Revista "MUNDO e MISSÃO"

Cultura - Culturas


Nascimento Místico - uma das últimas obras de Sandro Botticelli, mestre do renascimento (1501)

O Natal é imprevisível. Porque Deus é infinito e se apresenta sempre novo e porque cada homem percorre um caminho diferente que o leva ao encontro
com o Salvador. Mas, conhecer encontros já acontecidos pode ser iluminante,
como luzes ao longo do nosso caminhar.
De três continentes vêm estes "contos" de Natal

por Costanzo Donegana

Onde você apoia seu coração?

por Vincenzo Percassi

cabávamos de celebrar a festa de Natal em Misomali, uma pequena aldeia do Malawi, na África. Foi um momento de fé, de alegria alimentada pelos cantos: todas expressões para celebrar a vida, o mistério de uma maneira palpável. Depois, aos poucos, o povo voltou às próprias cabanas.

De repente, alguém se aproximou angustiado: "Há um doente que precisa de você. Está morrendo". Andamos juntos, sem falar. Chegamos a uma cabana. Numa esteira, jazia uma criança de dez anos. Delirava de febre. A mãe lhe sustentava a cabeça e, de vez em quando, molhava seus lábios com água. Rezamos juntos. Depois eu disse que precisava levar a criança ao hospital. Saí e sentei num degrau da varanda, onde havia um ancião. Estava como que esperando alguém com quem falar.

Fui eu que quebrei o silêncio: "Não se preocupe, atate (papai). Verá que ele vai sarar". Respondeu: "Espero. Porém, eu deixei cair meu coração no chão". "Não deve desanimar. Deus existe!" retruquei. "Sim - retomou - eu sei que Deus existe, mas não onde tem a dor". "Por que diz isso?" perguntei. "É o que nossos pais nos ensinaram", respondeu.

E começou a contar que, muito tempo atrás, um homem pôs-se a caminho para visitar um parente que nunca tinha visto. Dele sabia somente que morava no sopé de uma montanha. Chegou e começou a pedir informações às pessoas. Mas todos o olhavam com desconfiança e ninguém queria ajudá-lo. Cansado, sentou-se à sombra de uma árvore. E eis uma voz: "É esta a aldeia". O homem levantou o olhar e viu só um nyamalibwato, um pequeno pássaro de canto melodioso, que pulava de um galho para outro e o convidava a segui-lo: "Siga-me, estrangeiro, e o levarei à felicidade e à boa sorte".

O homem seguiu o pássaro até que chegou à entrada de uma gruta. Já tinha descido a noite. A entrada era fechada por uma porta de juncos e folhas de palma. Cansado, apoiou-se a ela. A estrutura de juncos se desfez e o homem rolou na gruta, envolvido pela poeira. O nyamalibwato cantou: "Consegui trazê-lo aqui". E desapareceu na noite.

Quando o homem se recuperou um pouco, levantou-se e viu uma figura estranha agachada num canto. Tinha a barba longa e inculta, o seio seco de uma velha, a cabeça coberta de cabelos ralos como a pelugem de uma noz de coco e a pele suja e cheia de escamas, como se nunca tivesse ido ao rio lavar-se. Ao redor, havia muitas ânforas de barro, cuidadosamente lacradas.

"Por que veio aqui?", perguntou a estranha criatura. "Procurava um lugar para dormir, respondeu o homem. Venho de longe e a noite é fria". Ela retrucou: "Você sabe que não é prudente dormir com quem não se conhece". Deitou no chão, logo imitada pelo homem.
No sono, o homem bateu inadvertidamente contra uma ânfora, depois contra a outra e uma outra ainda, até que todas se quebraram, deixando sair todos os mais repugnantes e perigosos gêneros de criaturas: gafanhotos, mosquitos, cobras e animais deste tipo. Num instante, todos aqueles seres saíram e se espalharam pelo mundo. Da última ânfora, saiu um cheiro nauseabundo, que se dispersou no vento.


Presépio peruano

Na manhã seguinte, quando o homem abriu os olhos, viu que a estranha criatura estava sentada diante dele com aspecto muito severo: "Bobo e incapaz - ela gritou - deixou meus filhos saírem da gruta sem minha licença". "Quais filhos?", disse o homem aterrorizado. "Os que viviam nos cântaros que você destruiu enquanto dormia. Vocês homens vão pagar caro por isso".

