| Com carinho e calor humano! (1Ts 2,5-8)
Sergio Bradanini
No contexto da multiplicidade de opiniões que circulam livremente
no mundo atual, há também quem acredite que uma descrição
objetiva dos mecanismos sociais que produzem os males que atormentam a
nossa sociedade, seja suficiente para fazer surgir respostas solidárias
entre as pessoas. Pessoalmente, penso que isso não passa de um
ledo engano. De fato, é a pessoa humana e não uma pura e
simples descrição dos mecanismos sociais que pode gerar
a solidariedade necessária para mudar e transformar a sociedade
e seus relativos males. A chave de interpretação ainda está
no coração humano! O mesmo acontece no que diz respeito
ao anúncio cristão: o mensageiro continua sendo a mediação
necessária entre o Evangelho e seus destinatários. A "chave
de ouro" de toda evangelização continua sendo o testemunho.
No belíssimo texto de 1Ts 2, 5-8, Paulo apresenta as modalidades
mediante as quais o testemunho acontece. Antes de tudo, ele assinala três
elementos negativos que, de maneira alguma, podem inspirar a atividade
missionária: a adulação, a ganância ou desejo
de ter mais e a busca de elogios. Trata-se de elementos que, juntos, formam
exatamente a negação radical da autenticidade do testemunho.
A adulação nasce freqüentemente da mistificação
e da mentira, para influenciar alguém de maneira agradável
ou para obter dele alguma vantagem. Os tessalonicenses sabem que os apóstolos
anunciaram o Evangelho, mas também denunciaram seus vícios
e suas falhas! A ganância, ou literalmente "desejo de ter mais",
transforma o mensageiro em mercenário e a mensagem em mercadoria.
Nesse caso, não está mais em jogo a gratuidade do Evangelho
como oferta de salvação para todos, mas em seu lugar entra
o interesse de mercado. Para Paulo, esta questão é de primária
importância, pois não é por acaso que ele recorre
ao próprio Deus como testemunha. Em 1Cor 9,16-18, insiste sobre
a absoluta gratuidade do seu apostolado. Enfim, a busca de elogios acaba
enaltecendo a figura do mensageiro em detrimento da mensagem. Este fato
seria uma maneira de anunciar tudo, menos o Evangelho, pois a função
da testemunha consiste exatamente em anunciar o "Evangelho de Deus"
e não em substitui-lo com "o anúncio de si mesmo"!
Descartando esses elementos negativos que representam sempre uma forte
tentação para qualquer missionário, Paulo passa a
indicar as dimensões mais profundas que são necessárias
para a autenticidade de sua missão: o carinho tipicamente materno:
"apresentamo-nos no meio de vós amáveis como uma mãe
que acaricia seus filhinhos" (v.7) e o calor humano que, além
da mensagem do Evangelho, leva também a fazer da própria
vida um dom: "Assim enamorados de vós, queríamos comunicar-vos
como dom, não só o Evangelho de Deus, mas também
as nossas vidas, porque amados, para nós, vos tornastes" (tradução
literal do v.8). Como habitualmente costuma fazer, Paulo renuncia ao direito
apostólico de ficar a cargo da comunidade (como dirá logo
em seguida em 2,9; cfr. 2Cor 11,9), para evidenciar o aspecto da amabilidade
da figura materna que nutre seus filhinhos e cuida deles até que
sejam capazes de enfrentar as dificuldades da vida. Paulo não só
funda comunidades cristãs, mas também com ternura materna
as alimenta e as acompanha até que elas alcancem sua própria
maturidade. A prova formidável de autenticidade do testemunho missionário
se manifesta quando a própria vida é oferecida em dom aos
destinatários! Paulo e companheiros anunciam dando o melhor de
seu coração... e para nós fica a lição
de que o Evangelho se torna efetivamente eficaz, ao ser comunicado com
toda a ternura e o calor humano possível!
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