Revista "MUNDO e MISSÃO"

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Integração cultural e pobreza

da redação

á duas maneiras de encarar os imigrantes: impor-lhes a própria cultura, destruindo sua identidade; ou integrá-los sob o próprio teto, respeitando-os. A assimilação forçada foi comum no passado. Trouxe mais problemas que soluções. Conflitos se arrastam até hoje, sobretudo onde governos autoritários confrontam-se com migrantes apegados às próprias tradições. O preço social e econômico foi enorme. Alguns países perderam investimentos internacionais, em razão de conflitos étnicos internos.

A África do Sul foi um exemplo. E o principal problema, que fecha as portas da Europa à Turquia, está relacionado ao forte apego às suas origens otomanas. – Outra vertente, definida como “multicultural”, aceita e encoraja a coexistência de diferentes identidades sob o mesmo teto político. Índia, Estados Unidos e Espanha servem de exemplo. O Relatório 2004 do PNUD (Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas) propõe esse modelo aos países que recebem fluxos crescentes de imigrantes.

Dois, entre três grandes Estados, acolhem minorias étnicas e/ou religiosas, que superam 10% da sua população. Se não houvesse integração cultural, muitas cidades seriam ingovernáveis. Metade da população de Toronto e Los Angeles, por exemplo, compõe-se de imigrantes. Em Cingapura, eles são um terço da população. Em Londres, um quarto.

NÚMERO DE IMIGRANTES
em 2000 (em milhões)
• Europa
62
• Estados Unidos e Canadá
41
• América Latina e Caribe
6
• Ásia
44
• África
16
• Austrália e Nova Zelândia
6
MUNDO
175

A discriminação é um fato. Populações indígenas da América Latina, minorias religiosas do Sudeste asiático, minorias étnicas dos Bálcãs, xiitas, sunitas e curdos no Iraque, grupos étnicos na África, as populações imigradas na Europa Ocidental,... os exemplos se multiplicam. Internet, tarifas telefônicas ou aéreas acessíveis, são alguns recursos que colocam os imigrantes em contato constante com suas regiões de origem. A ânsia de manter as raízes se apóia no ideal de integração e de lealdade ao país acolhedor.

Os Estados, sustenta o PNUD, devem integrar os migrantes e não impor a própria cultura, o que seria etnocídio. A integração vai-lhes garantir maior desenvolvimento. Mas os países de cultura monolítica continuarão a coxear na pobreza, devido à sua opção cultural. A análise do PNUD desmente a presumida concorrência entre identidade étnica e fidelidade ao Estado, o axioma do conflito natural entre grupos étnicos, a diversidade cultural como obstáculo ao crescimento econômico.

O pluralismo cultural na Malásia é exemplo brilhante. A maioria malaia (62%) convive com a comunidade chinesa (30%) e com a minoria indiana (8%). O contínuo afluxo histórico de imigrantes transformou em gigantes econômicos países como os Estados Unidos e Canadá. Mark Malloch Brown, o administrador do PNUD, resume com clareza o problema: “Há apenas um modo de se erradicar a pobreza no mundo: construir sociedades integradas, que respeitem as diferenças culturais”.

Fonte: PNUD

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