Revista "MUNDO e MISSÃO"
Cultura - Culturas
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Para eles, também vieram os sopros da modernidade: o nomadismo não é mais para todos uma condição de vida, mas uma escolha por alguns meses. Aos camelos do deserto substituem-se os carros das cidades, os rádios tomam os lugares das estrelas e dos contadores de histórias. Felizmente, as tradições ainda são fortes e o povo é orgulhoso de sua fama e de seus costumes tão originais. Entre esses, o matriarcado. Esse prestígio feminino assegura às jovens tuaregues uma ampla liberdade sexual que tem seu início oficial com uma antiga cerimônia em que, entoando canções de amor, rapazes e moças encontram-se para se escolherem. Com as fotos de Giovanni Murer, que procurou instantâneos do cotidiano, trazemos um conto tuaregue da Nigéria, transmitido pela tradição oral. Um conto de amor de um povo de passado guerreiro, mas enamorado eternamente e até as entranhas do deserto onde, segundo um provérbio nômade, sopra um vento com "cheiro de eternidade". UM AMOR MAIS FORTE QUE O HERÓI Esta história aconteceu na época em que não havia lugar para os fracos nesta terra e a vida era um eterno combate: era preciso lutar para manter-se vivo, para manter-se livre, para |
dissuadir os adversários de tentar qualquer ataque. Numerosos eram os inimigos que estavam em todas as partes e Saguid, jovem líder de sua tribo, bem sabia disso. Desde que começara a guiar seu povo, ele não havia feito outra coisa a não ser guerrear e matar, libertar escravas, afastar inimigos e defender os fracos. Como todo aventureiro, sua vida era movimentada e povoada de histórias com tantas mulheres. Mas, Saguid nunca escutava a linguagem de seu coração e as mulheres vinham e partiam, sem que ele se interessasse realmente por nenhuma. Certo dia, porém, quando ele voltava de uma expedição, notou uma jovem que conduzia as cabras para o poço. Aproveitou também Saguid para levar seus camelos que já estavam sedentos depois de tantos dias de viagem. Era uma mulher de condição muito humilde, mas que transitava entre os viajantes com elegância e nobreza, mas sem dirigir a palavra a ninguém. Durante dias, aquela imagem não saia da mente de Saguid que resolveu ir procurá-la. Era uma moça de sua tribo e, mesmo sabendo que ele era seu líder, recebeu-o sem nenhuma cerimônia. Diante daquilo, ele recebeu um golpe e percebeu o quanto era frágil e humano. Naquela noite, de volta à sua casa, Saguid fez uma balanço de sua vida, das guerras e de todo sangue que tinha em suas mãos. Ele era um herói de seu povo e deveria continuar a luta, mas seu coração gritou com força e, dois dias mais tarde, casou-se com aquela moça, deixou seu posto de chefe e tornou-se um humilde criador de camelos. O amor vencera o herói definitivamente. |
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