Revista "MUNDO e MISSÃO"

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ecentemente, os telejornais mostraram enormes filas de miseráveis, sem chance de deixar New Orleans, serpenteando ao redor do Astrodome, de olho no furacão Katrina, que deixava um rastro de destruições e mortes.

Estas e outras tragédias naturais mostraram uma realidade escondida no país mais rico do mundo:

- as graves dificuldades que fustigam a população negra norte-americana, radicada nos Estados sulinos. A maior parte dos brancos abandonou a cidade rumo ao norte, em busca de lugares mais seguros. E a coisa toda não gira somente em torno de uma hipotética superioridade racial, não.

A questão é muito mais simples:

- trata-se da renda ou da sua falta. Há, de fato, um invisível véu que separa os abonados dos não-abonados, os que têm chances de crescer dos excluídos, que proliferam cada vez mais.

Vejamos: - havia 33 milhões de pobres norte-americanos em 2001, perto de 11,7% da população total. Deles, 13,4 milhões viviam em estado de miséria. Hoje, segundo dados do Census Bureau, 1 milhão e 300 mil indigentes somam-se àqueles. E as tragédias naturais têm posto a nu tais mazelas. Apenas um cidadão norte-americano negro, em um grupo de 15 negros, possui automóvel. Somente um sobre trinta consegue um cartão de crédito. Sem automóvel e sem crédito, a vida nos Estados Unidos, em circunstâncias como esta, torna-se um problema sério. É considerado pobre, naquele grande país, o cidadão que recebe até 9.645 dólares por ano (ou 803 por mês). Os “extremamente pobres” recebem até 4.500 dólares anuais (375 por mês).

Atualmente, a renda média familiar norte-americana é de 42.228 dólares anuais (3.519 mensais). O país considera pobre a família que recebe até 19.300 dólares anuais (1.608 mensais). Tais valores são bastante elevados, quando comparados à nossa renda, por exemplo. Mas não se deve esquecer que o custo de vida, nos Estados Unidos, é também muito mais elevado que o verificado em nosso país. O que preocupa os norte-americanos, segundo o Census Bureau, é a retração da renda familiar, que caiu 2,2% em relação à renda de 2001. Assim mesmo, segundo o analista Douglas McGray, “é melhor ser miserável nos Estados Unidos, do que classe média em muitos países”.

McGray afirma que há muita mobilidade social em seu país, exatamente como no mundo do trabalho:

- “em um ano, eles são pobres; no seguinte, não são mais”. Defensor do liberalismo econômico clássico, ele afirma que “o excesso de assistencialismo (Welfare State) do Estado induz as pessoas carentes a não melhorar a própria situação”. Certa interpretação da história norte-americana teria demonstrado que o modelo econômico adotado naquele país tem sido eficiente. De fato, ele conheceu fases de forte depressão econômica, superadas por vigorosos períodos de riqueza.

Porém, os desastres naturais colocaram em evidência o que a ideologia capitalista queria ocultar:

- não existe uma única nação americana.

DESIGUALDADES

Mais de 50% da riqueza nacional norte-americana pertence a 20% da sua população. No lado oposto, os 20% da sua população mais empobrecida devem contentar-se com apenas 4% de toda a riqueza produzida no país. Nos Estados Unidos, a retração da renda familiar atinge brancos, negros e asiáticos de maneiras diferentes. Desde 2001, enquanto a população branca viu sua renda cair 1,3%, os negros tiveram uma queda real de 3,4%. Em situação ainda pior encontram-se os asiáticos, que ficaram 6,4% mais pobres.

Fonte: Census Bureau

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