Revista "MUNDO e MISSÃO"

Crianças

 

por Cláudio Pastro e Adriana Bergamaschi

História da Virgem Negra
Nossa Senhora da Conceição Aparecida

história de Nossa Senhora da Conceição Aparecida tem seu início pelos meados de 1717, quando chegou a notícia de que o Conde de Assumar, dom Pedro de Almeida e Portugal, governador da Província de São Paulo e Minas Gerais, iria passar pela Vila de Guaratinguetá, a caminho de Vila Rica, hoje cidade de Ouro Preto – Minas Gerais. A Câmara Administrativa de Guaratinguetá decidiu, embora a época não fosse favorável à pescaria, que o conde tinha que provar do peixe do rio Paraíba.


Nossa Senhora Aparecida com a coroa atual e o manto, e no destaque a coroa original

A convocação foi lida em toda a redondeza e os pescadores Domingos Garcia, Felipe Pedroso e João Alves saíram à procura de peixes no Paraíba. Desceram o rio e nada conseguiram. Depois de muitas tentativas sem sucesso, chegaram ao Porto Itaguaçu. Lá João Alves lançou a rede nas águas e apanhou o corpo de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição sem a cabeça.

Lançou novamente a rede e apanhou a cabeça. Daí em diante, os peixes chegaram em abundância para os três humildes pescadores e foram tantos que temeram pela fragilidade dos barcos. Durante 15 anos seguidos, a imagem ficou com a família de Felipe Pedroso, que a levou para casa, onde as pessoas da vizinhança se reuniam para rezar.

A devoção foi crescendo no meio do povo e muitas graças foram alcançadas por aqueles que ali rezavam. A fama dos poderes extraordinários de Nossa Senhora foi se espalhando pelas regiões do Brasil. A família construiu um oratório que logo se tornou pequeno. Por volta de 1734, o vigário de Guaratinguetá construiu uma capela no alto do Morro dos Coqueiros, aberta à visitação pública em 26 de julho de 1745.

Mas o número de fiéis aumentava e, em 1834, foi iniciada a construção de uma igreja maior (atual basílica velha). No ano de 1894, chegou a Aparecida um grupo de padres e irmãos da congregação dos missionários redentoristas, para trabalhar no atendimento aos romeiros que acorriam aos pés da Virgem Maria para rezar com a Senhora “Aparecida” das águas.

A 8 de setembro de 1904, a Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida foi coroada, solenemente, por dom José Camargo Barros:

a coroa foi ofertada pela Princesa Isabel, em 1884, bem como o manto azul-marinho. Hoje, comemora-se o centenário da coroação, num resgate da tradição e da beleza dos gestos simbólicos. A festa incluiu um concurso para escolher uma nova coroa para a Virgem, do qual participaram designers de jóias de todo País e o povo pode votar. No dia 29 de abril de 1908, a igreja recebeu o título de basílica menor. Vinte anos depois, a 17 de dezembro de 1928, a vila que se formara ao redor da igreja no alto do Morro dos Coqueiros tornou-se município.

Em 1929, Nossa Senhora foi proclamada Rainha do Brasil e sua padroeira oficial, por determinação do papa Pio XI. Com o passar do tempo, a devoção a Nossa Senhora da Conceição Aparecida foi crescendo e o número de romeiros foi aumentando e a primeira basílica tornou-se pequena. Era necessária a construção de outro templo, bem maior, que pudesse acomodar tantos romeiros. Por iniciativa dos missionários redentoristas e dos bispos, teve início a construção de uma outra igreja, a atual basílica nova.

Em 1980, ainda em construção, foi consagrada pelo papa João Paulo ll e recebeu o título de basílica menor. Em 1984, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) declarou oficialmente a Basílica de Aparecida: santuário nacional; “maior santuário mariano do mundo”.

imagem é de terracota (argila). A cor acanelada com que, hoje, é conhecida, deve-se ao fato de ter sido exposta, durante anos, ao picumã das chamas das velas e dos candeeiros e também enegrecida pelo lodo do rio. Seu estilo é seiscentista, do séc.17. Finalmente, em 1978, após o atentado que a reduzira em quase duzentos fragmentos, foi totalmente reconstituída pela artista plástica Maria Helena Chartuni, na época, restauradora do Museu de Arte de São Paulo. O mais difícil foi determinar o autor da pequena imagem, pois não está assinada ou datada. Assim, após um estudo comparativo, os peritos chegaram à conclusão de que se tratava de um escultor, discípulo do monge beneditino Frei Agostinho da Piedade, e também seu colega de Ordem, Frei Agostinho de Jesus. Caracterizam seu estilo: forma sorridente dos lábios, queixo encastoado, tendo, no centro, uma covinha; penteado, flores em relevo, nos cabelos, broche de três pérolas na testa e porte empinado para trás.

 

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