Revista "MUNDO E MISSÃO"
Biblia e Missão
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A fragilidade e a eficácia da palavra Sergio Bradanini Um aspecto importante que a visão de conjunto de Atos 17,16-34 revela é que Atenas é um ambiente muito aberto ao pensamento e às idéias. Várias correntes filosóficas desenvolvem-se e prosperam como expressão de uma nobre civilização da inteligência que não pode ser menosprezada. Não só na época da pregação de Paulo, mas desde tempos mais antigos, existe aqui a presença de uma cultura que busca e ama a ordem, a beleza e a harmonia. Nesse contexto, certamente não é um detalhe de uma nova doutrina (a ressurreição: vv. 18-19), que provoca a desconfiança dos sábios de Atenas. Eles, antes disso, já tiveram conhecimento de muitas outras teorias e doutrinas! O que impressiona é o fato de que Paulo, anunciando Jesus e a ressurreição (v.18), atinge em cheio o poder ideológico exercido de forma autoritária pelos sábios. Não é por acaso que Paulo é acusado de ser um catador de sementes, isto é, um agente de propaganda que espalha lixo intelectual sem sentido.
A ambição pluralista, mas totalitária deste ambiente cultural grego (clara matriz da imposição do pensamento único que marca o processo de globalização do nosso tempo), não leva Paulo a renunciar à sua missão de testemunha do Evangelho. Aliás, esse novo desafio leva o apóstolo a inventar uma nova forma de anúncio: a mensagem da ressurreição que se manifesta na história, na fragilidade humana de Jesus (morto na cruz), mostra a todos e em toda parte (v.30), que uma mudança de perspectivas é possível. A ressurreição dos mortos não só dá a todo ser humano a possibilidade de receber a novidade absoluta de uma comunhão de vida com Deus, mas também dá um novo sentido à história humana. Sob esse ponto de vista, é superada a ambição universalista e totalitária de todo sistema ideológico auto-suficiente que dificulta as relações humanas, minimizando sua importância e seu significado concreto. O anúncio evangélico é eficaz, quando oferece a toda experiência humana autêntica um sentido que leva ao reconhecimento da alteridade absoluta (Deus desconhecido) e da alteridade que não está incluída nem no sistema de pensamento grego, nem em qualquer outra cultura: a morte-ressurreição de Jesus está no centro da história como oferta permanente de salvação para toda a humanidade. |
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