Revista "MUNDO e MISSÃO"

Crianças

m 1843, dom Carlos de Forbin-Janson pede à Igreja uma atenção permanente para comprometer crianças cristãs a gestos concretos de fraternidade sem fronteiras. Tais ações devem considerar as necessidades físicas e religiosas da infância desamparada. Em 1922, Pio XI eleva o projeto “Criança Ajuda e Evangeliza Criança” à categoria de Obra Pontifícia.

Assim, a Infância Missionária adquire caráter universal, através da Propaganda Fide, hoje Congregação pela Evangelização dos Povos. A Obra auxilia os educadores a despertar, gradualmente, a consciência missionária nas crianças, animá-las, a fim de compartilharem a fé e os bens materiais com crianças das regiões e Igrejas mais necessitadas, além de suscitar vocações missionárias a partir de tenra idade.

Infância Missionária no Brasil


O papa João Paulo II definiu a Obra da Infância Missionária como "uma verdadeira rede de solidariedade humana e espiritual entre as crianças dos antigos e novos continentes"

A Obra da Infância Missionária chegou ao Brasil em 1858, onde foi bem acolhida. Situações adversas, porém, obscureceram-lhe os objetivos. Reorganizou-se oficialmente em 1955, sob a direção do pe. Paulo van de Zandt, CSSp. Na reelaboração do seu estatuto, ela ganhou projeção nacional. O 1.º Encontro Latino-Americano da Infância Missionária (1993), em Cali, na Colômbia, celebrou os 150 anos de fundação, e reacendeu sua “chama” no Brasil. Vinte assessores e 6 crianças participaram do encontro.

Ao regressar, eles empenharam-se na reorganização da entidade. O 2.º Encontro Latino-Americano (1995), em Caracas, na Venezuela, firmou-lhe as linhas de ação, a metodologia e a espiritualidade. Os participantes assumiram o compromisso de “apoiar os agentes da Infância Missionária, promovendo encontros e proporcionando meios de formação específicos da atividade missionária, além de destacar a importância da formação, animação, organização e coordenação diocesanas para formar uma equipe responsável, em âmbito nacional”.

Encontros Nacionais

No mesmo ano (1995), aconteceu o Primeiro Encontro Nacional, em São Paulo, que definiu o seu caráter específico. Participaram crianças e assessores de dioceses de diversos estados brasileiros. Outros encontros regionais aconteceram. O 2.º Encontro Nacional foi em Vitória – ES, em 1996, durante o XIII Congresso Eucarístico Nacional. 270 assessores e 141 crianças, procedentes de 32 dioceses, representando 11 Regionais da CNBB, partilharam a experiência da reorganização da Obra, destacando o protagonismo das crianças na evangelização e na solidariedade universal; a reflexão sobre a Eucaristia e a sua força para a Infância Missionária; prioridades e compromissos. Nesse Encontro foi lançado o livro: “Infância Missionária: Diretrizes e Orientações”, hoje na 5.ª edição.

EFAIMs: Encontro de Formação para Animadores da Infância Missionária

Em novembro de 1996, os membros da Coordenação Nacional da Infância Missionária, participaram, em Quito, no Equador, da Escola de Animadores Missionários (ESAM), com o seguinte objetivo geral: oferecer capacitação teológico-espiritual, psicopedagógica e metodológica para realizar a missão de animação missionária junto às crianças da Infância Missionária.

Em 1997, foram realizados três encontros no país:

- no Nordeste, no Sul e no Centro-Leste, além de vários EFAIMs, entre 1997 e 1999, envolvendo mais de 1.700 assessores. O maior “efeito multiplicador” acontece após os EFAIMs, por meio dos repasses dos conteúdos a assessores/as nas respectivas comunidades. Eis os conteúdos: análise da realidade sócio-política, econômica e religiosa e das crianças; fundamentos teológicos da missão; princípios psicopedagógicos; espiritualidade; história, mística e metodologia da Obra.

Metodologia

É a pedagogia de Jesus, que mostrou, através da vida, a misericórdia e o poder salvífico de Deus. Ele acolhe, cria relações de amizade, ajuda, perdoa, consola, fortalece, abençoa, oferece a vida. Antes de falar, ele se faz amigo, depois ajuda a descobrir a nova realidade, com o objetivo de “ir e fazer discípulos”. A descoberta de um tesouro provoca grande alegria, partilhada com irmãos e irmãs. Na Infância Missionária, essa metodologia acontece nos encontros semanais com as crianças.

Eles se desenvolvem, de forma orgânica, nas quatro áreas da formação missionária:

- catequese, espiritualidade, compromisso e vida comunitária. O processo, cíclico e dinâmico, configura a criança como verdadeiro missionário(a), que escuta a Palavra, passa para a vivência pessoal, que se transforma em compromisso correspondente e firma a comunhão para a missão. O encontro semanal é ponto de chegada e de partida, cujo objetivo é desenvolver, nas crianças, a co-responsabilidade missionária universal e que elas sejam missionárias de outras crianças e, por meio delas, das famílias, das escolas, da comunidade.

Os grupos

Integrar um grupo é opção livre da criança. Eles são, porém, a base da Obra. Cada um é formado de 12 crianças, entre 7 e 14 anos, que lembram os 12 Apóstolos. Cada grupo escolhe uma criança coordenadora, que distribui atividades e dirige os encontros, preparados com a assessoria de um adulto. As próprias crianças coordenam os encontros. Deste modo, exercem o seu protagonismo, pois têm enorme potencial para evangelizar. De fato, a evangelização não será completa sem a ação evangelizadora das crianças.

Este é um compromisso missionário. A Obra “tem a capacidade de infundir nos católicos, desde a infância, o sentido verdadeiramente universal e missionário” (AG 38). Ao despertar a consciência missionária das crianças, adapta-se à sua mentalidade, à sua idade, a seu ambiente e às suas possibilidades (Cf. Estatutos da Infância Missionária). O papa João Paulo II definiu a Obra da Infância Missionária como “uma verdadeira rede de solidariedade humana e espiritual entre as crianças dos antigos e novos continentes”.

Crianças protagonistas da evangelização

Para ser criança missionária é necessário ter os olhos abertos para as necessidades das demais; o coração ardente para acolhê-las; os pés em prontidão para levar-lhes a mensagem e, no calor da fraternidade, fazê-las voltar-se para Deus.

Mutirão pela Amazônia

O mutirão é uma convocação nacional para que toda a sociedade e suas instituições conheçam e defendam os povos da floresta, sua riqueza, dignidade, desafios e esperanças. E se unam para implementar projetos de solidariedade junto às Igrejas particulares da Amazônia.

Justificativa: A maior parte dos recursos naturais e da biodiversidade mundial está na Amazônia, que ocupa 43,38% do continente sul-americano. 66% dela é brasileira, com 21 milhões de habitantes. Ela é a 2.ª região geopolítica estratégica da Terra.

No entanto, é vítima do desmatamento e da contaminação dos recursos hídricos. Atividades econômicas predatórias degradam o meio ambiente, reproduzem a pobreza e a insegurança das famílias, através da criminalidade, provocada pela ocupação desordenada da terra, trabalho escravo, corrupção, mortes anunciadas e impunidade.

Tema geral: Amazônia: desafios e perspectivas para a missão

Lema: “Cristo aponta para a Amazônia”

Conheça melhor o MUTIRÃO: (objetivos específicos, sub-temas, programação e pistas de ação), entrando em contato com a Irmã Cecília Taba, em Brasília – DF – Tel.: (61)313.8313 - E-mail: amazonia@cnbb.org.br

Pontifícias Obras Missionárias - POM
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