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que
leva uma pessoa a aventurar-se pelo deserto, a enfrentar os dias
ardentes e as noites frias, a solidão? Foi essa pergunta
que fiz a Giovanni Murer, autor das fotos que publicamos neste serviço
e que se define não como um aventureiro, turista ou fotógrafo,
mas apenas como um viajante.
Tendo percorrido desertos da Argélia,
Tunísia, do Marrocos, Quênia e o próprio Sinai,
ele confessa sua atração inexplicável pelos
campos de areia: "É certo que no deserto buscamos a
nós mesmos, mas as respostas à nossa vida não
vêm por mágica, filosoficamente. Vou ao deserto para
voltar, mas, depois dele, volto mudado, mas não sei dizer
exatamente o que é".
Aos olhos ávidos de movimento, o deserto
pode parecer estático, mas para quem o ama, "descobrir
a vida que está sob a areia, o perfume do ar, os rumores
da noite, as diferentes cores, a beleza indescritível da
aurora" justifica qualquer esforço, qualquer sacrifício.
Para Giovanni, cada deserto é diferente
do outro e cada ângulo de contemplação (porque
no deserto não se pode apenas observar) revela um aspecto
inteiramente novo. Perguntei-lhe se no deserto ele encontrava Deus
e a resposta veio rápida: "Com os pés enterrados
na areia, não é possível não pensar
em algo maior".
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