Revista "MUNDO e MISSÃO"
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A ÁFRICA NÃO TEM REMÉDIOS O último ataque do vírus assassino, o temível ebola, provocou mais de 70 mortes (até 10 de novembro de 2000) somente em Uganda. Mas a África é um continente grande demais e os números não conseguem expressar a realidade total dos inúmeros problemas de saúde. O denominador comum de quase todos os países africanos é a pobreza endêmica, agravada pelos desastres ambientais e guerras infindáveis. Existem também os interesses dos países estrangeiros, os chamados ajustes instrumentais que, em outras palavras, significam cortes das ajudas internacionais e nas despesas públicas, por causa das dívidas com o Fundo Monetário Internacional e, infelizmente, a ganância dos seus governantes, do passado e presente, que depauperaram o continente, criando polpudas contas nos bancos suíços. As áreas mais atingidas pelos cortes de ajuda, como em todos os países pobres, foram a educação e a saúde pública. Só para citar alguns números que revelam a tragédia, vemos que a África participa com 1% do produto mundial bruto e detém 2% das exportações mundiais; 75% de sua população vive abaixo do limite da subsistência, 80% não têm luz elétrica e, ultimamente, até o índice da média de vida caiu: era de 51,1 anos, em 1990, e de 45 anos, em 1999. Todavia, estima-se que seja de 38 anos em Botswana, 40 no Zimbábue e 42 em Uganda. As causas principais foram as guerras tribais e a AIDS: 23 milhões de africanos estão contaminados e, no ano passado, morreram, em todo o continente, 2 milhões e 200 mil, sobretudo mulheres e crianças. Agora, juntou-se o vírus do ebola. O verdadeiro drama da África, contudo, é que ela não tem possibilidade de acesso às estruturas sanitárias primárias nem aos remédios que poderiam amenizar as dramáticas cifras de doença e morte. Por causa dessa falta de remédios, milhares de crianças ainda morrem de sarampo, malária, diarréia e tuberculose. Não existe nenhuma assistência pública de destaque (em média, os Estados africanos destinam 15 dólares per capita, ao ano. Essa é média entre os 4 dólares da Etiópia, os 15 da Nigéria e os 144 do Egito). Isso afeta também os hospitais mantidos pela Igreja que, por causa do grande número de pacientes que os procuram, não têm mais recursos para atendê-los. Tudo isso foi denunciado pelo CUAMM, uma organização de médicos e paramédicos missionários que comemoraram, em novembro passado, 50 anos de existência. A organização, nascida em Pádua - Itália, congrega 1168 voluntários enviados a lugares atingidos por graves emergências sanitárias; mais 280 estudantes provenientes de vários locais da África que se preparam, nessa mesma cidade, para se tornarem médicos em seus países. Em muitos lugares, esses médicos são a única esperança dos doentes africanos.
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