Revista "MUNDO E MISSÃO"
Bíblia e Missão
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por Sérgio Bradanini
Mas de que liberdade se trata? Evidentemente, a condição proposta por Jesus não elimina absolutamente a capacidade de escolha deles, aliás, muito pelo contrário, ela a exige! Com efeito, desde o começo, o evangelista deixa bem claro que os discípulos devem comprometer-se e assim mostrar seu esforço para "permanecerem na Palavra" do Mestre. Portanto, a relação com a verdade, palavra e pessoa de Jesus, implica escuta, acolhida e adesão radical da parte dos discípulos, os quais devem traduzir tudo isso em comportamento concreto: devem "praticar a verdade" (3,21). A identidade mais profunda dos discípulos se manifesta a partir da iniciativa divina de Jesus, e não do desejo de autonomia e de auto-suficiência humana. Jesus quer que seus companheiros sejam realmente pessoas livres como ele: livres dos próprios projetos ou tendências de auto-suficiência, para poderem configurar a própria existência dentro de um horizonte de comunhão plena. Como sempre, para o evangelista, a figura de Jesus constitui o ponto fundamental de referência. Assim como Ele manifesta sua plena liberdade atuando sempre em comunhão com o Pai, permanecendo unido a Ele, o mesmo deve acontecer com seus discípulos. A partir dessa comunhão vital, a verdade é realmente fonte e fundamento da liberdade. Em outros termos, assim como a liberdade faz parte da condição do Filho, do mesmo modo deve fazer parte daquela dos "filhos". Seria muito interessante entender a missão dos discípulos em termos de exercício daquela liberdade que, fruto da comunhão de vida com sua fonte suprema, Deus e Jesus, é capaz de abrir novos horizontes para toda a humanidade. Por que, a partir da verdade fonte da nossa liberdade, ainda não conseguimos realizar a missão indicada pelo profeta Isaías de "pôr em liberdade os oprimidos e quebrar todo jugo" (Is 58,6)? |
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