Revista "MUNDO e MISSÃO"

Cultura - Culturas

por Patrizia Bergamaschi

Talvez, neste ano, quando a mídia começar a falar do "Dia das Crianças", insistindo sobre a necessidade (quase vital) de oferecer brinquedos sofisticados e caros, mas que podem ser pagos com cartão de crédito ou em prestações, algo precise ser revisto.

Talvez, tenhamos que rever o conceito de consumismo que envolve nossas crianças: elas são o principal alvo das publicidades e a elas deve ser dado tudo o que há de materialmente melhor. Rever o conceito significaria, em outras palavras, não cair nas armadilhas da felicidade ligada exclusivamente à posse de bens; significaria investir mais no amor, no carinho, na atenção, na presença.

Talvez, tenhamos que rever o próprio conceito de criança: "ser humano de pouca idade" e de infância: "período de crescimento, no ser humano". Não ficando nos conceitos, isso nos leva, forçosamente, a entender que a criança é um ser humano, não um objeto ou animal que pode ser explorado, vendido, descartado; que necessita de condições para crescer, como alimentação, afeto, educação, saúde.

Talvez, tenhamos que entender, definitivamente, que a criança é um ser de pouca idade, mas não de pouca importância, não de pouca esperança. E que ela não pode ser apenas a meta de um dia de vendas, de publicidade e de reflexões improvisadas, mas o centro das preocupações e investimento de todos os povos. Às crianças que, neste mês de outubro, ficarão às margens das vendas, das estatísticas e dos planos, a homenagem destas imagens. Para que não sejam excluídas da vida.

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