A estranha criatura tirou depois uma faca muito afiada: "Se quiser sair vivo daqui, deve tirar de meu corpo todas as escamas e a sujeira". Não foi uma tarefa fácil, porque sobre o corpo daquela criatura havia três camadas de escamas, duras e resistentes. Ele teve que pô-las em três recipientes. Quando terminou, chegou outra ordem: "Agora vá, mas sem virar para trás, até a borda da montanha e disperse as escamas ao vento". O homem obedeceu.

Quando voltou à gruta, viu que aquela criatura tinha se transformado num jovem muito bonito. "Que aquelas escamas que você mesmo dispersou aos quatro ventos - disse ele - tornem-se como ferrões nas mãos de meus filhos, de maneira que você e todos os outros homens tenham que sofrer para sempre. O ar nauseabundo que deixou fugir do último cântaro torne-se causa de toda sorte de doenças, porque você violou aquilo que não deveria violar e não evitou aquilo que poderia evitar".


Presépio africano em madeira

O velho calou-se por alguns instantes. Depois virou para mim e disse: "Eis por que há o mal no mundo. É somente culpa do homem. Quanto a Deus, nós sabemos que se afastou muito, está no alto dos céus. Porque ele não pode ficar onde há dor e morte. Ele não pode sofrer".

"Não posso dizer que você está errado - disse-lhe -. Num certo sentido, o sofrimento que existe no mundo é a conseqüência da estupidez e da maldade humana.". O velho anuiu com a cabeça: "O mal vem do homem, não de Deus".

Mas eu senti a necessidade de dizer algo a mais: "Eu também tenho uma história para lhe contar. Na minha religião, se afirma que Deus conhece tudo e pode tudo. Agora, embora viva nos céus, não podia desconhecer o mal e a dor dos homens. E porque os amava muito, decidiu visitá-los. Procurou várias maneiras para ser acolhido por eles, mas eles não o reconheceram e o rejeitaram. Então decidiu tentar o caminho mais natural: ele se tornaria homem em todo sentido. Pediu, portanto, a dois noivos que consentissem que ele se tornasse seu filho. Os dois aceitaram.

Quando veio o dia do nascimento, os noivos estavam viajando. Procuraram hospedagem nas famílias da aldeia, mas em vão. Finalmente, tiveram que contentar-se com uma gruta escura e suja. E foi ali, conta a história, que Deus nasceu. Era noite. E se diz também que da gruta saiu uma grande luz que iluminou a noite e todo o bem que há na terra. Naquele instante, todo o mal do mundo atirou-se sobre aquela criança, sem, porém, conseguir destruí-la. Ao contrário, foi a criança que, assumindo toda a dor, a derrotou, libertando assim o mundo de todo mal".

O velho me olhou com ar perplexo. Depois me perguntou: "Está me dizendo que Deus pode sarar todo nosso mal?". Respondi: "Sim, Deus pode curar todas nossas dores". "Você - retomou - apoiaria seu coração sobre esta história?". Respondi: "Eu já apoiei todo meu coração sobre esta história. Muitos outros fizeram isso. Nesta mesma noite, pouco antes que você viesse aqui, nós, cristãos, nos reunimos para nos contar mais uma vez essa história. Rezamos e nos alegramos juntos. Porque, desde então, Deus não abandonou o mundo. Desde então, a vida voltou a morar entre os homens. Desde então, o mal não é mais sem remédio".

Sorriu. Depois, passando pela última vez a mão no rosto da criança, disse-me: "Tinha deixado cair meu coração no chão. Talvez poderia eu também, apoiá-lo sobre tua história". No ano seguinte, foi ele quem contou à criança curada a história do Deus feito homem.

O Natal de Duc

por Gildo Dominici

guyen Duc era coronel do exército do Vietnã do Sul, sob o regime do presidente Thieu. Casado com uma bonita senhora da alta sociedade de Saigon, tinha cinco maravilhosos filhos, era proprietário de duas casas nessa cidade e gozava de prestígio na sociedade e no exército. Bom soldado, esposo e pai feliz, católico praticante, Duc podia considerar-se bem sucedido na vida e não lhe faltava nada a desejar, a não ser progredir na carreira.

