Revista "MUNDO E MISSÃO"
Bíblia e Missão
Entre o Bem
e o Mal
(Rm 12, 21) por Sérgio Bradanini Para isso recorre a uma afirmação de São Paulo: “Não te deixes vencer pelo mal, vence antes o mal com o bem” (Rm 12,21). Ele se refere, não ao problema do mal em geral, mas ao mal causado principalmente por decisões humanas erradas. Segundo esta perspectiva, ele quer mostrar que a Paz mundial é um bem que deve ser guardado e promovido exatamente através de decisões livres e gestos concretos de bem. É verdade que muitos conflitos violentos e sangrentos pelo mundo afora encontram suas raízes e suas explicações no desejo de dominação. De fato, o ser humano contemporâneo, seduzido pelas suas descobertas e pela dominação e controle progressivo sobre a natureza, acredita ser o dono do seu destino e responsável absoluto pela sua história. Ele tenta construir um mundo alicerçado unicamente sobre a auto-suficiência, sem levar em consideração as conseqüências negativas e inimagináveis que isso pode acarretar: desumanização, rupturas de laços familiares e sociais, individualismo crescente, perda de autonomia, de liberdade e de esperança.
Os conflitos sangrentos e a distância enorme entre poucos ricos e a imensa multidão de pobres, sem contar a terrível solidão a que são relegados homens e mulheres de todas as idades, provam e indicam a presença do mal no mundo. Diante disso não só é possível, mas é necessário escolher! Entretanto a realidade é muito mais complexa. Como, e em que sentido, é possível vencer o mal quando se sabe que nem sempre ele é fruto de decisões humanas? É suficiente lembrar o cenário dramático e desolador da calamidade que atingiu recentemente muitos países asiáticos, para levantar uma série de questionamentos, que nem sempre encontram uma resposta plausível, clara e definitiva. Desde sempre a história humana passa por tragédias de grandes proporções, é surpreendida por acontecimentos repentinos e de certa forma imprevisíveis, cuja extensão ultrapassa totalmente qualquer possibilidade de controle. A primeira conseqüência de tudo isso é uma profunda sensação de impotência, de um sofrimento intenso, imenso e indescritível, como lembra uma expressão bíblica: “Grande como o mar é a tua calamidade” (Lm 2,13). Depois da desgraça se buscam as raízes e as causas, mesmo sabendo que não existem explicações exaustivas, definitivas e absolutas. Com efeito, toda calamidade, de qualquer ponto de vista seja considerada, em superfície ou em profundidade, é sempre um grande desequilíbrio, um “golpe” que repentinamente revela até que ponto as pretensões de dominação podem determinar o curso da história ou até que ponto podem chegar os seus limites. Talvez
também este momento atual, Em todo caso, embora de forma dramática, isso revela também as potencialidades humanas de fazer o bem. O contexto atual não é dos mais confortáveis. Apesar disso, a sabedoria bíblica indica que não é possível alcançar nada de bom se a angústia e a inquietude tomarem conta de tudo. É possível vencer o mal pelo bem (Rm 12,21), única e exclusivamente levando em consideração que o mal feito ou sofrido não elimina a promessa de Deus. De fato, não é a primeira vez que a humanidade enfrenta turbulências, calamidades, desolação e desgraças. Quase sempre se saiu de cabeça erguida. Talvez também este momento atual, mesmo em toda a sua dramaticidade, seja uma oportunidade profundamente humana de levantar uma “imensa onda” de solidariedade. Não será este um momento propício para que, tornando mudas as armas, a caridade e o bem possam gritar? |
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