Revista "MUNDO e MISSÃO"
Cultura - Culturas
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Lições de futuro com o povo EMBERÁ Cesare Sangalli Há uma longa estra-da - 30 mil quilômetros - que liga o Alasca ao Chile. É a famosa Pan-American Highway ou Carretera Interamericana, a espinha dorsal do continente, percorrida por aventureiros, imigrantes e viajantes que vão do sul ao norte e vice-versa. Mas há um ponto em que essa estrada se interrompe por cerca de 200 quilômetros: é a província do Darién, na fronteira entre o Panamá e a Colômbia. Aqui a natureza continua expulsando o asfalto e o cimento, vencendo o progresso tecnológico. Esta é a terra do povo emberá, indígenas ligados mais ao rio que à floresta. A piroga é o ônibus que os leva aos centros urbanos vizinhos. Estamos no rio Chagres, a poucos quilômetros da capital, dos arranha-céus da Cidade do Panamá. Aqui todos vão à escola: uma professora não indígena coordena as sete classes de educação fundamental. Ninguém se sente afastado do mundo, nem em época de eleição. Aliás, a maioria indígena votou em Torrijos, da direita populista, um fato normal numa área em que a normalidade impera. As relações com a cidade são serenas, mas distantes. "Vamos à cidade quando queremos, para comprar o necessário apenas. Colocamos calça e camiseta e vamos. Mas ela não nos agrada. Faz muito calor, tem muito barulho". A mensagem do povo emberá parece bem clara: pegamos aquilo que julgamos útil da cidade, sem alterar a nossa filosofia de vida. Os instrumentos culturais da modernidade - a língua espanhola, a escolaridade de base - permitem um intercâmbio mais digno e uma escolha mais consciente do modo de viver. |
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