Revista "MUNDO e MISSÃO"

Crianças

A violência atinge crianças

Situação da infância colombiana, segundo um relatório norte-americano, entre crianças refugiadas e abandonadas, crianças-soldados, vítimas de violência e de abuso sexual, crianças sem instrução e sem programas de desenvolvimento.

por Daniela Sangalli

o último mês de fevereiro, a organização norte-americana Watchlist publicou um relatório com a situação das crianças e jovens, vítimas da violência na Colômbia. O relatório, com 45 páginas, intitulado: “Colômbia: guerra aos meninos e às meninas”, apresenta a situação da Colômbia a partir de alguns dados muito significativos sobre a infância. Entre outubro de 1996 e setembro de 1999 foram assassinados quarenta e nove meninos (4 casos foram atribuídos a funcionários públicos; 24, a paramilitares e 21, à guerrilha). Noventa e seis meninos foram mortos em 2002, vítimas de minas (estima-se que ainda existam cem mil minas espalhadas pela Colômbia).

Entre onze mil e catorze mil crianças estão nos conflitos armados, e 50% dos duzentos mil refugiados são menores. Perto de três milhões de crianças não estão em aula, já que escolas são utilizadas como bases militares e centros de treinamento. O relatório traz a história do conflito colombiano desde o nascimento dos movimentos guerrilheiros, a partir de 1964.

Desde então, foram realizadas algumas reuniões com paramilitares e o exército a respeito de abusos praticados nos confrontos com civis, execuções sem julgamento, tortura, uso indiscriminado de minas e de bombas, violência sexual contra mulheres e meninas e detenção de reféns.

Os números falam por si

As crianças são vítimas da guerrilha e da delinqüência comum. Em média, 27,5 crianças são seqüestradas todos os meses. A violência sexual contra adolescentes atinge quase três deles em cada grupo de mil. Entre as crianças colombianas, cerca de 20.000 a 35.000 delas também são vítimas deste mesmo tipo de exploração. O dossiê aponta a Colômbia como o quarto país no mundo em número de crianças na guerrilha ou no exército. Perde apenas para a Birmânia, a Libéria e o Congo.

Recomendações

Constatada a realidade, o relatório apresenta uma série de recomendações urgentes a várias instâncias, a fim de que ajudem a resolver o drama dessas crianças. Recomenda à guerrilha: que dê um basta aos assassinatos, torturas e uso de violência contra meninos e meninas; que suspenda os ataques violentos contra os agentes de saúde e os professores; que deixe de recrutar menores e que liberte todos os que estão em suas fileiras.

Ao governo colombiano recomenda: que puna os excessos de violência contra crianças; que processe corajosamente e condene os responsáveis; que suspenda o apoio à tolerância dos paramilitares que cometem atrocidades contra civis; que facilite o retorno dos refugiados e não utilize crianças como propaganda para as Forças Armadas. Recomenda à ONU: que ela cumpra suas próprias resoluções para a proteção das crianças vítimas dos conflitos; que ela inclua o conflito colombiano na agenda do Conselho de Segurança como caso urgente para a paz e a segurança internacional; que condene todos os que utilizam crianças como soldados.

Também recomenda ao governo dos EUA: que ele obedeça a lei, segundo a qual a ajuda à Colômbia seja suspensa caso o país não respeite as resoluções de direitos humanos; que troque a ajuda militar pela luta contra as drogas, através de programas de proteção às crianças na área da saúde, da educação e da tutela às crianças de rua e às vítimas de abuso sexual.

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