Mas eis a catástrofe de 30 de abril de 1975: os comunistas tomam o poder no Vietnã do Sul e esse evento muda totalmente a vida de Duc. Três meses depois da queda de Saigon, Duc é preso e enviado a um "campo de reeducação": trabalho forçado, lavagem cerebral, política, fome e solidão são seus companheiros durante 13 anos. Sua família não tem autorização para visitá-lo, também porque fora levado para o norte, na fronteira com a China.

Dois anos depois da captura, sua esposa deixa-o para se casar com outro. Os filhos, um após o outro, abandonam o pai e se dispersam pela América e a Austrália. Também seus pais e irmãos fogem para o exterior. Sua esposa vende uma das casas, as autoridades confiscam a outra. Duc perde tudo.

Quando, após 13 anos de trabalhos forçados, é libertado, não tem um telhado para se abrigar. "Estou nu como quando nasci", fala para si mesmo. Mas o que mais fere sua alma é o fato de que ninguém está ali esperando por ele: ninguém lhe dá as boas-vindas, ninguém se alegra pela sua libertação. Duc está sozinho.

Ele sente uma grande angústia no coração; vive sua solidão como algo desumano. Um dia encontra por acaso um amigo numa rua de Saigon: "Que surpresa! - exclama o amigo -. Não sabia que você fora liberado. Venha para minha casa". Para não levantar suspeitas, tomam dois caminhos diferentes. Assim, Duc fica sabendo do amigo que a filha caçula ainda está em Saigon, casada com um dirigente comunista.

"Ela agora é comunista, - diz-lhe o amigo -. Por isso nunca foi visitar você durante todos esses anos". Duc vai ver a filha. Ela o recebe educadamente, mas com frieza. No decorrer do encontro, o clima torna-se meio agitado e depois de pouco tempo, a filha levanta-se e diz ao pai: "Treze anos de prisão não foram suficientes para mudar suas idéias erradas. Eu não tenho mais nada em comum com você".

Duc sente-se totalmente fracassado. Naquele momento, compreende toda a profundidade de sua tragédia e a escuridão de sua solidão: ele fracassara não só como soldado e como esposo, mas também como pai. "Até meus filhos me recusam e rejeitam. Não só não tenho mais nada, mas eu mesmo sou um nada. Por que continuar a viver? A vida não tem mais sentido para mim".

Certo dia, um parente distante propõe pagar-lhe a fuga, com a condição que leve consigo seu filho, Linh. Duc fica indeciso por muito tempo: por que ir para o exterior? Teria a coragem e a força de recomeçar uma vida nova? Mas, por fim, aceita, convencido de ter ainda uma missão na vida: contar ao mundo a desumanidade do sistema comunista. Parte num barco com mais 20 pessoas. Mas a tragédia golpeia de novo: o barco é atacado três vezes por piratas que pegam tudo, jogam ao mar os homens, violentam as mulheres, enfim afundam o barco. O jovem Linh morre afogado. Somente Duc e poucos outros salvam-se a nado.

Agora Duc encontra-se num campo de refugiados da Tailândia. Seu espírito está muito desanimado; sente-se responsável pela morte de Linh e sente raiva de Deus: "Por que é tão cruel? Por que me golpear continuamente com tragédias e sofrimentos? Por que me despojou de todos e de tudo? Por que tive que perder a família e ser reduzido a um nada?" Desde que saíra do campo de refugiados, Duc nunca mais entrou numa igreja.


Adoração dos pastores - pintura do holandês Gerrit Van H. Jonthost

Mas, na noite de Natal, ele se encaminha rumo à igreja, como muitos outros refugiados. Uma frase das leituras da Missa o impressiona: "De rico que era, Deus se fez pobre". "Como eu", pensa Duc. Mas, são sobretudo os cantos de Natal que inundam sua alma com um mar de recordações: quantas vezes tinha participado daquela Missa de meia-noite com sua família! Que felicidade naqueles anos! Agora tudo acabou. Dominado pela emoção, Duc senta-se debaixo de uma árvore na escuridão da noite rompe em soluços. Um choro amargo, desolado.

