Revista "MUNDO e MISSÃO"

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ÁFRICA: Uma Igreja viva e pujante

No século XX, a África foi o continente que, mais que todos os outros, passou por profundas transformações políticas sociais e religiosas. Nas primeiras décadas, quase todo o continente era uma imensa colônia das várias potências européias, multiplicavam-se as aldeias em que se praticavam as religiões tradicionais; hoje, existem 56 países independentes, numerosas metrópoles superpovoadas que cresceram com a urbanização desorganizada e as grandes religiões - cristianismo e islamismo e até seitas modernas - conseguiram seu espaço.
A passagem do colonialismo à independência foi quase sempre dolorosa, causando enormes tragédias, ditaduras e outros prejuízos que ainda continuam perseguindo esses povos. No meio de tanto caos e tantos conflitos étnicos, a Igreja tem sido uma referência de esperança e justiça.
Como Igreja, o povo africano também fez uma grande caminhada, passando de uma religião praticamente importada, amparada pelo colonialismo europeu, a uma Igreja em busca de sua identidade. No Sí-nodo de 1994, ela se definiu Igreja-família e fez do diálogo e da inculturação suas metas para construir, cada vez mais, uma Igreja engajada na realidade: uma Igreja africana no meio dos africanos.
As estatísticas da Igreja católica, recentemente publicadas pelo Anuário Pontifício, referente ao 1998 com projeção para 2000, são animadoras. Os católicos seriam mais de 120 milhões e a Igreja, apesar das enormes dificuldades, apresenta uma vivacidade apostólica e social cada vez mais dinâmica. Naturalmente, há ainda muitos gritos do povo que mostra seus medos, suas angústias e seus sofrimentos e aos quais ela deve dar sua respostas para se tornar verdadeiramente Igreja-família. Por causa disso, ela precisa ainda da ajuda das Igrejas dos outros continentes.
No século XXI, aliás, à Igreja africana, como força social e autoridade moral, será pedido que ajude ainda mais o povo a sair de suas carências. Exemplo disso é que a Igreja católica já foi citada como possível interlocutora nas negociações do perdão da dívida externa, que uns governos ocidentais querem conceder, exigindo, porém, intermediários que saibam aplicar e distribuir com honestidade o valor da dívida perdoada.

· Mais do 85% da população africana têm menos de 30 anos
· Previsão de população para o ano 2000: 789.617.000

DADOS DA IGREJA CATÓLICA:
previsão para o ano 2000

Católicos
123.460.893
Cardeais
14
Bispos
577
Sacerdotes
26.026
Religiosas
51.304
Religiosos não sacerdotes
7.025
Seminaristas maiores
19.654
Missionários seculares
1.256
Diáconos permanentes
302
Catequistas
343.085

PAISES AFRICANOS COM MAIOR % DE CATÓLICOS

Cabo Verde
95,69 %
Seicheles
90,16 %
Guiné Equatorial
86,12 %
São Tomé
82,16 %
Burundi
61,87 %
Rep. Dem. do Congo (ex-Zaire)
59,11 %
Angola
58,92 %
Gabão
54,88 %
Ruanda
50,20 %
Congo
49,54 %

OS 10 PAISES AFRICANOS COM O MAIOR NÚMERO DE CATÓLICOS

Católicos
%
Congo
23.878.280
49,54
Nigéria
15.732.610
12,97
Uganda
11.136.481
46,46
Tanzânia
8.153.400
25,40
Quênia
7.652.524
24,06
Angola
7.070.400
58,92
Ruanda
4.445.900
50,92
Burundi
4.083.420
61,87
Madagascar
3.994.558
23,98
Camarões
3.766.520
25,34

OBRAS ASSISTÊNCIAS DA IGREJA

Centros assistenciais (idosos, inválidos, etc)
504
Orfanatos
8.688
Dispensários
4.381
Assessoria matrimonial
1.471
Reeducação social
1.093
Hospitais
817
Leprosários
375
Outras instituições
4.269
TOTAL
15.249

 

Fontes:
Anuário das Estatísticas das Igrejas
Anuário Pontifício
Mundo Negro

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