Revista "MUNDO e MISSÃO"

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evista MUNDO e MISSÃO traz a seus leitores alguns resultados do relatório “Vidas poupadas – O Impacto do Desarmamento no Brasil”, publicado no último mês de setembro pela UNESCO Brasil. O estudo apresenta os dados referentes ao ano de 2004, coletados pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Justiça. Ele refletiu o resultado positivo, obtido pela Campanha do Desarmamento, encabeçada pelo Governo Federal, quanto à redução de mortes por armas de fogo no Brasil. Jorge Werthein, representante da UNESCO no Brasil, declarou durante a publicação do relatório: “Os resultados do estudo são muito importantes para o atual momento em que vive o país, pois ajudam a sociedade a fazer uma reflexão sobre o uso de armas de fogo no Brasil, e a necessidade de reduzir a violência para se construir uma cultura de paz”.

Confira os números:

1.º Em 1994, aconteceram no Brasil 36.119 mortes por armas de fogo. Se nada tivesse sido feito a respeito, o crescimento contínuo dos óbitos por esse tipo de arma – estatisticamente falando – seria de 41.682 em 2004, visto que, em 2003, as mortes chegaram a 39.325. A estratégia de desarmamento (Estatuto e Campanha), não só anulou a tendência de crescimento anual de 7,2% pré-existente, mas também originou uma forte queda de 8,2% no número de óbitos. Devido a isso, é possível sustentar que o impacto do desarmamento gerou uma queda de 15,4% no número de mortes por armas de fogo no país em 2004. Essa queda significa que o desarmamento possibilitou evitar 5.563 mortes só em 2004.


Crianças entregam armas de brinquedo durante Campanha de desarmamento infantil em Brasília - DF

2.º No primeiro semestre de 2004, o Estatuto do Desarmamento determinou uma queda de 12,5% nos óbitos, o que significa que 2.292 mortes por arma de fogo foram evitadas. No segundo semestre, com a Campanha, o impacto foi maior ainda: uma queda de 18,4%, ou seja, 3.371 mortes evitadas.

3.º As capitais, que concentram 23,8% da população do país, foram responsáveis por 38,3% dos óbitos por armas de fogo (2004). Isso evidencia a necessidade de concentrar esforços de desarmamento nas capitais com maiores índices de mortes.

4.º O impacto da implantação do Estatuto, no primeiro semestre, foi levemente menor nas capitais, onde a queda foi de 10,3%, do que no país como um todo, com a queda de 12,5%. Mas, pelo contrário, o impacto da Campanha, no segundo semestre, foi superior nas capitais (22,2%) do que no resto no país (18,4%).

11,9% das quedas nas capitais podem ser atribuídas à Campanha. Então, 39,8% das vidas poupadas pelo desarmamento aconteceram nas capitais, onde 2.214 pessoas tiveram a vida poupada pela vigência do Estatuto e pela Campanha. No segundo semestre, 45% das vidas poupadas aconteceram nas capitais, sobretudo nas mais violentas, mostrando a eficiência das campanhas nesse âmbito que, como veremos, se reproduz também nas regiões metropolitanas.

5.º As dez Regiões Metropolitanas tradicionais focalizadas no estudo, concentrando 30,8% da população, foram responsáveis por mais da metade dos óbitos: 55,4% (ainda em 2004). Mas as taxas já começaram a cair em função da Campanha de desarmamento. Isto reforça a necessidade de focalização das campanhas nas regiões metropolitanas. Com um panorama semelhante ao das capitais, foi bem mais eficiente a Campanha realizada no segundo semestre nas regiões metropolitanas do que no País como um todo.

De qualquer maneira, é sempre atual, além de oportuna, a reflexão de Santo Agostinho:

“É bom desejar a paz, mas, se não se realiza a justiça, esse desejo converte-se em mentira”

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