Revista "MUNDO e MISSÃO"

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A @ proibida

Tempos atrás, profetizava-se que, no ano 2000, o mundo seria uma aldeia global com incríveis facilidades de real comunicação, através do rádio, da TV e da Internet. Esta, aliás, deveria ser a senhora da comunicação moderna: imediata, livre, fácil e a acessível a todos, mas a realidade não é assim.
Os Repórteres sem Fronteiras denunciam que 2/3 da humanidade não têm acesso a esses novos meios de comunicação por dois motivos. Primeiro: devido à pobreza que ainda atinge a maioria dos povos e segundo, pela censura que existe em muitos países onde há ditaduras (45) ou ideologias políticas e religiosas que cerceiam as liberdades individuais.
Os meios de exercer a censura são variados, mas o povo tenta superar as barreiras, arriscando levar pesadas multas e até acabar na cadeia. Em Mianmá, o governo militar pune com quinze anos de prisão quem não declarar a posse de um computador, tido como mais perigoso que uma potente arma de fogo.
Na Arábia Saudita, os internautas são obrigados a navegar por um organismo público que censura tudo aquilo que for contrário à fé islâmica como pornografia e jogos de azar. No Kasaquistão, cobram-se altíssimos impostos que inviabilizam a receptividade da TV e Internet; no Vietnã, quem tem um computador corre o risco de ser preso; na China tem censura mas, de Taiwan, os piratas da internet querem atacar a China para criar uma rede clandestina de internautas. Em outros países, os provedores estão simplesmente proibidos ou nas mãos do governo central, como na Tunísia, onde um dos dois provedores é propriedade da filha do presidente.
Para contornar essas proibições com relativas multas e punições, alguns ousados internautas procuram mil maneiras para escapar da vigilância policial, trocando freqüentemente o endereço eletrônico, usando telefones que conectam diretamente com o satélite, embora as ligações sejam caras, servindo-se de provedores clandestinos e fazendo circular secretamente as mensagens recebidas.
Em Cuba, uma agência clandestina manda para Miami, notícias, através do celular. A pior situação, todavia, é na África: além das ditaduras que cerceiam as liberdades, o uso da internet só é acessível a quem realmente tem dinheiro. Segundo os Repórteres sem Fronteiras, em toda a África, haveria apenas meio milhão de usuários, num total de 60/80 milhões no mundo inteiro.
O maior número de internautas concentra-se nos países tecnicamente mais avançados e socialmente mais evoluídos, como demonstra o gráfico abaixo.

INTERNAUTAS no MUNDO
ESTADOS UNIDOS
23.570.000
CANADÁ
1.624.000
JAPÃO
1.384.000
ALEMANHA
1.277.000
AUSTRÁLIA
787.000
FINLÂNDIA
555.000
PAÍSES BAIXOS
542.000
FRANÇA
462.000
TAIWAN
364.000
ITÁLIA
327.000
NORUEGA
316.000
SUÉCIA
311.000
ESPANHA
242.000
SUÍÇA
202.000
CORÉIA do SUL
196.000
NOVA ZELÂNDIA
178.000
BRASIL
170.000
BÉLGICA
163.000
ÁFRICA do SUL
162.000
Devido aos milhares de novos internautas que, a cada dia, entram na Rede, os números acima devem ser considerados apenas como uma referência básica.

Fonte: Relatório dos Repórteres sem Fronteiras. 1999

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