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por Enrico Uggé
fotos Enrico Mascheroni
s
índios saterés-maués, que vivem na Amazônia
brasileira, contam que, desde o início dos tempos, Sahu-watô,
gerado do primeiro trovão que plasmou o mundo, ensinou-lhes o ritual
de deixar-se picar pelas formigas tucandeiras, cuja picada é dolorosíssima.
Na
véspera da festa que reúne a tribo, são localizadas
as formigas vivas e, por meio de uma varinha, elas são forçadas
a entrar num bambu, chamado tum-tum. No dia seguinte, prepara-se um recipiente
cheio de água misturada com folha de cajueiro. Pouco a pouco, as
formigas escorregam do tum-tum para o recipiente, onde ficam até
serem colocadas numa espécie de luva.
O desafio
Com
muita atenção, os insetos são colocados na luva,
de forma a ficarem com o corpo totalmente paralisado, menos os ferrões.
Quem se submete à prova, espera as instruções do
chefe que decide o tempo da cerimônia, enfiando a luva na mão
e no antebraço estendido do candidato. As picadas das formigas
são imediatas e doloridas. A dança rítmica começa
com os cantos e vai até o momento em que se tem certeza absoluta
de que o candidato cumpriu a prova, demonstrando toda sua coragem.
Dor e cura
Com
esse rito, o índio está certo de poder afastar as doenças
e tornar mais forte o corpo e o espírito. Trata-se de uma cerimônia
ligada à iniciação masculina: quem consegue superá-la
pode ser admitido na comunidade dos adultos. Além disso, há
também um aspecto propiciatório ligado às atividades
agrícolas e à caça.




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