No caminho de volta para sua cabana de bambu, Duc encontra uma criança de cerca de dez anos, que chora sentada à beira da estrada: "O que faz aqui sozinho?". "Quero voltar para minha mãe". "Onde mora?". "Cheguei hoje. Minhas irmãs foram raptadas pelos piratas...Quero voltar para casa". Duc o leva a sua cabana e lhe prepara um prato de arroz quente. No dia seguinte, vai ao escritório das Nações Unidas e à igreja para pedir alimento e roupa para "sua" criança. Nos dias seguintes, ele encontra outras crianças sozinhas no campo e cuida delas.

A partir daquela noite de Natal, Duc sente-se renascer. Ocupado com essas crianças, esquece seus sofrimentos; em lugar da solidão, aos poucos, entram uma profunda alegria e uma serenidade nunca experimentadas antes. Pouco a pouco, Duc entende: "Desde que comecei a servir estas crianças, sinto-me melhor. São valores como o amor, o serviço desinteressado, o dom de si que nos tornam felizes e não as 'coisas', como a carreira, o dinheiro, a política... A tragédia me 'despiu' das coisas que enchiam minha vida e criou em mim o vazio necessário para me preencher de amor. Por isso, minha vida agora é cheia de alegria e de sentido". Na noite de Páscoa, Duc vai à igreja para celebrar sua ressurreição.

Padre Augusto

il e quatrocentos quilômetros numa pequena canoa, no rio Amazonas, de Itacoatiara, AM, até Macapá, AP; um vôo de avião de Recife a Lisboa; 1200 quilômetros a pé até Lourdes, passando por Fátima. Pode ser o símbolo da vida de pe. Augusto Gianola, o missionário à procura de Deus. Parece estranho: uma pessoa que, por vocação, deveria dedicar sua vida para levar os outros a Deus, que já encontrou, e que parece dar a sensação de não ter ainda atingido o sentido de sua vida.

"Procurei Deus porque, num certo momento, eu o tinha perdido", confessou pe. Augusto a um jornalista da TV italiana, "tomado por aquelas idéias utópicas, comunistas, que todos experimentamos um pouco. Parti para resolver de vez essa crise; queria ficar só, chegar ao limite do mundo para observá-lo de fora, de longe, com toda a sua história e seus problemas. Estava decidido a tudo: a perder a fé, a vocação e também a vida, porque num ambiente assim é fácil... Não obstante, achei o meu Deus. E agora Ele existe - não digo que o amo porque não o amo ainda, porém, acredito nele. Minha fé é pequena agora, mas é firme, firme, firme".

Essas palavras descrevem outro momento da trajetória de pe. Augusto, quando decide sair do esquema da vida missionária ordinária, movido pela convicção pessoal de que a Igreja não consegue escutar e entender o caboclo: "Só quando conseguir viver com eles, nas suas casas, para senti-los respirar, falar, para dormir com eles, então vou conseguir entendê-los profundamente".

Para ser coerente, vai viver com Cícero, um caboclo que mora solitário numa cabana à beira de um igarapé, sem nenhum conforto, na maior falta de higiene, vivendo da caça, pesca, criação de galinhas e cultivo da horta. Cícero deixa Augusto sozinho por longos períodos e ele aproveita para rezar, pensar, escrever o diário, mergulhar na natureza, de dia e de noite, torna-se conhecedor insuperável de todas as espécies de plantas e animais.

Mas é uma vida duríssima: dolorosas picadas de todos os tipos, presença de cobras, onça, jacaré, piranha, doenças, malária... Só seu físico excepcional consegue resistir, mas chega mais de uma vez à beira da morte. Conta: "Deitei-me na rede e não tive mesmo medo. Entreguei-me à Nossa Senhora e disse que estava preparado. O corpo estava sofrendo, mas o espírito não estava nada angustiado, pelo contrário, quase alegre, contente que tivesse chegado um momento muito importante e decisivo, livrando-me das minhas mil dúvidas... Queria escrever duas palavras para os que me encontrassem morto, mas não tive força".

