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Cresce o trabalho infantil
Apesar das denúncias feitas regularmente pelos órgãos
ligados à ONU, o trabalho infantil continua existindo e crescendo
em muitos países do Terceiro Mundo. Todos conhecem as histórias
dessa exploração que acontece também aqui no Brasil,
várias vezes mostradas pela mídia, como os pequenos carvoeiros,
os cortadores de cana, os descascadores de mandioca. Ferimentos irreversíveis,
cegueira, perda da infância e da adolescência e, o que é
mais grave, a impossibilidade de freqüentar escolas regularmente:
esses menores estão destinados a continuar a cadeia da pobreza
física e moral no mundo.
Recentemente, porém, a Human Rights Watch, uma organização
que estuda os direitos humanos e acompanha sua defesa, denuncia que, até
em países ricos, o trabalho infantil está aumentando, com
os mesmos riscos e perigos que existem nos países pobres: envenenamento
por agrotóxicos, ferimentos por manuseio de máquinas superiores
à sua capacidade física, impossibilidade de freqüentar
a escola, horários de trabalho insustentáveis, etc.
Na Europa, onde se estima que haja mais de 6 milhões de crianças,
menores de 14 anos, trabalhando na ilegalidade. As motivações
apresentadas podem, em parte, até justificar esse trabalho, visto
que as famílias que emigraram para os Estados Unidos e os países
europeus, clandestinamente e sem apoio, consideram o trabalho infantil
extremamente útil para reforçar, quando não sustentar,
o orçamento doméstico. São conhecidas as crianças
romenas que ficam pedindo dinheiro à porta das casas de espetáculo
em Paris: o faturamento de cada menina que "trabalha" quatro
horas por noite chega a 300 francos por semana (60 dólares). Há
países ricos que fazem algo em favor dessas crianças, retirando-as
das esquinas onde pedem esmolas, lavam vidros de carro e até se
prostituem. Todavia, como os emigrantes continuam chegando, os governos
estão sempre na estaca zero.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), é
importante saber que muitas crianças e adolescentes gostam do trabalho
e dizem que querem trabalhar para ter uma pequena renda própria,
sem depender dos pais. O problema do trabalho infantil deve ser tratado,
portanto, com muito cuidado, sem generalizações e respostas
fechadas. Em Bangladesh e no Nepal, por exemplo, a proibição,
de maneira drástica e improvisa, do trabalho de menores, em fábricas
de bolas e tapetes, agravou a miséria de muitas famílias
e levou muitas crianças de ambos os sexos à prostituição.
É dever de todo país proibir e coibir o trabalho infantil,
em particular os trabalhos perigosos, mal remunerados, escravizantes,
que estão acima da capacidade física da criança e
que a impeçam de estudar. Todavia, proibir, sem apresentar outra
alternativa, todo e qualquer trabalho infantil é uma arma que,
em casos específicos, pode piorar e não resolver o problema.
Os governos, particularmente os europeus, por causa da diminuição
da mão-de-obra braçal e da recusa de certos serviços,
considerados de baixo nível por parte dos trabalhadores locais,
deveriam favorecer a preparação profissional dessas crianças,
em vista de um emprego digno e justamente remunerado.
Trabalho infantil (por estimativa)
NOS PAÍSES RICOS
· Inglaterra: 1 a 1,5 milhões
· Alemanha: 300-400 mil
· Portugal: 200 mil
· Espanha: 150 mil
· Grécia: 500 mil
· Europa em geral: mais de 6milhões de crianças
NO MUNDO
· Ásia: 44,6 milhões
· África: 23,6 milhões
· América Latina: 5,1 milhões
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