Revista "MUNDO e MISSÃO"

Crianças

 


rianças pobres, doentes e famintas; crianças forçadas a se prostituir; crianças soldados que conhecem somente a violência da qual são vítimas e da violência que praticam; milhões de crianças humilhadas na sua dignidade humana na África, Ásia e América Latina, nos países chamados de Terceiro Mundo. O seu grito - lembrou o papa João Paulo II na audiência à Infância Missionária, no dia 14 de junho - é o acontecimento mais cruel que acontece no mundo e que não pode nos deixar indiferentes.

João Paulo II falou para mais de 7 mil crianças, meninos e meninas da Pontifícia Obra Missionária, por ocasião da celebração dos 160 anos de atividades desse organismo missionário. Desde a sua fundação, frisou o papa, vimos muitos acontecimentos e nem todos positivos: "No sul do planeta, o grito de milhões de crianças condenadas a morrer de fome e de doenças, por causa da pobreza, tornou-se mais premente e interpela a todos. Também no assim chamado Norte do mundo, embora em condições melhores, o desenvolvimento econômico e social nem sempre foi acompanhado por um aumento da dignidade humana.

Aí registra-se, de fato, uma perda de valores que recai, cada vez mais, sobre os mais fracos, que são as crianças, sem esquecer que, também no mundo chamado desenvolvido, existem vastas áreas de grande pobreza". O papa João Paulo lançou um apelo para as crianças da Infância Missionária do mundo inteiro, para que intensifiquem sua ação missionária, convidando-as a serem as primeiras a corresponder a este apelo dos seus coetâneos sofredores, formando uma corrente de solidariedade entre todos os países, para prestar ajuda aos mais pobres.

Lembrou que a ação de ajuda, de "doar" foi a característica do movimento, desde sua fundação. A Infância Missionária foi protagonista de "troca de dons" para construir um futuro melhor para todas as crianças do mundo. Seu lema é: "Crianças que ajudam crianças". E o papa apontou os caminhos clássicos de ajuda: a oração que os pequenos missionários se comprometem a rezar, mesmo que seja uma Ave Maria, para seus coetâneos que sofrem, e a caridade, que pode ser uma iniciativa de grupo para contribuir com gestos concretos e assim educar à solidariedade cristã. João Paulo II concluiu o encontro sublinhando a urgência dessa solidariedade e comparando a Infância Missionária "como um imenso coral de crianças do mundo inteiro que cantam juntas o seu 'eis me aqui, ó Deus', com sua oração, seu entusiasmo e seu compromisso concreto de ajuda e solidariedade".

Direitos negados

Unicef calculou que 70% dos nascimentos não são registrados na área subsaariana: são crianças que não existem nos seus direitos fundamentais. No mundo inteiro, no ano 2000, mais de 50 milhões de crianças não foram registradas, isto é, 40% de todos os nascimentos. O registro é fundamental para a aquisição dos direitos e acesso às estruturas sanitárias, escolares e outras fundamentais para um desenvolvimento saudável.

Esse foi o tema central de um Dia para as Crianças Africanas, instituído pela Organização da União Africana (OUA), em memória da sangrenta repressão de uma manifestação de milhares de estudantes em Soweto, na África do Sul - 16/06/1976.

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