos).

Os continentes que receberam o maior número de migrantes foram a Europa (56,1 milhões); Ásia (49,7 milhões); América do Norte (40, 9); África (16,6 milhões); América Latina e Caribe (5,9 milhões). Em percentuais, a Oceania recebeu um número de migrantes que corresponde a 19,1% de sua população; a América do Norte a 13% e a Europa a 7,7%. Esse fluxo migratório pode modificar a demografia dos países.

MIGRANTES CLANDESTINOS E TRÁFICO DE SERES HUMANOS

A migração clandestina e o tráfico de seres humanos, não controlados pela OIM, são atividades criminosas e ilícitas, mas altamente lucrativas. Não existem estatísticas confiáveis, mas, pela avaliação policial aproximada de vários países, seriam mais de 2 milhões de pessoas (clandestinos, mulheres e crianças para a prostituição), cujo tráfico gera cerca de 10 bilhões de dólares para as organizações do crime.

As tarifas extorquidas dos que desejam entrar ilegalmente em outros países variam: 1.000 dólares para emigrar da Europa oriental para União Européia; 3 mil dólares para sair da África do Norte, e 15 mil da China. Para entrar clandestinamente nos Estados Unidos, vindo do México, a tarifa seria de 300 dólares, mas chega até 35 mil se emigrar da China.

REMESSAS DOS MIGRANTES

Uma vez chegados ao destino, após muitos esforços, perigos e até elevadas despesas, os migrantes enviam vultosas somas de dinheiro aos seus países de origem, para ajudar nas precárias situações econômicas locais.

O relatório da OIM apresenta alguns números: os indianos emigrados enviaram a seu país 11,5 bilhões de dólares; os mexicanos, 6,5 bilhões; os egípcios, 3,7 bilhões. Essas remessas representam até 66% das entradas financeiras do Marrocos; 51% do Egito, 30% da Nigéria e 27% do Benin e Burkina Fasso.

FUTURO DAS MIGRAÇÕES

As migrações continuarão até que os países cheguem a um equilíbrio social e econômico que proporcione trabalho e bem-estar às suas populações. Sempre presentes na história da humanidade, elas não vão diminuir numa sociedade como a atual, onde há gritantes desníveis na distribuição da riqueza.

Por sugestão do Relatório da OIM, deveriam ser implantadas políticas eficazes de respeito aos direitos das pessoas que emigram, uma ampla colaboração internacional entre os países que recebem migrantes e os que enviam, com o objetivo de administrar as migrações no interesse dos migrantes: a integração na terra de destino, a reintegração dos que retornam à pátria, o diálogo e respeito entre as culturas, etc.

Em 1.º de julho de 2003, após a ratificação de 22 países, entrou em vigor a Convenção Internacional dos Direitos dos Migrantes. Infelizmente, nota-se a ausência de alguns dos mais ricos países ocidentais.

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