Quando escreve isso, pe. Augusto já não está mais nem com Cícero: dez meses depois da vida em comum com ele, deixa-o e vai mata adentro, totalmente sozinho. É atraído para uma vida eremítica, para tentar ouvir a voz de Deus, para descobrir o que Ele pede. "Não vou embora porque odeio o mundo", escreve ao bispo, "mas, para amá-lo mais. Eu amo o mundo, sinto-o, sinto o calor das muitas pessoas amigas que o enchem, o gosto de tudo o que de bonito e bom este mundo produz. Eu fico unido ao mundo, ofereço o nada que sou e que faço, para que este mundo seja mais de Cristo Deus, a fim de que vocês, meus amigos padres, façam também por mim e muito mais".

O Deus que Augusto busca não é o Deus da fuga, insensível, longe, mas profundamente dentro de sua vida e do mundo, próximo. Por que a busca longe e sozinho? De um lado, é a sede de liberdade que o tornou um inconformista, com posições, às vezes, contra-corrente e relacionamentos duros até o choque pessoal. "Aqui eu faço o que quero, levanto-me quando quero, trabalho quando quero, descanso, visto-me como e se quero, alimento-me como quero, rezo como quero, vivo, morro como quero.

Livre de prestar conta a alguém, de horários, de compromissos, de promessas, de incômodos do próximo, de olhos, de broncas, de julgamentos que não sejam os de Deus e de minha consciência". Mas, acrescenta: "Porém, ainda não é suficiente. Embora aqui haja Deus, Deus não me basta.? Não, a mim não. E Ele o sabia, por isso disse que o procurasse entre os homens. A liberdade é bonita, porém, incompleta. Aquele "ama teu próximo como a ti mesmo", elevado a mandamento supremo, igual ao primeiro, é realmente um segredo de alegria".

E conclui com grande sinceridade: "Sem dúvida, houve um pouco de egoísmo e de esterilidade. Não tenho o direito, quando milhões de pessoas não podem gozá-la como eu gozei. É melhor que eu seja um pouco mais escravo com eles, a fim de que possam aprender a ser um pouco mais livres. Espero conseguir transmitir-lhes o sentido e o valor da liberdade". A experiência amadurece muito pe. Augusto: saindo da floresta, dedica-se à organização e constituição de novas comunidades, seja no sentido social como religioso, convivendo com o povo, "procurando, com minha presença, mostrar quem é e como é um cristão, mudando de casa a cada dia". Constrói centros sociais, escolas e escolas agrícolas, dispensários médicos, desenvolve a perfuração de poços, as plantações de guaraná e, ao mesmo tempo, educa os caboclos à vida comunitária, de fé, de oração, particularmente através de retiros.

Pe. Augusto não é agente social, militante político: "Estou vendo que importante é "ser". Se eu sou alguém, uma pessoa verdadeira, depois não importa o trabalho, o fazer, o dizer. Não ter medo de ninguém, nem da morte. Sermos claros, sinceros, amigos, mas, não amigos a todo custo: saber que temos inimigos irredutíveis, os fariseus de todo tempo. Agora estou olhando só o Evangelho e o grande Mestre, que não tinha casa, nem mãe, nem irmãos, mas eram todos seus irmãos e irmãs. Andava e não escrevia nada, não fazia reuniões, mas o povo se reunia ao redor dele. Meu modelo é o Cristo Senhor".

Natal não é uma festa sem movimento, composta de imagens imóveis como num presépio. Encontra Jesus quem sai do seu lugar, caminha atrás de uma luz, de uma estrela. Pe. Augusto andou muito, como os Magos. E chegou. Poucos dias antes de morrer de câncer no cérebro, confidenciou à amiga, Nella Castiglioni, voluntária missionária na Amazônia: "Nella, o amor que você sonha a vida toda não é nada, frente ao amor da Trindade. Verá, Nella, verá: tudo o que pensa é nada, tudo o que sofre e que ama é nada frente ao amor de Deus. Porque é uma coisa tão grande, tão maravilhosa que nem pode imaginar!".

Maiores conhecimentos sobre pe. Augusto:
"Augusto, eremita na selva amazônica"
de Teodoro Negri, Editora Mundo e Missão

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