Revista "MUNDO e MISSÃO"
Crianças
A violência atinge crianças
por Daniela Sangalli
Desde então, foram realizadas algumas reuniões com paramilitares e o exército a respeito de abusos praticados nos confrontos com civis, execuções sem julgamento, tortura, uso indiscriminado de minas e de bombas, violência sexual contra mulheres e meninas e detenção de reféns. Os números falam por si As crianças são vítimas da guerrilha e da delinqüência comum. Em média, 27,5 crianças são seqüestradas todos os meses. A violência sexual contra adolescentes atinge quase três deles em cada grupo de mil. Entre as crianças colombianas, cerca de 20.000 a 35.000 delas também são vítimas deste mesmo tipo de exploração. O dossiê aponta a Colômbia como o quarto país no mundo em número de crianças na guerrilha ou no exército. Perde apenas para a Birmânia, a Libéria e o Congo. Recomendações Constatada a realidade, o relatório apresenta uma série de recomendações urgentes a várias instâncias, a fim de que ajudem a resolver o drama dessas crianças. Recomenda à guerrilha: que dê um basta aos assassinatos, torturas e uso de violência contra meninos e meninas; que suspenda os ataques violentos contra os agentes de saúde e os professores; que deixe de recrutar menores e que liberte todos os que estão em suas fileiras. Ao governo colombiano recomenda: que puna os excessos de violência contra crianças; que processe corajosamente e condene os responsáveis; que suspenda o apoio à tolerância dos paramilitares que cometem atrocidades contra civis; que facilite o retorno dos refugiados e não utilize crianças como propaganda para as Forças Armadas. Recomenda à ONU: que ela cumpra suas próprias resoluções para a proteção das crianças vítimas dos conflitos; que ela inclua o conflito colombiano na agenda do Conselho de Segurança como caso urgente para a paz e a segurança internacional; que condene todos os que utilizam crianças como soldados. Também recomenda ao governo dos EUA: que ele obedeça a lei, segundo a qual a ajuda à Colômbia seja suspensa caso o país não respeite as resoluções de direitos humanos; que troque a ajuda militar pela luta contra as drogas, através de programas de proteção às crianças na área da saúde, da educação e da tutela às crianças de rua e às vítimas de abuso sexual. |
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